POLÍTICA NACIONAL
Davi recebe presidente do Equador e defende ampliação da cooperação bilateral
POLÍTICA NACIONAL
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, recebeu nesta segunda-feira (18) o presidente do Equador, Daniel Noboa, que está em visita oficial ao Brasil. Durante o encontro, que aconteceu no Salão Nobre do Senado, Davi destacou a importância da cooperação entre os dois países e a disposição do Parlamento brasileiro para apoiar acordos bilaterais.
— O Congresso brasileiro, o Parlamento brasileiro, se sente honrado com a visita do chefe de Estado do Equador. Sei que nossa relação comercial com o seu país hoje gera um superávit muito elevado para o Brasil. Precisamos buscar caminhos para ampliar essa relação, reconhecendo sua importância para ambos os países — afirmou o senador.
Davi reforçou o papel do diálogo como ferramenta de desenvolvimento mútuo.
— Estamos abertos a apoiar todos os acordos internacionais que o governo brasileiro venha a firmar com o Equador. O Parlamento brasileiro tem toda a boa vontade para estreitar ainda mais essa relação. É uma oportunidade de mostrar ao mundo que só o diálogo pode levar ao equilíbrio e à prosperidade de nossos países e de nossos povos.
O presidente do Equador, Daniel Noboa, destacou a situação econômica de seu país e afirmou que o governo equatoriano está comprometido com a abertura de sua economia como forma de melhorar as condições de vida da população.
— Estamos em um processo de abertura da nossa economia. O objetivo é melhorar a vida dos equatorianos — disse Noboa.
Antes do encontro com o presidente do Senado, Noboa foi recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto. Esta é sua primeira visita oficial ao Brasil.
No poder desde outubro de 2023, Noboa foi reeleito em abril de 2025 para um novo mandato.
Intercâmbio comercial
Em 2024, o intercâmbio comercial entre Brasil e Equador alcançou US$ 1,1 bilhão, com exportações brasileiras somando cerca de US$ 970 milhões. Entre os principais produtos vendidos ao mercado equatoriano estão veículos, máquinas, medicamentos e itens das indústrias de papel e celulose.
Acompanharam o encontro no Senado o presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), Nelsinho Trad (PSD-MS), e os senadores Chico Rodrigues (PSB-RR), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Laércio Oliveira (PP-SE) e Randolfe Rodrigues (PT-AP).
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Conselho de Ética aprova 60 dias de suspensão para três deputados por ocupação do Plenário
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (5), após mais de nove horas de reunião, a suspensão dos mandatos dos deputados Marcos Pollon (PL-MS), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC) por 60 dias. Os parlamentares ainda podem recorrer à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). A decisão final será do Plenário por maioria absoluta (257 deputados).
Foi aprovado o parecer do relator, deputado Moses Rodrigues (União-CE). O texto do relator conclui que os três parlamentares adotaram condutas incompatíveis com o decoro parlamentar durante a ocupação da Mesa Diretora da Casa na sessão do Plenário de 5 de agosto de 2025.
Durante a ocupação, os deputados cobravam a inclusão na pauta do projeto de anistia (PL 216/23) aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), só conseguiu reocupar a cadeira da Presidência no dia 6 de agosto.
Rodrigues recomendou punição severa para sinalizar que a Câmara não tolera esse tipo de comportamento, aumentando para 60 dias de suspensão a pena inicialmente sugerida pela Mesa Diretora, que era de 30 dias.
Pollon respondeu por se sentar na cadeira da Presidência da Câmara, impedindo o retorno do presidente Hugo Motta; Van Hattem por ter ocupado outra cadeira da Mesa; e Zé Trovão por ter usado o corpo para barrar fisicamente o acesso do presidente à Mesa.
As condutas foram objeto das representações 24, 25 e 27, todas de 2025, e votadas separadamente. No caso de Pollon, foram 13 votos pela suspensão e 4 contrários, o mesmo placar de Van Hattem. Zé Trovão teve 15 votos pela suspensão e 4 contrários.

Defesa de Zé Trovão
Em sua defesa, Zé Trovão fez um desabafo emocionado logo no início da reunião, afirmando que a suspensão afeta diretamente seus assessores, “deixando cerca de 20 famílias sem sustento” por dois meses. “O que mais está me doendo hoje é olhar nos olhos dos meus funcionários e não saber o que falar.”
Em sua defesa, citou passagens bíblicas e fatos históricos, e classificou o momento político como de perseguição e inversão de valores. “Se for preciso tomar a Mesa novamente em algum momento da história para defender quem me elegeu, assim o farei”, disse Zé Trovão.
O advogado Eduardo Moura, na defesa técnica, argumentou que vídeos da sessão não revelam irregularidades do deputado e destacou que testemunhas o descreveram como “alguém que tentava impedir conflitos físicos no Plenário”.
Defesa de Marcel van Hattem
Fazendo coro ao colega, Van Hattem chamou o processo de “perseguição política” e comparou sua situação à dos presos pelos atos de 8 de janeiro. O deputado também afirmou que, havendo necessidade, faria novamente. E acrescentou: “se essa injustiça vier, vamos enquadrar e colocar na parede como medalha de honra”.
Pela defesa do deputado, o advogado Jeffrey Chiquini definiu o julgamento como uma “punição política”.

Defesa de Marcos Pollon
Pollon criticou duramente a recusa da Presidência da Câmara em pautar o projeto de anistia aos envolvidos no 8 de janeiro e classificou as prisões como “ilegais” e o cenário jurídico atual do Brasil como um “estado de exceção”. “Não carregaremos a vergonha de termos nos acovardado ou omitido”, disse.
Na defesa técnica, o advogado Mariano lamentou a negativa de ouvir testemunhas sugerias pela defesa e também disse que as questões técnicas foram deixadas de lado em favor de um julgamento político.
Debate
O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) lamentou as ofensas dirigidas ao relator e à Mesa Diretora durante o debate no Conselho de Ética e relacionou a ocupação física do Plenário a um processo histórico de golpismo. Para ele, o relatório do conselho separa “os golpistas dos democratas”.
Em defesa dos acusados, o deputado Sargento Gonçalves (PL-RN) comparou o processo a uma tentativa de criminalizar a direita por atos que a esquerda já teria praticado no passado. Gonçalves questionou a escolha de apenas três deputados como “bode expiatório” em meio à participação de mais de 100 deputados nos atos de ocupação.
Reportagem – Murilo Souza
Edição – Pierre Triboli
Fonte: Câmara dos Deputados
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