POLÍTICA NACIONAL
Congresso celebra 100 anos do Grupo Globo com elogios ao papel da imprensa
POLÍTICA NACIONAL
O Congresso Nacional promoveu na manhã desta quinta-feira (21) uma sessão solene para celebrar os 100 anos do Grupo Globo e os 60 anos da TV Globo. A solenidade aconteceu no Plenário do Senado Federal. As autoridades e personalidades presentes usaram a oportunidade para destacar a importância do papel da imprensa e a influência cultural dos meios de comunicação da Globo.
O presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre, destacou o compromisso da empresa com o jornalismo e ressaltou o papel de cidadania do grupo ao longo das décadas.
— Nós, brasileiros e brasileiras de todas as idades, de todas as regiões, aprendemos a confiar no jornalismo das Organizações Globo, nos princípios editoriais do Grupo Globo. Essa confiança não foi construída por acaso, mas pela responsabilidade que o grupo sempre assumiu ao exercer o seu papel de informar. O jornalismo, quando exercido com responsabilidade, dá voz aos que não podem falar, esclarece os fatos diante da confusão e serve de ponte entre a realidade do país e cada cidadão — disse Davi.
Os senadores Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Randolfe Rodrigues (PT-AP) foram autores do requerimento para a homenagem, que também foi assinado pelo deputado Luiz Fernando Faria (PSD-MG). Segundo os parlamentares, a solenidade reforça as funções política, educacional e civilizatória da circulação de informações por meio da imprensa.
— Nesses 100 anos de trajetória, todos os acontecimentos relevantes de nossa nação, felizes ou tristes, tiveram a participação ativa do Grupo Globo, sendo este, inclusive, o instrumento para levar aos lares de cada um dos brasileiros a informação correta — declarou Pacheco.
A sessão teve participação do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta; do ministro das Comunicações, Frederico Siqueira; do presidente do Conselho de Administração do Grupo Globo, João Roberto Marinho; e de membros do elenco de atores, apresentadores e jornalistas da Globo.
Globo
O Grupo Globo teve início em 1925, quando o jornalista Irineu Marinho fundou no Rio de Janeiro o jornal impresso O Globo. Hoje, é o maior conglomerado de comunicação da América Latina. Além do jornal, o grupo inclui a TV Globo — inaugurada em abril de 1965 —, emissoras de rádio, portais de internet, serviço de streaming, editora, produtora de filmes e fundação social.
João Roberto Marinho, que é neto de Irineu Marinho, se disse emocionado com as palavras dos participantes da solenidade. Ele ressaltou que imprensa e Parlamento têm papeis distintos: enquanto os senadores e deputados debatem leis, fiscalizam os Poderes e produzem consensos que apontam caminhos para o país, a Globo informa esses caminhos, mostra os debates e registra as decisões para os cidadãos.
— Essa dinâmica de lado a lado nem sempre é compreendida de forma tranquila por todos o tempo todo, e isso não assusta nem deve nos assustar. Nem o Congresso é imune a críticas, nem a imprensa está acima dela. Mas a crítica não exclui o reconhecimento de valor. Ao contrário: é porque reconhecemos a importância de cada um que nos cobramos mutuamente, sempre em nome do interesse público.
Um vídeo institucional produzido pela TV Globo especialmente para a solenidade foi exibido, mostrando parte da história do grupo e alguns produtos jornalísticos e de entretenimento.
Importância
Para Hugo Motta, a homenagem do Congresso Nacional significa, sobretudo, a oportunidade de reafirmar “valores que sustentam a vida democrática” do país. Segundo o presidente da Câmara, a trajetória do Grupo Globo se confunde com a própria evolução da comunicação no Brasil.
— O capítulo dedicado à comunicação social em nossa Constituição estabelece, com clareza, que a imprensa livre e plural é um pilar da democracia brasileira e um instrumento indispensável à cidadania. Ao refletirmos sobre a trajetória da Rede Globo de Televisão, não nos debruçamos apenas sobre a história de uma empresa de comunicação, mas sobre um fenômeno cultural que atravessa décadas e que se inscreve de forma indelével na formação da identidade brasileira contemporânea.
O senador Randolfe Rodrigues disse que a presença dos veículos de comunicação Globo nas casas dos brasileiros torna cada uma das personalidades, artistas e apresentadores “membros das próprias famílias”. Além disso, destacou o papel da TV em momentos históricos, como a pandemia de covid-19, ressaltando que “não existem dois lados quando se está em jogo a apologia à morte e a defesa da vida”. Randolfe também enalteceu a atuação de Roberto Marinho — filho de Irineu, pai de João Roberto e presidente do Grupo Globo por quase 70 anos
O deputado Luiz Fernando Faria considerou o Grupo Globo um dos maiores símbolos da comunicação brasileira e apontou a TV Globo como a emissora mais influente do país.
— Seja pela dramaturgia, entretenimento, esporte, o conglomerado da mídia percorreu caminhos que se entrelaçam com a própria trajetória do Brasil. Suas novelas marcaram gerações, seus programas jornalísticos pautaram debates de interesse público e suas transmissões esportivas uniram milhões de brasileiros em torno da emoção coletiva — discursou.
Na opinião do ministro Frederico Siqueira, o Grupo Globo construiu uma reputação baseada no jornalismo profissional, na produção cultural e no compromisso com a informação de qualidade.
— A celebração [do Congresso Nacional] não reconhece apenas a força desse grupo de comunicação, mas o impacto de sua atuação no desenvolvimento das telecomunicações e da radiodifusão no Brasil — declarou.
Diversos senadores e deputados participaram da solenidade, que teve a Orquestra Sinfônica da Força Aérea Brasileira interpretando canções como Tema da Vitória — usada nas transmissões da Fórmula 1 — e Tieta, de Luiz Caldas, música de abertura da novela de mesmo nome (1989-1990).
O evento também teve a presença de representantes das Embaixadas de Angola, Áustria, China, Palestina e União Europeia e de personalidades como o apresentador Marcos Mion, o narrador Luís Roberto, os jornalistas Poliana Abritta, Zileide Silva e Heraldo Pereira e os artistas Tony Ramos, Lília Cabral, Taís Araújo e Mariana Ximenes.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Discussão sobre fim da escala de trabalho 6×1 continua em agosto
O fim da chamada escala 6×1, com seis dias de trabalho e um de folga por semana, seguirá em discussão no Senado em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa de alguns senadores é de que a PEC 221/2019 seja votada após a volta dos trabalhos.
Além de acabar coma escala 6×1, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.
O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, determinou que a proposta passasse pelas comissões.
O presidente do Senado tem se reunido com os setores interessados no tema para discutir a proposta. No início de julho, a reunião foi com as centrais sindicais, que defenderam o avanço na análise do texto. Antes, em maio, ele já havia recebido integrantes dos empregadores, que defenderam a votação da proposta somente após as eleições.
Agosto
Em entrevista na segunda-feira (13), o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o fim da escala 6×1 é “prioridade absoluta” para o governo e que continuará trabalhando para que a votação ocorra assim que possível.
— Mesmo no período das eleições, o Senado vai funcionar em esforços concentrados e remotamente. Não impede que possamos ainda votar a PEC do fim da escala 6×1 em agosto. Nós vamos, ainda, insistir em avançar sobre essa proposta de emenda à Constituição ainda nesse período.
As semanas de esforço concentrado serão entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, e devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara, conforme anunciado por Davi Alcolumbre na quarta-feira (15).
— O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico — informou Davi.
Defesa
Em pronunciamentos recentes, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da proposta, disse ter esperança de que a votação ocorra em agosto. Para ele, o debate sobre a redução da jornada não “pertence” ao governo, à oposição e nem aos partidos políticos, e sim ao povo.
— Tenho muita esperança de que a PEC vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão — defendeu.
Para Paim, o fim da escala 6×1 fará a produtividade do trabalhador brasileiro aumentar, ao invés de diminuir. Ele argumentou que países com jornadas menores apresentam índices mais elevados de produtividade por hora trabalhada.
Também em defesa do avanço na análise da PEC, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comparou a jornada dos trabalhadores à dos parlamentares. Ele lembrou que o período de campanha eleitoral começa em agosto e disse que o eleitor precisa cobrar seus representantes.
— Muitos que vão aí pedir voto para você não querem votar o fim da escala 6×1, querem fazer você trabalhar igual a um condenado no 6×1, e nós aqui trabalhando, durante este ano de 2026, o que não vai dar nem um mês de trabalho, do jeito que está aí — criticou.
Eleições
Outros senadores demonstram preocupação com os efeitos da PEC e defendem que a votação fique para depois das eleições. Em sessão temática no início de julho, o líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), defendeu o amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral.
— Não é proibido, não é interditado discutirmos jornada de trabalho. Pelo contrário, é uma discussão que tem que acontecer. Mas por que agora? Por que neste momento? — questionou o senador.
No mesmo debate, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que votará a favor da PEC, mas defendeu que o debate seja feito com serenidade e que todos os setores sejam ouvidos para que a solução seja equilibrada.
— Estamos falando da vida de milhões de brasileiros, de tempo dedicado à família, ao descanso, à qualificação profissional e, ao mesmo tempo, da competitividade das empresas e da capacidade de gerar empregos. É justamente por isso que este debate exige serenidade, responsabilidade e diálogo — ponderou.
Outras propostas
Também na sessão temática, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) criticou a falta de estudos de impacto econômico e social da medida durante a análise na Câmara e afirmou que a PEC vai ter consequências negativas na economia. Ele defendeu a aprovação de outra proposta em análise no Senado.
— Defendemos a PEC 12/2026, que permite ao trabalhador negociar uma jornada flexível de acordo com as suas necessidades. Direitos como férias, décimo terceiro e FGTS seguirão de forma proporcional à jornada acordada — garantiu.
A proposta foi apresentada pelo senador Rogerio Marinho logo após a chegada da PEC 221 ao Senado. Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual prevalece sobre possíveis acordos coletivos. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.
Na Câmara, a PEC 221 era analisada junto com outra proposta, a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que previa uma carga máxima de 36 horas em quatro dias de trabalho. O texto foi arquivado.
Outro projeto, o PL 1.838/2026, foi apresentado em abril pelo Executivo. Ele define em 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho e garantir ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Após a aprovação da PEC 221, o governo retirou o pedido de urgência para o projeto, que segue em análise na Câmara.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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