POLÍTICA NACIONAL
Senado celebra Consciência Negra e homenageia personalidades da cultura afro-brasileira
POLÍTICA NACIONAL
A defesa da igualdade racial e o reconhecimento da contribuição histórica da população negra marcaram a sessão solene de entrega da Comenda Senador Abdias Nascimento, nesta segunda-feira (17). A homenagem, criada pelo Senado para valorizar personalidades que impulsionam a cultura afro-brasileira, reforçou — às vésperas do Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra — o discurso em favor de políticas de combate ao racismo.
Ao abrir a cerimônia no Plenário, o senador Paulo Paim (PT-RS), autor do requerimento da sessão (RQS 43/2025), lembrou Abdias (1918-2014) como poeta, parlamentar e militante decisivo para a valorização da identidade afro-brasileira.
— Abdias foi poeta, autor, professor, deputado e senador. Tenho orgulho das fotos dele na minha casa e no meu gabinete. Era um grande homem, um guerreiro da dignidade humana — afirmou.
Ele destacou o Teatro Experimental do Negro, fundado por Abdias, como símbolo de resistência e inspiração. Para Paim, a luta por igualdade exige resiliência.
— A indignação nos move. Não deixem adormecer a indignação que trazem no peito. Somos rebeldes com causa na luta por justiça e liberdade — declarou Paim.
História
O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso Nacional, ressaltou que o país ainda convive com heranças da escravidão. Para ele, a Semana da Consciência Negra precisa ser de celebração, mas também de reflexão.
— Ainda há proprietários de terras que oprimem e escravizam, como no passado. Nosso país é uma nação com os pés na África, resultado da mistura de povos. Que isso seja, como dizia Darcy Ribeiro, mais virtude do que defeito — afirmou.
Reconhecimento
Autor de uma das indicações à Comenda, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) elogiou Paim pela condução da sessão.
— Não poderia ser outro colega a presidir uma sessão tão importante. Essa iniciativa promove a cultura da paz e resgata a importância da nossa história — disse.
Senadoras também destacaram a relevância das trajetórias reconhecidas neste ano. A senadora Dra. Eudócia (PL-AL), responsável pela indicação de Valdice Gomes da Silva, declarou que a Comenda reforça o compromisso do Senado contra o preconceito racial.
— A criação da Comenda Abdias Nascimento reconhece o trabalho de negras e negros na sociedade brasileira. É uma iniciativa que reafirma nosso compromisso em combater o racismo — celebrou.
Já a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que indicou Natanael dos Santos, definiu a honraria como uma das mais expressivas do Senado.
— A Comenda é um dos mais incríveis prêmios que o Senado outorga. Que tenhamos uma nação da igualdade, em que ninguém sinta dores pela discriminação e preconceito — afirmou.
Autora da indicação de Gilson José Rodrigues Junior, a senadora Zenaide Maia (PSD-RN) reforçou que a luta antirracista precisa seguir firme.
— Essa história de dizer que não tem racismo não existe. Não há democracia nem justiça social com o apartheid entre pessoas pela cor da pele. Devemos à população negra a construção deste país — ressaltou.
Agraciados
Seis personalidades foram escolhidas pelo Conselho da Comenda para receber a homenagem neste ano. Cada uma delas com atuação reconhecida na promoção da cultura afro-brasileira, na defesa dos direitos humanos e no fortalecimento das políticas de igualdade racial.
- Bezerra de Menezes (In memoriam): médico, político e filantropo cearense que, ainda no século 19, defendeu a população negra escravizada com atendimento gratuito, intercessão por libertações e atuação nos debates das leis emancipacionistas. No movimento espírita, difundiu ideais de justiça e reparação histórica.
- Carlos Alves Moura: advogado, militante dos direitos humanos e fundador do Centro de Estudos Afro-Brasileiros de Brasília. Primeiro presidente da Fundação Cultural Palmares, estruturou políticas de valorização artística negra, reconhecimento de comunidades quilombolas e intercâmbio cultural com países africanos lusófonos.
- Gilson José Rodrigues Junior: antropólogo e professor do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), atua em projetos de educação étnico-racial, letramento racial e políticas afirmativas. Sua produção integra ensino, pesquisa e ação cultural para fortalecer representatividade negra no ambiente educacional.
- Natanael dos Santos: historiador e pesquisador especializado em relações Brasil-África. Fundou grupos de estudo acadêmico, coordenou núcleos de direitos humanos e é coautor do projeto Black Box, vencedor do Leão de Ouro em Cannes em 2019. Atualmente dirige a Editora Griô Educacional.
- Tulio Augusto Samuel Custódio: sociólogo dedicado há quase duas décadas ao estudo e à difusão do legado de Abdias Nascimento. Atuou na curadoria de grandes exposições e organizou coletânea de textos inéditos do líder, com a ampliação do acesso à cultura negra no Brasil.
- Valdice Gomes da Silva: jornalista e ativista alagoana. Fundadora da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial de Alagoas (Cojira-AL), presidiu o Sindicato dos Jornalistas de Alagoas e hoje coordena projetos culturais como o “Vamos Subir a Serra”, dedicado à celebração da consciência negra na Serra da Barriga (AL).
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Discussão sobre fim da escala de trabalho 6×1 continua em agosto
O fim da chamada escala 6×1, com seis dias de trabalho e um de folga por semana, seguirá em discussão no Senado em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa de alguns senadores é de que a PEC 221/2019 seja votada após a volta dos trabalhos.
Além de acabar coma escala 6×1, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.
O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, determinou que a proposta passasse pelas comissões.
O presidente do Senado tem se reunido com os setores interessados no tema para discutir a proposta. No início de julho, a reunião foi com as centrais sindicais, que defenderam o avanço na análise do texto. Antes, em maio, ele já havia recebido integrantes dos empregadores, que defenderam a votação da proposta somente após as eleições.
Agosto
Em entrevista na segunda-feira (13), o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o fim da escala 6×1 é “prioridade absoluta” para o governo e que continuará trabalhando para que a votação ocorra assim que possível.
— Mesmo no período das eleições, o Senado vai funcionar em esforços concentrados e remotamente. Não impede que possamos ainda votar a PEC do fim da escala 6×1 em agosto. Nós vamos, ainda, insistir em avançar sobre essa proposta de emenda à Constituição ainda nesse período.
As semanas de esforço concentrado serão entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, e devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara, conforme anunciado por Davi Alcolumbre na quarta-feira (15).
— O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico — informou Davi.
Defesa
Em pronunciamentos recentes, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da proposta, disse ter esperança de que a votação ocorra em agosto. Para ele, o debate sobre a redução da jornada não “pertence” ao governo, à oposição e nem aos partidos políticos, e sim ao povo.
— Tenho muita esperança de que a PEC vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão — defendeu.
Para Paim, o fim da escala 6×1 fará a produtividade do trabalhador brasileiro aumentar, ao invés de diminuir. Ele argumentou que países com jornadas menores apresentam índices mais elevados de produtividade por hora trabalhada.
Também em defesa do avanço na análise da PEC, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comparou a jornada dos trabalhadores à dos parlamentares. Ele lembrou que o período de campanha eleitoral começa em agosto e disse que o eleitor precisa cobrar seus representantes.
— Muitos que vão aí pedir voto para você não querem votar o fim da escala 6×1, querem fazer você trabalhar igual a um condenado no 6×1, e nós aqui trabalhando, durante este ano de 2026, o que não vai dar nem um mês de trabalho, do jeito que está aí — criticou.
Eleições
Outros senadores demonstram preocupação com os efeitos da PEC e defendem que a votação fique para depois das eleições. Em sessão temática no início de julho, o líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), defendeu o amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral.
— Não é proibido, não é interditado discutirmos jornada de trabalho. Pelo contrário, é uma discussão que tem que acontecer. Mas por que agora? Por que neste momento? — questionou o senador.
No mesmo debate, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que votará a favor da PEC, mas defendeu que o debate seja feito com serenidade e que todos os setores sejam ouvidos para que a solução seja equilibrada.
— Estamos falando da vida de milhões de brasileiros, de tempo dedicado à família, ao descanso, à qualificação profissional e, ao mesmo tempo, da competitividade das empresas e da capacidade de gerar empregos. É justamente por isso que este debate exige serenidade, responsabilidade e diálogo — ponderou.
Outras propostas
Também na sessão temática, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) criticou a falta de estudos de impacto econômico e social da medida durante a análise na Câmara e afirmou que a PEC vai ter consequências negativas na economia. Ele defendeu a aprovação de outra proposta em análise no Senado.
— Defendemos a PEC 12/2026, que permite ao trabalhador negociar uma jornada flexível de acordo com as suas necessidades. Direitos como férias, décimo terceiro e FGTS seguirão de forma proporcional à jornada acordada — garantiu.
A proposta foi apresentada pelo senador Rogerio Marinho logo após a chegada da PEC 221 ao Senado. Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual prevalece sobre possíveis acordos coletivos. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.
Na Câmara, a PEC 221 era analisada junto com outra proposta, a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que previa uma carga máxima de 36 horas em quatro dias de trabalho. O texto foi arquivado.
Outro projeto, o PL 1.838/2026, foi apresentado em abril pelo Executivo. Ele define em 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho e garantir ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Após a aprovação da PEC 221, o governo retirou o pedido de urgência para o projeto, que segue em análise na Câmara.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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