Política
Lula deve ter apoio no Congresso para reforma tributária, mas resistência em mudança trabalhista
O terceiro mandato do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve encontrar um ambiente favorável à reforma tributária no Congresso, com disposição de partidos de centro e centro-direita a se juntarem à base governista na aprovação das mudanças.
POLÍTICA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O terceiro mandato do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve encontrar um ambiente favorável à reforma tributária no Congresso, com disposição de partidos de centro e centro-direita a se juntarem à base governista na aprovação das mudanças, mesmo que com algum potencial de enxugamento.
O mesmo não se pode dizer sobre alterações, mesmo que pontuais, na legislação trabalhista aprovada durante o governo de Michel Temer (MDB), em 2017.
Em sua campanha eleitoral, Lula prometeu simplificação de impostos para que “os pobres paguem menos e os ricos paguem mais”, redução da tributação sobre o consumo e uma nova legislação trabalhista com extensa proteção social a todas as formas de ocupação –com especial atenção aos que trabalham por conta própria e trabalhadores de aplicativos.
O PT considera que a tributária tem que ser uma das primeiras bandeiras do governo eleito no Congresso, até para amenizar o impacto da PEC (proposta de emenda à Constituição) que tira R$ 145 bilhões do teto de gastos e autoriza R$ 23 bilhões em investimentos fora do limite, além de outras medidas.
Dentro da tributária, a discussão referente ao consumo é tida como mais amadurecida após o Congresso ter se debruçado sobre duas PECs que simplificam a tributação no país. A 45, de autoria do deputado Baleia Rossi (MDB-SP), prevê a substituição de cinco tributos (IPI, PIS, Cofins, o estadual ICMS e o municipal ISS) pela ideia do imposto sobre bens e serviços (IBS).
Já a 110, do Senado, transforma nove tributos (IPI, IOF, PIS, Pasep, Cofins, Cide-Combustíveis, Salário-Educação, ICMS e ISS) em um IBS.
Apesar de ambos serem considerados bons textos pela equipe do petista, a PEC 45 deve ser priorizada pelo novo governo, principalmente após o futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicar o economista Bernard Appy para o cargo de secretário especial para a reforma tributária a partir de 2023. Appy atuou como mentor do texto de Baleia Rossi.
A expectativa da equipe econômica de Lula é de que a alíquota única enfrente resistência no Congresso, e a PEC seja desidratada. Membros da pasta, porém, veem alternativas e prometem incluir a Receita Federal no diálogo em busca de uma saída.
Para Débora Freire, professora de Economia do Cedeplar da UFMG (Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais), o texto da PEC deve enfrentar resistências setoriais, que podem fazer pressão por um tratamento diferenciado ou pela exclusão de algum tributo na composição da alíquota única.
“No longo prazo, isso acaba prejudicando o potencial da reforma de harmonizar o sistema tributário e ter grande capacidade de fomentar o crescimento econômico”, afirma.
A economista ressalta que o efeito da reforma tributária é maximizado quando é possível harmonizar as alíquotas, com a eliminação do efeito cascata de impostos. Segundo ela, a indústria estaria entre os principais setores beneficiados pela mudança.
Estudo da professora da UFMG em coautoria calcula que a reforma da tributação do consumo, como prevista no texto da PEC 45, teria capacidade de reduzir em torno de 2% o Índice de Gini -instrumento para medir o grau de concentração de renda em determinado grupo.
Freire ressalta que esse potencial impacto sobe para 3,2% quando é acoplado um mecanismo de devolução dos tributos sobre a cesta básica para as famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico (Cadastro Único do Governo Federal).
Para o Sindifisco Nacional, hoje há excessiva participação da tributação sobre o consumo no total da tributação brasileira, o que contribui com a regressividade do modelo -ou seja, arrecada proporcionalmente mais de quem ganha menos.
Embora veja como positiva a potencial redução dos custos de implementação da legislação tributária pelas empresas, o presidente Isac Falcão afirma que a proposta “não ataca o problema central da tributação brasileira, que é a desigualdade” e defende que a reforma da tributação sobre a renda seja prioritária.
Na campanha, o presidente eleito prometeu aumentar para até R$ 5.000 a faixa salarial isenta de Imposto de Renda. Após a vitória de Lula, Lira sinalizou que votaria texto do deputado Danilo Forte (União-CE) que estende a isenção do IR para quem ganha até R$ 5.200. O PT, no entanto, articulou para que o projeto fosse discutido só em 2023.
A tributação de dividendos, por sua vez, teria respaldo do PT e de partidos de centro e centro-direita. A Câmara chegou a aprovar, em setembro de 2021, um projeto de Imposto de Renda que tributava em 15% lucros e dividendos, mas o texto parou no Senado –Lira defendeu publicamente em algumas ocasiões a taxação de dividendos.
No Congresso, uma ala defende a criação de um imposto sobre transações digitais. A proposta chegou a ser encampada pelo ministro Paulo Guedes, mas nunca foi tirada do papel pela resistência criada quando se compara com a extinta CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).
No que diz respeito a mudanças trabalhistas, a convergência cede espaço para a divergência. No início da campanha, Lula sinalizou que pensava em revogar a reforma trabalhista. Ao longo da campanha, modulou o discurso e passou a falar em revisar.
O PT critica alguns pontos da mudança aprovada no governo Temer, como a jornada de trabalho intermitente. Mas avalia não haver apoio para alterá-los -partidos do centrão e de centro-direita já deram recados de que não aceitarão o que veem como “retrocessos”.
Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores), defende a repactuação de alguns itens. No caso do trabalho intermitente, a central sindical quer algumas regras estabelecidas -como uma quantidade de horas mínima por semana, por exemplo.
O governo eleito também tem como uma de suas metas regulamentar o trabalho por aplicativo. Para Patah, a formalização desses colaboradores não é uma questão pacificada. “Essa disputa vai ser longa e, enquanto não se resolve, temos no limbo uma série de adversidades para os trabalhadores das plataformas. Nossa ideia é criar alguma seguridade para o trabalhador”, defende.
Na transição, o grupo técnico que tratou de trabalho e previdência defendeu o fortalecimento da atuação dos sindicatos e o debate de uma nova fonte de financiamento -sem recriar o imposto sindical.
Patah propõe que os trabalhadores decidam em assembleia se querem ou não contribuir. Com a reforma, a contribuição obrigatória, uma das principais fontes de renda dos sindicatos, foi substituída por um recolhimento que depende de autorização do trabalhador.
O grupo que discutiu a área de trabalho propôs ainda que o governo eleito impeça qualquer tentativa de criar um regime de carteira verde e amarela, programa que flexibiliza a legislação trabalhista defendido por Guedes e que foi barrado pelo Congresso duas vezes.
Há discussão também sobre a retomada da obrigação de o empregador homologar a rescisão contratual do trabalhador perante o sindicato.
A economista e pesquisadora do Cesit (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho) da Unicamp, Marilane Oliveira Teixeira, vê a possibilidade de a negociação individual prevalecer sobre a coletiva como um dos aspectos “mais nefastos” introduzidos pela reforma.
Ela ainda lembra que o trabalho intermitente foi a principal vitrine da reforma trabalhista, com a promessa de gerar milhões de postos de trabalho. Mas destaca que o que se viu na prática, depois de cinco anos, não foi isso. “Representa menos de 0,5% dos vínculos formais no mercado de trabalho”, afirma.
Para a especialista, o único aspecto positivo da reforma foi o fim do imposto sindical. “Forçou os sindicatos a repensar sua forma de sustentação”.
PROPOSTAS DO PROGRAMA DE GOVERNO LULA/ALCKMIN
Reforma tributária solidária, justa e sustentável
Simplificar e reduzir a tributação do consumo
Garantir progressividade tributária (ricos vão pagar mais)
Desonerar produto com maior valor agregado, tecnologia embarcada e ecologicamente sustentável
Combate à sonegação
Fonte: Diretrizes para o programa de reconstrução e transformação do Brasil – Lula/Alckmin 2023-2026
PROPOSTAS MAIS AVANÇADAS NO CONGRESSO
1) PEC 45 – relatório deputado Aguinaldo Ribeiro
Substitui cinco tributos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por um Imposto sobre Bens e Serviços e um Imposto Seletivo sobre cigarros e bebidas alcoólicas
Transição de seis anos em duas fases, uma federal e outra com ICMS e ISS
Substitui a desoneração da cesta básica pela devolução de imposto para famílias de menor renda
2) PEC 110 – relatório senador Roberto Rocha
Criação da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) com fusão do PIS e Cofins
Criação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), com fusão do ICMS e ISS
Substitui IPI por um imposto seletivo sobre itens prejudiciais à saúde e meio ambiente
Criação do Fundo de Desenvolvimento Regional, abastecido com recursos do IBS
Restituição de tributos a famílias de baixa renda
3) PL 3887/2020 – proposta do Ministério da Economia
Criação da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) com fusão do PIS e Cofins
Mantida regra atual de desoneração da cesta básica
4) PL 2337/2021 – texto aprovado na Câmara
Isenção do IRPF na faixa até R$ 2.500 e Correção de média de 13% nas demais faixas
Desconto simplificado máximo de R$ 10.563,60 (hoje, limite é de R$ 16.754,34)
Tributação de dividendos, com isenção para o Simples e lucro presumido
Corte da alíquota-base do IRPJ de 15% para 8%
Corte da CSLL em até 1 ponto percentual
Fim dos JCP (Juros sobre Capital Próprio)
Fontes: Câmara dos Deputados e Senado Federal
PROPOSTA DO GRUPO DOS SEIS (BERNARD APPY E OUTROS)
1) Tributação do consumo: nos termos das PECs 45 e 110, em tramitação no Congresso
Substituição de cinco tributos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por um imposto sobre valor adicionado (IVA), com arrecadação centralizada e gestão compartilhada (PEC 45)
Possibilidade de ter um IVA federal e outros para estados e municípios (PEC 110)
Substituir a desoneração da cesta básica pela devolução de imposto para famílias de menor renda
2) Tributação da renda do trabalho
Atualização da tabela do IRPF mais correção anual pela inflação
Alíquota adicional para rendas mais elevadas
Limitação de benefícios fiscais
Redução da contribuição patronal na parcela da remuneração superior ao teto do INSS
3) Tributação do capital
Redução da alíquota sobre lucro das empresas e mudança na base de cálculo
Tributação de dividendos e outras rendas por meio de tabela progressiva
4) Tributação de aplicações financeiras
Elimina isenção para algumas aplicações (LCI, LCA, CRI, CRA e fundo imobiliário)
5) Regimes simplificados (Lucro Presumido e Simples)
Reformulação para corrigir distorções que dificultam o crescimento das pequenas empresas, desestimular “pejotização” e baixa tributação da alta renda
Pequenas do Simples devem pagar menos imposto; PJs de alta renda, mais
6) Tributos sobre o patrimônio
Lei complementar sobre heranças e doações no exterior
IPVA para embarcações e aeronaves
Revisão do ITR (imposto territorial rural)
Fonte: Contribuições para um Governo Democrático e Progressista (agosto/2022)
POLÍTICA
Aleac inova e aprova jornada especial de trabalho para servidores com deficiência
A Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac) aprovou a Lei nº 4.820, que institui o novo Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) dos servidores da casa e representa um marco histórico para a inclusão no serviço público estadual. De forma pioneira, a nova legislação garante o direito à jornada de trabalho especial diretamente ao servidor com deficiência (PCD), um avanço significativo em relação às normas anteriores.
Até então, a legislação estadual, como as Leis nº 3.351/2017 e nº 3.406/2018, concedia o benefício do horário especial apenas a servidores que fossem pais, mães ou responsáveis legais por pessoas com deficiência. A nova lei, aprovada sob a gestão do presidente da ALEAC, deputado Nicolau Júnior, amplia esse direito, assegurando que o próprio servidor com deficiência possa ter sua jornada reduzida.
O texto da nova lei é claro ao estabelecer o benefício. O § 3º do dispositivo legal afirma: “Será concedido horário especial ao servidor com deficiência ou com necessidade de saúde permanente devidamente comprovada por junta médica oficial, com redução de duas horas diárias na jornada de trabalho, independentemente de compensação de horário”.
Além de beneficiar diretamente o servidor PCD, a lei também estende o direito àqueles que cuidam de seus familiares, conforme o § 4º: “O disposto no § 3º aplica-se igualmente ao servidor que tenha cônjuge, filho ou dependente com deficiência ou necessidade de saúde permanente, desde que comprovada a necessidade de acompanhamento pelo servidor, mediante avaliação de junta médica oficial”.
A medida é vista como uma das principais conquistas do novo PCCR e posiciona o Legislativo acreano como vanguarda na promoção de políticas de inclusão e valorização de seus quadros.
Para o presidente da Aleac, deputado Nicolau Júnior (PP), a aprovação da lei reflete o compromisso do parlamento com a equidade e o respeito. “A aprovação deste projeto é um reflexo do compromisso da Assembleia Legislativa com a justiça social e a inclusão. Mais do que um ajuste na lei, é um ato de reconhecimento e valorização do servidor com deficiência, garantindo-lhe dignidade e melhores condições de trabalho. O parlamento acreano demonstra, mais uma vez, que está atento às necessidades de todos e na vanguarda da modernização das relações de trabalho no serviço público”, declarou.
A aprovação da Lei nº 4.820 reforça o caráter institucional da medida, focada no fortalecimento do serviço público e na garantia de direitos, representando um legado de avanço social e administrativo para o Estado do Acre.
Texto: Andressa Oliveira
Fonte: Assembleia Legislativa do AC
-
SEM CATEGORIA6 dias atrásPrefeitura de Rio Branco lança projeto que fortalece identidade e pertencimento entre estudantes da rede municipal
-
FAMOSOS6 dias atrásAngélica reflete sobre prioridades e destaca importância do autocuidado na rotina
-
AGRONEGÓCIO6 dias atrásCálculo bovino que vale mais que ouro ganha acesso ao mercado chinês
-
POLÍTICA NACIONAL4 dias atrásCongresso tem 32 medidas provisórias para serem votadas
-
SEM CATEGORIA6 dias atrásPrefeitura de Rio Branco participa da entrega de kits esportivos do Projeto Esporte Total
-
SEM CATEGORIA4 dias atrásPrefeitura de Rio Branco terá espaço ampliado e gabinete instalado durante a Expoacre
-
FAMOSOS6 dias atrásGabriele Miranda e Endrick celebram chá de bebê do primeiro filho com festa luxuosa
-
AGRONEGÓCIO5 dias atrásSIAVS reúne cadeias que exportam mais de R$ 160 bilhões