A Prefeitura de Rio Branco e a Universidade Federal do Acre (Ufac) se reuniram nesta segunda-feira (31), para formalizar a renovação de um termo de cooperação técnica focado na qualificação do sistema público de saúde. O encontro, realizado na sede do Executivo municipal, garante a inserção e a ampliação dos programas de residência multiprofissional da instituição de ensino nas unidades da capital, reforçando o suporte assistencial e oferecendo campo de prática para os especializandos.
A renovação do acordo integra acadêmicos de quatro programas de especialização às unidades municipais, abrangendo desde Unidades Básicas de Saúde (UBS) até setores de vigilância e saúde materno-infantil. Estruturado em diálogo com as coordenações dos programas de residência e com a Comissão Regional das Residências Multiprofissionais (Coremu), o documento assegura o cumprimento da legislação de 2009, que institui a valorização dos servidores de carreira que atuam no acompanhamento da prática dos residentes.
“A parceria com a Ufac gera frutos para Rio Branco e, na saúde, amplia a capacidade de atendimento à população por meio das residências”, afirmou o prefeito. (Foto: Val Fernandes/Secom)
Além de qualificar o atendimento, a relação com o município atua como uma estratégia fundamental para incentivar a fixação desses novos profissionais na região após a formação.
Para a gestão municipal, a união de esforços tem impacto direto na ponta. “A gente é muito adepto às parcerias com as instituições, em especial a Ufac. Essa parceria gera frutos para o município de Rio Branco e, na área da saúde, principalmente com as residências que ampliam essa capacidade de atendimento, principalmente no Programa de Saúde da Família”, afirmou o prefeito Alysson Bestene, reforçando que o Executivo fará todo o esforço necessário, incluindo a manutenção de incentivos para que a rede municipal siga avançando com o apoio da universidade.
“Hoje contamos com 10 residentes em Saúde da Família e vamos solicitar ao MEC a ampliação para 20 profissionais”, anunciou o reitor. (Foto: Val Fernandes/Secom)
A carga horária imersiva dos programas garante um reforço expressivo no suporte ao cidadão. Os residentes cumprem 60 horas semanais de dedicação exclusiva, das quais 48 horas são de atuação direta nas unidades de saúde do município ao longo de até 24 meses.
O planejamento inicial contempla áreas essenciais, como Saúde da Família, Saúde Mental, Enfermagem Obstétrica e Medicina Veterinária voltada à saúde animal.
O reitor da Ufac comemorou o alinhamento das instituições para reativar e fortalecer o termo de cooperação, que estava vencido. “O prefeito assume o compromisso e nós vamos ampliar. Hoje, a residência de Saúde da Família conta com 10 residentes. A partir de hoje, nós estamos solicitando ao MEC a ampliação para 20 residentes”, anunciou o reitor.
Ele também destacou que a união entre os entes reflete o papel social da universidade, que continuará entregando à sociedade um serviço de excelência ao longo dos próximos anos de gestão.
A Prefeitura de Rio Branco, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, iniciou nesta semana a primeira fase de implantação do rastreamento do câncer do colo do útero por meio do teste molecular para detecção do DNA-HPV oncogênico na Rede Municipal de Saúde.
A nova tecnologia começou a ser utilizada na Unidade de Referência de Atenção Primária (URAP) Augusto Hidalgo de Lima, que funciona como unidade-piloto nesta primeira etapa. Posteriormente, o serviço será ampliado para a Unidade de Saúde da Família (USF) Manoel Alves Bezerra e, de forma gradual, para as demais unidades da rede.
Nova tecnologia começou a ser utilizada na URAP Augusto Hidalgo e será ampliada gradualmente para outras unidades da rede. (Foto: Átilas Moura/Secom)
A iniciativa reforça as ações de prevenção desenvolvidas pelo Município diante de um cenário que exige atenção. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), Rio Branco deverá registrar 60 novos casos de câncer do colo do útero em 2026. No Acre, a estimativa é de 90 casos.
O novo exame permite identificar a presença de tipos de HPV considerados oncogênicos, ou seja, associados a um maior risco de desenvolvimento do câncer do colo do útero, antes mesmo do surgimento de lesões. A tecnologia integra as novas diretrizes nacionais de rastreamento e, em caso de resultado negativo, permite que o exame seja repetido em um intervalo de cinco anos, conforme protocolo.
“Esse exame é muito importante, pois antes não estava disponível na rede pública e tinha alto custo na rede particular”, destacou Carla. (Foto: Átilas Moura/Secom)
Segundo a enfermeira Carla Costa, a chegada do teste representa um avanço para a saúde pública municipal. “Esse exame é importantíssimo. Nós não o tínhamos na rede pública. Era um exame somente no particular, de alto custo e extremamente necessário”, destacou.
A enfermeira explica que uma das principais mudanças está justamente na possibilidade de identificar o vírus antes do aparecimento de alterações no colo do útero.
“Antes, nós caçávamos a lesão já ativa no colo. O DNA-HPV permite que nós possamos identificar o vírus antes da lesão”, explicou.
Nesta primeira fase de implantação, o público prioritário é formado por pessoas com colo do útero de 30 a 49 anos que nunca realizaram o rastreamento ou que estão há mais de 36 meses sem fazer o exame.
“Rio Branco dá um passo importante na prevenção do câncer do colo do útero com o novo teste de DNA-HPV”, afirmou Katiana. (Foto: Átilas Moura/Secom)
As equipes da URAP Augusto Hidalgo de Lima estão realizando busca ativa para identificar e convocar as pessoas que atendem aos critérios estabelecidos nesta etapa.
Para Katiana Pacífico, chefe da Divisão de Rastreamento e Prevenção do Câncer da Secretaria Municipal de Saúde, a incorporação da nova tecnologia representa um avanço significativo na prevenção da doença. Além de apresentar maior sensibilidade, o teste permite ampliar o intervalo de rastreamento para cinco anos quando o resultado é negativo.
“Rio Branco hoje dá um passo muito importante na prevenção do câncer do colo do útero. É a incorporação da nova tecnologia de rastreamento com DNA-HPV oncogênico”, afirmou.
“Esse exame é caro e agora estou tendo a oportunidade de fazê-lo gratuitamente pelo SUS”, relatou Maria. (Foto: Átilas Mouras/Secom)
Entre as primeiras pacientes a realizar o novo exame está Maria Raimunda Pereira, de 43 anos. Diagnosticada com câncer do colo do útero em 2017, ela realizou tratamento na rede particular e, após anos de acompanhamento, voltou a fazer os exames de rastreamento. Agora, teve acesso gratuitamente ao teste molecular pela Rede Municipal de Saúde.
“Cinco anos depois eu repeti e, graças a Deus, não deu nada. Agora, em 2026, estou fazendo esse exame para ver como está a situação. Esse exame não é barato e eu estou fazendo pelo SUS, grátis”, relatou.
A implantação da nova tecnologia ocorre de forma gradual e organizada, permitindo que a Secretaria Municipal de Saúde acompanhe e avalie os fluxos de atendimento, coleta, processamento laboratorial e logística antes da expansão do serviço para outras unidades da Rede Municipal de Saúde.
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