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Ex-ministro da Previdência, Oliveira nega envolvimento com fraudes no INSS

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Na segunda parte do depoimento à CPMI do INSS, o ex-ministro da Previdência Ahmed Mohamad Oliveira negou participação nas fraudes e ligação com entidades que lesaram aposentados e pensionistas. Ele admitiu nesta quinta-feira (11) a capacidade limitada da pasta para verificação de acordos de cooperação técnica (ACTs) com associações que praticaram descontos indevidos em benefícios, mas negou participação em irregularidades.

Oliveira foi ministro da Previdência entre março de 2022 e janeiro de 2023, durante o último ano do governo Bolsonaro. Também ocupou a Diretoria de Benefícios (Dirben) e presidiu o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Na época em que ocupou os cargos, ele era conhecido como José Carlos Oliveira, nome que alterou por motivos religiosos.

Na manhã desta quinta-feira, Oliveira declarou que não conhecia as operações irregulares antes da deflagração da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União em abril deste ano. 

Entidades fantasmas”

A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) questionou os critérios para os ACTs, observando que oito entidades identificadas como “fantasmas” celebraram acordos com o INSS durante a presidência de Oliveira. O ex-gestor admitiu falhas no protocolo de verificação das entidades, porém, reiterou que a assinatura de ACTs em si não é fraudulenta.

— A fraude não se dá na assinatura. A fraude se dá onde começa o crescimento das entidades sem a prévia autorização das pessoas — disse Oliveira.

Oliveira também confirmou ter admitido Virgílio de Oliveira Filho — suspeito de ter agido contra o bloqueio de descontos em folha — como consultor jurídico do Ministério da Previdência, com base na experiência do procurador em governos anteriores. Declarou também que há instrução normativa e decreto válidos que poderiam ser aplicados para permitir a revalidação de ACTs, não estariam sendo seguidos pelo governo atual.

O vice-presidente da CPMI, deputado Duarte Jr. (PSB-MA) acusou Oliveira de estar mentindo quanto a sua reunião com a diretora da Controladoria-Geral da União (CGU), Eliane Viegas Mota, em março de 2022. Oliveira disse que não se lembrava do assunto que foi tratado no encontro.

Ligação com a Conafer

Oliveira negou vínculo com o presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares do Brasil (Conafer), Carlos Lopes, ou com outros representantes da entidade. Duarte Jr. apresentou gráfico apontando operações financeiras entre Oliveira, uma empresa de fachada e pessoas ligadas à Conafer.

— São coincidências? Por que o assessor do presidente da Conafer recebeu dinheiro de um sócio seu, a troco de quê?

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Oliveira respondeu que não tem “absolutamente nenhuma ligação”.

O depoente também disse ao senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) não se lembrar se José Arnaldo Bezerra Guimarães — suspeito de vínculo com a Conafer — fez repasses à campanha eleitoral de Oliveira em 2024. Porém, ele negou que a doação tivesse ultrapassado R$ 32 mil verificados em inquérito da Polícia Federal.

— Não é possível que ele tenha feito essa doação, pois ele não teria lastro para isso.

Sócio

Em resposta ao deputado Sidney Leite (PSD-AM), Oliveira defendeu sua decisão de manter seu sócio Edson Akio Yamada na diretoria do INSS, mas ponderou que os dois só estabeleceram sociedade quando Oliveira já não era mais ministro. Ele admitiu não ter acompanhado os convênios assinados por Yamada com entidades ligadas a Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.

— A vida no ministério era extremamente agitada. […] E o INSS tinha autonomia.

À senadora Leila Barros (PDT-DF), o ex-ministro reiterou que as atividades na Previdência eram intensas e a diretriz de governo era trabalhar na redução das filas, mas disse não ser capaz de citar os subordinados da época que eram encarregados de assinar os convênios.

O senador Fabiano Contarato (PT-ES) disse não ser razoável que Oliveira declare tanto desconhecimento das operações do INSS, e também entende que o depoente comete crime de falso testemunho.

— O senhor foi informado formalmente por procuradora da República sobre desconto irregular fraudulento, e o senhor aqui, quando a gente pergunta, fala “só tomei conhecimento agora, com a Operação Sem Desconto”. […] O senhor foi instado, provocado, e nada fez.

O deputado Alencar Santana (PT-SP) também mencionou denúncias de descontos abusivos que foram levadas a Oliveira, mas que não levaram a providências contra as entidades.

Contradições

Deputados e senadores apontaram omissões e contradições no depoimento do ex-ministro e divergiram sobre as ações dos sucessivos governos no enfrentamento às fraudes.

Vários parlamentares mostraram comparações entre o número de entidades autorizadas a descontos em folha, e os valores envolvidos, nos governos Bolsonaro e Lula. Para o senador Izalci Lucas (PL-DF), houve uma “explosão” de descontos associativos desde o início do atual governo, em 2023. Oliveira declarou que os descontos deveriam seguir os devidos procedimentos.

— [As entidades] têm que fazer a filiação dos associados e pegar a autorização desses associados para que autorizem o desconto em folha. Não pegar e informar à Dataprev esse desconto: aí está a ilegalidade.

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O senador Jorge Seif (PL-SC) mostrou gráfico apontando o grande crescimento dos valores de descontos às entidades associativas desde 2023, e declarou que, no caso dos descontos indevidos, a esquerda busca “proteger bandidos”.

Para a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), essa é uma narrativa mentirosa. Ela observou que a Operação Sem Desconto, da PF e da CGU, foi realizada pelo governo Lula.

— Tentam colar uma narrativa e excluir um governo que teve uma participação direta com toda a roubalheira que estamos acompanhando neste momento.

Fiscalização

Ao senador Eduardo Girão (Novo-CE), Oliveira declarou que o INSS não tem condição de exercer o controle das ACTs, situação que atribuiu à falta de mão de obra.

— A lei permite que assine e que eles requeiram esse modelo. Eu não tenho como, como gestor, dizer não. […] Podíamos, na medida da observação do desenrolar da entidade, fazer a fiscalização, mas também não temos estrutura para isso e não tínhamos estrutura para isso.

O senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou que, desde 1994, somente o governo Bolsonaro propôs revalidação de cadastros. Ele disse esperar o resultado das quebras de sigilo das pessoas e entidades supostamente envolvidas em irregularidades.

— Vamos seguir o dinheiro. Vamos ver quem, de fato, foi beneficiado.

“Jabutis”

Girão questionou a atuação de Oliveira na MP 1.107/2022, sancionada como Lei 14.438 de 2022. Oliveira, na época, emitiu nota técnica recomendando a sanção da norma, incluindo a emenda que teria afrouxado o controle sobre os descontos no INSS.

— Essa era uma coisa que o senhor tinha o dever de pedir para ele [Bolsonaro] vetar […], esse “jabuti”.

Oliveira defendeu sua atuação.

— Estamos colocando os holofotes […] em cima daquilo que não fizemos. Mas e o universo de coisas que fizemos? […] Estou me sentido como se não tivéssemos feito absolutamente nada.

O deputado Rogério Correia (PT-MG) também questionou a atuação do INSS diante da MP 871/2019, sancionada como Lei 13.846 de 2019 e destinada a coibir fraudes nos benefícios do instituto. A necessidade de revalidação, que constava do texto original, foi retirada durante a tramitação do projeto; uma nota técnica recomendou a sanção. Oliveira, porém, defendeu o decreto e a instrução normativa que mantiveram a possibilidade de revalidação.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Discussão sobre fim da escala de trabalho 6×1 continua em agosto

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O fim da chamada escala 6×1, com seis dias de trabalho e um de folga por semana, seguirá em discussão no Senado em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa de alguns senadores é de que a PEC 221/2019 seja votada após a volta dos trabalhos.

Além de acabar coma escala 6×1, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.

O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, determinou que a proposta passasse pelas comissões.

O presidente do Senado tem se reunido com os setores interessados no tema para discutir a proposta. No início de julho, a reunião foi com as centrais sindicais, que defenderam o avanço na análise do texto. Antes, em maio, ele já havia recebido integrantes dos empregadores, que defenderam a votação da proposta somente após as eleições.

Agosto

Em entrevista na segunda-feira (13), o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o fim da escala 6×1 é “prioridade absoluta” para o governo e que continuará trabalhando para que a votação ocorra assim que possível.

—  Mesmo no período das eleições, o Senado vai funcionar em esforços concentrados e remotamente. Não impede que possamos ainda votar a PEC do fim da escala 6×1 em agosto. Nós vamos, ainda, insistir em avançar sobre essa proposta de emenda à Constituição ainda nesse período.

As semanas de esforço concentrado serão entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, e devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara, conforme anunciado por Davi Alcolumbre na quarta-feira (15).

— O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico — informou Davi.

Defesa

Em pronunciamentos recentes, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da proposta, disse ter esperança de que a votação ocorra em agosto. Para ele, o debate sobre a redução da jornada não “pertence” ao governo, à oposição e nem aos partidos políticos, e sim ao povo.

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— Tenho muita esperança de que a PEC vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão — defendeu.

Para Paim, o fim da escala 6×1 fará a produtividade do trabalhador brasileiro aumentar, ao invés de diminuir. Ele argumentou que países com jornadas menores apresentam índices mais elevados de produtividade por hora trabalhada.

Também em defesa do avanço na análise da PEC, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comparou a jornada dos trabalhadores à dos parlamentares. Ele lembrou que o período de campanha eleitoral começa em agosto e disse que o eleitor precisa cobrar seus representantes.

— Muitos que vão aí pedir voto para você não querem votar o fim da escala 6×1, querem fazer você trabalhar igual a um condenado no 6×1, e nós aqui trabalhando, durante este ano de 2026, o que não vai dar nem um mês de trabalho, do jeito que está aí — criticou.

Eleições

Outros senadores demonstram preocupação com os efeitos da PEC e defendem que a votação fique para depois das eleições. Em sessão temática no início de julho, o líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), defendeu o amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral. 

— Não é proibido, não é interditado discutirmos jornada de trabalho. Pelo contrário, é uma discussão que tem que acontecer. Mas por que agora? Por que neste momento? — questionou o senador.

No mesmo debate, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que votará a favor da PEC, mas defendeu que o debate seja feito com serenidade e que todos os setores sejam ouvidos para que a solução seja equilibrada.

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— Estamos falando da vida de milhões de brasileiros, de tempo dedicado à família, ao descanso, à qualificação profissional e, ao mesmo tempo, da competitividade das empresas e da capacidade de gerar empregos. É justamente por isso que este debate exige serenidade, responsabilidade e diálogo — ponderou.

Outras propostas

Também na sessão temática, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) criticou a falta de estudos de impacto econômico e social da medida durante a análise na Câmara e afirmou que a PEC vai ter consequências negativas na economia.  Ele defendeu a aprovação de outra proposta em análise no Senado.

— Defendemos a PEC 12/2026, que permite ao trabalhador negociar uma jornada flexível de acordo com as suas necessidades. Direitos como férias, décimo terceiro e FGTS seguirão de forma proporcional à jornada acordada — garantiu.

A proposta foi apresentada pelo senador Rogerio Marinho logo após a chegada da PEC 221 ao Senado. Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual prevalece sobre possíveis acordos coletivos. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.

Na Câmara, a PEC 221 era analisada junto com outra proposta, a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que previa uma carga máxima de 36 horas em quatro dias de trabalho. O texto foi arquivado.

Outro projeto, o PL 1.838/2026, foi apresentado em abril pelo Executivo. Ele define em 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho e garantir ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Após a aprovação da PEC 221, o governo retirou o pedido de urgência para o projeto, que segue em análise na Câmara.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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