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Senadores questionam atraso de material didático para PcD visual

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POLÍTICA NACIONAL

A senadora Mara Gabrilli (PSD-SP) cobrou explicações do Ministério da Educação sobre o atraso na entrega de material didático para alunos com deficiência visual na rede pública. A parlamentar apresentou um requerimento (RQS 71/2026para saber o número exato de estudantes cegos ou com baixa visão matriculados na rede pública e a previsão de entrega dos livros em 2026. 

Mara define o acesso a materiais didáticos como “uma condição indispensável para a plena participação, em igualdade de oportunidades, e desenvolvimento dos estudantes com deficiência”. Segundo a parlamentar, é possível que 45 mil alunos sejam afetados pelo atraso do material.

Outros parlamentares também se manifestaram sobre o assunto. O senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) disse em uma rede social que o atraso não é falta de dinheiro ou problema técnico, e sim decisão política do próprio Estado. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) acionou o Tribunal de Contas da União e o Ministério Público Federal para investigar o caso. 

Material didático gratuito

O Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) é o responsável pela produção e distribuição de obras didáticas, pedagógicas e literárias em escolas da rede pública do país. Isso inclui a produção de livros em braille e formatação ampliada.

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De acordo com o Ministério da Educação (MEC), a entrega está prevista para março. O material vai para 3.495 alunos cegos e surdocegos, sendo 3.116 estudantes do ensino fundamental e 379 da Educação de Jovens e Adultos (EJA). O número de estudantes matriculados na rede pública é de 6.996, de acordo com o Censo Escolar 2025. 

Segundo a Consultoria de Orçamentos do Senado (Conorf), a dotação prevista para produção, compra e distribuição de livros da Educação Básica em 2026 é R$ 1,9 bilhão. O valor representa uma queda de 29,6% em relação aos R$ 2,7 bilhões aprovados no ano passado.

A nota técnica da Conorf, assinada pelo consultor Cézar Vinícius de Souza, informa que a dotação engloba todas as compras previstas pelo PNLD. Mas não é possível detalhar o valor específico destinado para os livros em braile.

Senado acessível

Com foco em atender audiência com deficiência visual, o Senado Notícias em Braille existe desde 2008 e completa 18 anos em maio deste ano. Editada pela Agência Senado, a publicação é um resumo mensal das principais notícias publicadas no Portal Senado Notícias.

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As edições são enviadas gratuitamente a associações ligadas às pessoas com deficiência, bibliotecas públicas e universidades. A lista conta com quase 140 entidades, inclusive em Portugal.

O arquivo digital preparado pela Agência Senado é traduzido pelo Serviço de Impressão em Braile, da Secretaria de Editoração e Publicações do Senado. Para receber o Senado Notícias em Braile, basta se cadastrar pelo e-mail [email protected] ou pela Ouvidoria do Senado (0800 612211 ou [email protected]).

Por Bruno Augusto, sob supervisão de Dante Accioly

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Comissão aprova proibição de leilão e penhora de espaços culturais tombados

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A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 66/2026, do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que proíbe a penhora, o leilão e outras formas de expropriação de imóveis indispensáveis à preservação de bens tombados ou de patrimônios culturais imateriais reconhecidos pelo poder público.

A vedação vale sempre que o ato puder:

  • comprometer a continuidade, a integridade ou a autenticidade do bem cultural;
  • alterar o uso do espaço de forma incompatível com sua função cultural; e
  • descaracterizar social, simbólica, econômica ou funcionalmente a prática protegida.

A regra vale para execuções fiscais, trabalhistas, cíveis ou administrativas, contra entes públicos ou privados. O projeto busca proteger o chamado “espaço cultural essencial”, o imóvel público ou privado com função indispensável para a manutenção desses bens tombados.

Se já houver processo judicial ou administrativo de penhora ou leilão sobre um desses bens, o juiz ou a autoridade competente é obrigado a suspender a ação de forma imediata.

A medida pode ser determinada de ofício ou a pedido do Ministério Público, do órgão de proteção ao patrimônio cultural ou de entidade representativa da comunidade envolvida.

A suspensão não impede a apuração da dívida. O projeto determina que sejam priorizadas soluções alternativas, como negociação, parcelamento ou compensação. Qualquer decisão que afaste a suspensão deverá ser expressamente fundamentada, sob pena de nulidade.

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Exceções
O projeto admite exceções à proibição, porém somente se forem cumpridos cumulativamente os seguintes requisitos:

  • parecer técnico favorável do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ou de órgão cultural competente;
  • estudo de impacto cultural, social e econômico, com participação da comunidade;
  • autorização expressa do Poder Legislativo correspondente — Congresso Nacional, Assembleia Legislativa, Câmara Legislativa ou Câmara Municipal —, conforme o nível de reconhecimento do bem.

O estudo de impacto cultural deverá avaliar a historicidade da prática, os vínculos sociais e identitários com o espaço, a possibilidade real de continuidade em outro local e os impactos sobre trabalho e renda. A ausência de qualquer requisito torna o ato nulo.

Alternativas à expropriação
O poder público deverá priorizar saídas que preservem o espaço cultural, como a renegociação de dívidas, a transferência da gestão do imóvel para associações ou cooperativas da comunidade e a celebração de convênios ou parcerias voltadas à sustentabilidade do bem protegido.

Lindbergh Farias citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro — sede do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, reconhecido por lei federal como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil —, como exemplo do problema que o projeto busca resolver.

Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Situação da BR-393 no trecho entre Jamapará (Sapucaia/RJ) e Volta Redonda/RJ. Dep. Lindbergh Farias (PT-RJ)
Lindbergh citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio

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Para a relatora, deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) o projeto assegura, na prática, a continuidade das manifestações culturais. “A eventual alienação ou descaracterização desses espaços não representa apenas uma mudança de titularidade patrimonial, mas pode implicar a ruptura de vínculos históricos, sociais e simbólicos que sustentam determinadas práticas culturais”, disse.

Sâmia Bomfim afirmou que as alternativas propostas pelo projeto, como a renegociação de dívidas, a gestão compartilhada e a celebração de parcerias, oferecem uma perspectiva equilibrada entre a proteção do patrimônio cultural e a viabilidade econômica dos espaços envolvidos, buscando o diálogo e o consenso.

Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Câmara dos Deputados

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