Economia
PIB sobe 0,4% no 3º trimestre, mas perde ritmo
O resultado é o quinto positivo em sequência, mas mostra uma perda de ritmo da atividade econômica em um cenário de juros altos e desaceleração global.
ECONOMIA
RIO DE JANEIRO, RJ, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil avançou 0,4% no terceiro trimestre deste ano, na comparação com os três meses imediatamente anteriores, informou nesta quinta-feira (1º) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O resultado é o quinto positivo em sequência, mas mostra uma perda de ritmo da atividade econômica em um cenário de juros altos e desaceleração global. Segundo analistas, o fôlego menor deve continuar no quarto trimestre, com o PIB mais próximo de 0% ou até negativo.
A variação de 0,4% de julho a setembro também ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam avanço de 0,6% no período.
Apesar do desempenho aquém do esperado, o PIB alcançou o maior patamar da série histórica, iniciada em 1996, disse o IBGE.
Após revisar seus dados, o instituto concluiu que o indicador já havia registrado, no segundo trimestre de 2022, um nível superior ao do início de 2014, antes de a economia perder força e embarcar em recessão.
Agora, com a alta de julho a setembro, a atividade econômica renovou a máxima da série. O PIB também ficou 4,5% acima do patamar pré-pandemia, do quarto trimestre de 2019.
O avanço de 0,4% veio após crescimento de 1% no segundo trimestre deste ano, conforme dados revisados pelo IBGE. Inicialmente, a alta de abril a junho havia sido calculada em 1,2%.
O instituto também revisou as estimativas para o terceiro e o quarto trimestres de 2021 e para o primeiro trimestre de 2022. As variações passaram de 0,1%, 0,8% e 1,1% para 0,4%, 0,9% e 1,3%, respectivamente.
O PIB mede a produção de bens e serviços no país a cada trimestre. Em valores correntes, alcançou R$ 2,544 trilhões de julho a setembro. O avanço do indicador é usualmente chamado de crescimento econômico.
O terceiro trimestre foi marcado pela corrida eleitoral no país. Às vésperas do pleito de outubro, o governo Jair Bolsonaro (PL) buscou estimular a economia a partir de medidas como a ampliação do Auxílio Brasil para R$ 600 e os cortes tributários sobre combustíveis, energia elétrica e telecomunicações.
A atividade ainda foi beneficiada pela reabertura após as restrições na pandemia, mas esse movimento tende a se esgotar, segundo analistas.
A vacinação contra a Covid-19 permitiu a volta de parte do setor de serviços, o principal da economia pela ótica da oferta. Bares, restaurantes, hotéis, academias de ginástica, salões de beleza, comércios e instituições de ensino fazem parte desse segmento.
No terceiro trimestre, a variação positiva de 0,4% do PIB foi influenciada pelo resultado dos serviços, que subiram 1,1%. A indústria também ficou no azul (0,8%). A agropecuária, por outro lado, recuou 0,9%.
Nos serviços, que respondem por cerca de 70% da economia, os destaques foram informação e comunicação (3,6%), com alta de desenvolvimento de software e internet, atividades financeiras, seguros e serviços relacionados (1,5%) e atividades imobiliárias (1,4%).
O segmento de outras atividades de serviços, que representa cerca de 23% do total de serviços e inclui, por exemplo, alojamento e alimentação, também cresceu (1,4%).
“As outras atividades de serviços já vêm se recuperando há algum tempo, com a retomada de serviços presenciais que tinham demanda represada durante a pandemia”, disse a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.
A inflação elevada, por outro lado, forçou o BC (Banco Central) a elevar os juros no país. O aperto monetário impacta a atividade, porque encarece o consumo de bens e serviços mais dependentes de crédito, dizem analistas.
O consumo das famílias cresceu 1% no terceiro trimestre, indicou o IBGE. Essa foi a quinta taxa positiva em sequência, mas ficou abaixo do resultado do segundo trimestre (2,1%). O consumo responde por cerca de 60% do PIB sob a ótica da demanda.
“O mercado de crédito está mais caro. Acaba batendo nos bens e serviços que dependem mais de crédito”, afirma o economista Christian Meduna, do banco BV.
Ele destaca que, além dos juros altos, a economia vem de uma base de comparação mais forte do começo do ano. Outros riscos vêm do cenário externo, com a perspectiva de desaceleração global, acrescenta.
O banco BV projeta PIB estagnado no quarto trimestre (0%) e uma alta de 3% no acumulado deste ano. Para 2023, a perspectiva é de uma elevação de 1%, segundo a instituição.
“As principais economias globais, como Estados Unidos, Europa e China, estão desacelerando fortemente. Quando o mundo tem baixo crescimento, dificilmente o Brasil segue um caminho diferente. O preço das commodities também começou a cair”, afirmou em relatório a economista Claudia Moreno, do C6 Bank.
“O que devemos ver é um PIB andando de lado, podendo, inclusive, ficar negativo no quarto trimestre. Nossa previsão é que o PIB de 2022 cresça 2,3%, mas com viés de alta. Para 2023, vemos uma economia com crescimento perto de zero”, acrescentou.
Na mediana, o mercado financeiro projeta alta de 2,81% para o PIB no acumulado de 2022, conforme o boletim Focus, divulgado na segunda-feira (28) pelo BC.
Para o ano de 2023, o primeiro do novo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a expectativa é de um avanço mais modesto, de 0,70%, segundo a mesma publicação.
Analistas ainda aguardam definições sobre a condução da área econômica na gestão petista. O mercado financeiro já demonstrou tensão ao enxergar riscos fiscais com possíveis gastos no novo governo.
“O mercado está tentando entender o que vem da política fiscal, mas a curva de juros já se mexeu”, afirma Meduna.
Nesta quinta, o IBGE ainda informou que o PIB cresceu 3,6% na comparação com o terceiro trimestre de 2021. A projeção, segundo a Bloomberg, também era de uma alta mais intensa, de 3,8%.
No acumulado dos últimos quatro trimestres, a economia teve avanço de 3%. O IBGE ainda revisou a taxa de crescimento do PIB de 2021. O resultado ficou maior, de 4,6% para 5%.
CÁLCULO DO PIB
Produtos, serviços, aluguéis, serviços públicos, impostos e até contrabando. Esses são alguns dos componentes do PIB, calculado pelo IBGE, de acordo com padrões internacionais.
O objetivo é medir a produção de bens e serviços no país em determinado período.
O indicador mostra quem produz, quem consome e a renda gerada a partir dessa produção. O crescimento do PIB (descontada a inflação) é frequentemente chamado de crescimento econômico.
O levantamento é apresentado pela ótica da oferta (o que é produzido) e da demanda (como esses produtos e serviços são consumidos). O PIB trimestral é divulgado cerca de 60 dias após o fim do período em questão.
ACRE
Aleac realiza audiência pública para discutir estratégias de desenvolvimento econômico para o Alto Acre
A Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), realizou na manhã desta sexta-feira (18), no Espaço Art. Eventos de Epitaciolândia, uma audiência pública com o tema ‘Economia e Sociedade’ na Regional do Alto Acre. O encontro durou mais de quatro horas, foi solicitado pela Mesa Diretora do parlamento acreano, e reuniu 18 dos 24 deputados estaduais, além de prefeitos e vereadores da região.
Participaram ainda do evento, representantes do Tribunal de Justiça; Ministério Público; Tribunal de Contas do Estado; de entidades empresariais/comerciais como Fecomércio, Acisa, Fieac, Sebrae e de entidades rurais; Federação, sindicatos e de diversos outros setores ligados aos interesses econômicos.
O presidente do Poder Legislativo, deputado Luiz Gonzaga (PSDB), deu início a audiência pública destacando a importância do debate. Frisou ainda que o encontro é um marco importante para a Aleac e tem o objetivo de contribuir para o crescimento econômico da região.
“Hoje, estamos concentrando toda nossa atenção no Alto Acre para debatermos sobre a economia local. Uma escolha estratégica uma vez que que essa região tem um potencial econômico muito grande, um exemplo disso é o nosso vizinho o Peru, e o nosso papel é trabalhar para o fortalecimento e crescimento deste setor. Faremos o possível para que seja uma discussão bastante produtiva, queremos sair daqui com estratégias e ações que possam impulsionar ainda mais a economia local, gerando benefícios para a população e fortalecendo a economia do estado. Faremos ainda um relatório sobre tudo que for debatido aqui, a ideia é equacionar os problemas apontados neste encontro para que consigamos avançar nessa região que é a que mais cresce no Estado”, disse.
Em sua fala, o primeiro secretário da Aleac, deputado Nicolau Júnior (Progressistas), também ressaltou a importância de se discutir o potencial e o crescimento econômico da regional do Alto Acre.
“É sempre desafiador trazer um Poder para um município, demanda muito trabalho mas, vale a pena todo esforço. Ainda mais quando é para debater sobre a economia da cidade. Nós sabemos da importância que essa região tem para o Estado, se trata de um lugar muito produtivo, riquíssimo, estrategicamente posicionado. É o ponto do Brasil mais próximo do mercado asiático e portanto com um potencial econômico muito bom. Por isso estamos aqui, para ouvir os nossos produtores, nossos corporativistas e a população em geral. Vamos nos unir para garantir que o Alto Acre avance cada vez mais no setor econômico. Essa é a nossa vontade”, enfatizou o progressista.
Em seguida, um dos palestrantes do encontro, o economista Orlando Sabino fez um rápido panorama sobre a economia da Regional do Acre. Durante a apresentação, o professor apontou os problemas que segundo ele, precisam ser equacionados para elevar o potencial econômico da região.
“Temos uma potencialidade diferenciada nesta região, nos chama a atenção o crescimento dela. Mas, temos também problemas que precisam ser solucionados. A ideia é que a Assembleia, junto com a bancada federal, trabalhe para que esses problemas sejam equacionados. O Acre já está dando um passo muito importante ao reconhecer o Alto Acre como um dos grandes nichos econômicos do Estado”, frisou o economista.
Já o prefeito de Epitaciolândia, Sérgio Lopes, agradeceu a iniciativa do Poder Legislativo em realizar a audiência pública. “Quero parabenizar essa Casa de Leis por aproximar o povo do parlamento acreano, por realizar esses encontros nos municípios. São ações como essas que fazem a diferença. Ainda mais quando se trata de um debate importante como esse, a economia da nossa região. Sejam todos bem vindos”, falou o gestor.
A deputada Maria Antônia (Progressistas) que é filha do Alto Acre, também se fez presente na audiência pública. Para ela, o parlamento acreano acerta ao debater um tema que é de fundamental importância para o Estado, sobretudo para as cidades de Epitaciolândia e Brasiléia, que é o fortalecimento e crescimento econômico destas cidades.
“Não é de hoje que Brasiléia e Epitaciolândia têm mostrado seu potencial econômico. As empresas de suínos e aves são um exemplo disso, já começaram inclusive a exportar seus produtos, sobretudo pela proximidade com os países andinos. Isso nos alegra e nos orgulha demais. Demonstra que estamos no caminho certo”, frisou a parlamentar.
Em sua fala, a prefeita de Brasiléia, Fernanda Hassem, disse que o sentimento é de esperança. “Hoje, é um dia muito importante para nossa região. Esse encontro é o momento adequado para a gente tratar de questões coletivas. Eu sempre falo que a união faz a força, precisamos fazer gestão no coletivo, ninguém consegue fazer gestão sozinho. Dessa forma não vamos conseguir avançar. Meu sentimento hoje é de gratidão e de esperança”, enfatizou.
Ainda na ocasião, o sócio gerente das empresas Dom Porquito e Acreaves, Paulo Santoyo, falou dos avanços obtidos pelas empresas nos últimos anos. A Dom Porquito por exemplo, localizada às margens da Rodovia BR- 317, a Estrada do Pacífico, em Brasiléia, desde a sua inauguração em 2012, segue em franco crescimento e tem planos ousados para o futuro.
Segundo Paulo Santoyo, a expansão dos negócios, aumento do consumo interno, aberturas e novos mercados internacionais, apoio governamental e a nova realidade do agronegócio na região impulsionam que o Acre seja uma terra de grandes oportunidades. “Nós não vamos parar. O mercado está escancarado, é só fazer. É só investir. E o Peru não é o limite tá, nós temos como fazer mais. Outra coisa que me deixa muito feliz e que me orgulha muito é que nós estamos há passos de dobrar o número de empregos. Isso é demais, hoje temos quatro pessoas que são acreanos trabalhando com a gente, o restante do nosso pessoal são acreanos. Tem gerente que veio da base da indústria que trabalhava como entregador, isso nos alegra demais”, destacou.
O que os deputados disseram:
Tadeu Hassem (Republicanos)
“Estou muito feliz de participar dessa audiência pública que discutiu um tema tão importante que é a economia da nossa região. A Aleac está de parabéns por essa iniciativa. Isso é um sonho que está se tornando realidade. Hoje, o Alto Acre é o maior produtor de suíno, de milho e soja do Estado e isso nos orgulha demais. O nosso desejo é avançar cada vez mais”.
Pedro Longo (PDT)
“Estar aqui no Alto Acre debatendo sobre o crescimento econômico da região é um passo importante que a Aleac dar. Estou muito feliz com a realização desse encontro. Essa região cresce cada vez mais e nós precisamos avançar neste setor”.
Eduardo Ribeiro (PSD)
“O Acre precisa fortalecer sua economia, valorizando as potencialidades de cada região. Por isso o debate que estamos realizando aqui hoje no Alto Acre é tão importante”.
Edvaldo Magalhães (PCdoB)
“Primeiramente quero parabenizar a Mesa Diretora da Aleac por propor esse debate. Agora, nós precisamos dar consequência a todos os problemas e gargalos que foram expostos aqui. Chamo a atenção para uma coisa, não tem como discutir desenvolvimento sem investimento público, isso é balela. Não vamos conseguir fortalecer as cadeias produtivas sem investimento. Esse é o caminho, investimento público e decisão política”.
Afonso Fernandes (PL)
“Foi uma discussão muito produtiva. tenho muito orgulho de fazer parte de uma legislatura que se importa de fato com os problemas que o povo acreano enfrenta. Neste encontro, falamos de temas diversos, economia, segurança, saúde e educação. Não tenho dúvidas de que a Aleac criará mecanismos para ajudar a resolver os problemas aqui expostos. Lamento ainda a falta da bancada federal nesse encontro porque sem essa unidade nós não vamos avançar”.
Texto: Mircléia Magalhães/Agência Aleac
Fonte: ASCOM ALEAC

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