POLÍTICA NACIONAL
Paim destaca Programa Jovem Senador e proteção de crianças na internet
POLÍTICA NACIONAL
Em pronunciamento nesta segunda-feira (18), o senador Paulo Paim (PT-RS) destacou a abertura da 16ª edição do Programa Jovem Senador, que vai até sexta (22). A iniciativa reúne estudantes do ensino médio de escolas públicas que venceram o concurso de redação. Nesta edição, 21 das 27 redações vencedoras foram escritas por jovens mulheres com idades entre 15 e 18 anos. O concurso contou com a participação de 4.202 escolas públicas e cerca de 170 mil estudantes. O tema deste ano foi “Emergência climática: pense no futuro, aja no presente”. Paim afirmou que os jovens alertam sobre o aquecimento global e seus impactos.
— O Programa Jovem Senador e Jovem Senadora é uma iniciativa do Senado que oferece aos estudantes do ensino médio de escolas públicas a oportunidade de conhecerem de perto o funcionamento do Poder Legislativo, em especial do Senado. A escolha dos participantes é por meio de concurso de redação, organizado em parceria com as secretarias estaduais de educação. Entre os critérios de seleção estão: estrutura, correção gramatical, domínio da norma culta, desenvolvimento do tema e originalidade — disse.
Durante a programação, os estudantes participam da posse no Plenário do Senado, eleição da Mesa Diretora, diplomação no Salão Negro e instalação das comissões temáticas. Ao longo da semana, conhecerão o funcionamento do Senado, apresentarão propostas que podem virar projetos de lei e participarão de visitas guiadas aos três Poderes. As atividades incluem encontros, palestras e debates, e o encerramento será na sexta-feira (22), com votação das propostas na sessão do Plenário.
Crianças e adolescentes
O senador também abordou denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes na internet, e citou esquemas criminosos em redes sociais. Paim afirmou que o tema exige ação rápida do Congresso.
— A exploração sexual de crianças, adolescentes e jovens é uma das mais cruéis violações dos direitos humanos. No enfrentamento desse crime hediondo, a denúncia é fundamental. O país ficou chocado com as denúncias do influenciador digital Felca, apelido de Felipe Bressanim. Ele denunciou a adultização e a exploração de menores na internet por produtores de conteúdo. Segundo ele, trata-se de um sistema coordenado. Vídeos curtos servem como vitrina para comentários pedófilos que utilizam linguagem codificada para se identificar e direcionar interessados a grupos em que ocorre a divulgação e a comercialização ilegal de material de pornografia infantil, um cenário inaceitável, vergonhoso, desprezível — alertou.
O senador lembrou que o Senado aprovou em 2018 o PL 2.628/2022, que estabelece regras para as plataformas e facilita o fornecimento de informações e o monitoramento pelos pais e responsáveis. O texto aguarda análise na Câmara dos Deputados,
— O enfrentamento à exploração sexual — seja no ambiente digital, seja fora dele — não se limita à punição do criminoso. Temos que ir além: investigar tudo e punir todos. É preciso combater o crime de forma estruturada, com políticas públicas efetivas. Essa é uma questão de prioridade e de decisão política do Congresso Nacional — disse.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Contrato de aprendizagem deverá ter duração máxima de dois anos
Com a aprovação do Estatuto do Aprendiz por meio do Projeto de Lei 6461/19, pela Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (22), o contrato de aprendizagem deverá ter duração máxima de dois anos, exceto para pessoas com deficiência, desde que o tempo excedente seja fundamentado em aspectos relacionados à deficiência, vedada a contratação por tempo indeterminado como aprendiz. O limite de idade não se aplica às pessoas com deficiência.
Outra exceção no texto da relatora, deputada Flávia Morais (PDT-GO), é para o aprendiz matriculado em curso da educação profissional técnica de nível médio, quando as diretrizes curriculares nacionais de educação profissional e tecnológica demandarem mais tempo de conclusão. Nesse caso, o contrato poderá ter a duração de três anos.
Por outro lado, poderão ser feitos contratos sucessivos de aprendizagem profissional com a mesma pessoa desde que vinculados a programas distintos com estabelecimentos diferentes.
O limite máximo de dois contratos sucessivos será aplicado a um mesmo estabelecimento, em programa de aprendizagem distinto ou em curso de aprendizagem verticalmente mais complexo.
Entidades formadoras
O texto aprovado mantém a possibilidade de o estabelecimento que precise cumprir a cota de aprendizagem prevista na CLT (entre 5% e 15% dos trabalhadores cujas funções demandem formação profissional) faça contratação indireta por meio das seguintes entidades:
- instituições públicas federais, estaduais, municipais e distrital de ensino profissional técnico de nível médio;
- entidade de prática desportiva filiada ao Sistema Nacional do Desporto; ou
- entidades sem fins lucrativos destinadas a prestar assistência ao adolescente e à educação profissional registradas no conselho municipal dos direitos da criança e do adolescente
Essas entidades, além de ministrar o programa de aprendizagem, passam a assumir a condição de empregador responsável por cumprir a legislação trabalhista. O texto exige um contrato prévio entre a entidade e o estabelecimento, que será responsável solidário por essas obrigações.
Nessa contratação indireta, a entidade deverá informar nos sistemas eletrônicos oficiais que se trata de contratação indireta, indicando a razão social e o CNPJ do estabelecimento cumpridor da cota.
Já o programa de aprendizagem deverá seguir o catálogo de programas do Ministério do Trabalho e Emprego, os catálogos nacionais de cursos técnicos e de cursos superiores de tecnologia.
Os aprendizes também devem ter acesso, por meio do contrato que assinarem, à razão social, ao endereço e ao CNPJ do estabelecimento responsável pelo cumprimento da cota.
Empresas públicas
Quanto às empresas públicas e sociedades de economia mista, o cumprimento da cota deve ser por meio de processo seletivo estipulado em edital, mas pode também ser de forma direta ou indireta.
Administração direta
Apesar de ser facultativa a contratação de aprendizes por parte da administração pública com regime estatutário, o projeto fixa algumas regras a serem seguidas por todas as esferas de governo (União, estados, Distrito Federal e municípios) e de poder (Executivo, Legislativo, Judiciário e Ministério Público).
A aprendizagem poderá ocorrer também por meio de parcerias com entidade concedente da experiência prática do aprendiz ou mesmo por meio da criação de incentivos para essa contratação.
Se o regime do órgão for estatutário, não haverá percentual mínimo a seguir e a idade máxima será de 18 anos incompletos, exceto no caso de aprendiz pessoa com deficiência.
Deverá haver prioridade para a contratação de pessoas em situação de vulnerabilidade ou risco social.
Segundo o texto, a União é responsável por campanhas educativas para coibir o assédio no ambiente de trabalho e deverá implementar um serviço anônimo para receber e apurar denúncias de descumprimento do novo estatuto.
Essas campanhas, realizadas com recursos da Conta Especial de Aprendizagem Profissional (Ceap) deverão ter ampla divulgação e frequência anual.
Censo
Também com recursos do Ceap, o Ministério do Trabalho e Emprego deverá realizar a cada cinco anos o Censo da Aprendizagem Profissional. O objetivo é recolher informações dos estabelecimentos de todo país sobre as funções mais demandadas na contratação de aprendizes, assim como outros dados para melhorar o instituto da aprendizagem profissional.
Ceap
Além dos recursos pagos pelas empresas que não puderem ofertar atividade prática devido às peculiaridades da atividade ou do local de trabalho, a Ceap receberá os recursos de todas as multas aplicadas pelo descumprimento da futura lei, valores de termos de ajustamento de conduta referentes a essas infrações, resultados das aplicações dos recursos e das condenações judiciais sobre o tema e doações.
Ao menos 50% dos recursos arrecadados deverão ser destinados ao setor produtivo que tiver efetuado a arrecadação por meio de multas e condenações. O uso será no estímulo à geração de vínculos formais de trabalho, por meio da aprendizagem profissional nos territórios que originaram a arrecadação.
A Ceap financiará ainda, após decisão do conselho deliberativo do FAT (Condefat), a promoção de ações para garantir o direito à profissionalização e atividades e eventos que contribuam para a difusão do direito ao trabalho decente.
Multas
Na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o projeto estabelece novas multas a serem reajustadas anualmente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e com aplicação em dobro no caso de reincidência ou embaraço à fiscalização:
- R$ 3 mil por criança ou adolescente trabalhando em desacordo com as regras;
- R$ 3 mil multiplicado pelo número de aprendizes que deixou de ser contratado para atingir a cota mínima e pelo número de meses de seu descumprimento, limitado a cinco meses no mesmo auto de infração; e
- R$ 1,5 mil por aprendiz prejudicado pelo descumprimento de obrigação.
Reportagem – Eduardo Piovesan
Edição – Rachel Librelon
Fonte: Câmara dos Deputados
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