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TJAC participa de audiência pública sobre índices de feminicídio no Acre
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Coordenadora das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar do TJAC, juíza Louise Santana apresentou as ações desenvolvidas pelo Judiciário acreano no enfrentamento à violência de gênero
A Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cosiv) do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) participou de uma audiência pública para discutir os índices de feminicídio no estado. A sessão ocorreu nesta quinta-feira, 23, no plenário da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), em Rio Branco, e reuniu autoridades, representantes da Rede de Proteção à Mulher, organizações da sociedade civil e demais interessados no tema.
Proposta pelo deputado estadual Afonso Fernandes, por meio do Requerimento nº 100/2025, a audiência teve como objetivo debater a criação de novas estratégias e políticas públicas voltadas à prevenção de mortes violentas de mulheres por razões de gênero, bem como garantir o acesso à justiça e a proteção integral das vítimas de violência doméstica e familiar.

Durante a sessão, a coordenadora da Cosiv e titular da 2ª Vara de Proteção à Mulher de Rio Branco, juíza Louise Santana, destacou a importância de compreender o perfil das vítimas para a formulação de políticas públicas mais eficazes e direcionadas. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, elas são, em sua maioria, negras, jovens, assassinadas dentro de casa por companheiros ou ex-companheiros, que utilizam armas brancas ou de fogo.
A magistrada também apresentou as ações desenvolvidas pelo Judiciário acreano no enfrentamento à violência de gênero, como o projeto “Conscientização pela Paz no Lar”, que realiza palestras em escolas públicas e privadas sobre igualdade de gênero, desconstrução de estereótipos e promoção de uma cultura de respeito e não discriminação.
Outro ponto abordado foi o uso das medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha (n.º 11.340/2006). A juíza ressaltou que, dos 87 casos de feminicídio registrados no Acre, pelo Feminicidômetro, entre 2018 e 2025, apenas sete vítimas haviam solicitado medidas protetivas. “Com aquele papel, pode ser consignado a Patrulha Maria da Penha, utilizar o botão do pânico, aplicar tornozeleira eletrônica ao agressor ou até determinar sua prisão. Nós temos inúmeros encaminhamentos com as medidas protetivas”, reforçou.

A coordenadora ainda destacou a relevância dos Grupos Reflexivos para Homens Agressores, que visam prevenir a reincidência e o agravamento da violência por meio de metodologias educativas e reflexivas. O programa busca fazer com que os participantes compreendam a violência como uma construção social, que influencia em suas relações e comportamentos. Desde 2021, o Poder Judiciário tem articulado com prefeituras municipais a criação de leis que institucionalizem essa iniciativa no âmbito local.
Além disso, a magistrada enfatizou o papel da Rede de Proteção à Mulher: “O Poder Judiciário não é a porta de entrada. A gente atua quando a violência já aconteceu ou, muitas vezes, quando a vítima nem está mais aqui. Precisamos fortalecer a Rede [de Proteção]. Onde essa mulher vai para denunciar a primeira violência? Na escola, no trabalho, no posto de saúde? É preciso documentar, fortalecer esse fluxo. Na teoria, temos muitas coisas desenvolvidas; agora, elas precisam sair do papel”.

Ao final, foram debatidas novas propostas para o combate ao feminicídio e à violência doméstica e familiar, entre elas a criação da Lei Sara Araújo, que pretende instituir o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio, em 13 de abril, data em que a servidora pública foi assassinada pelo marido quando chegava ao trabalho. A iniciativa prevê a realização de ações de conscientização em todo o estado.
O evento contou com a presença de representantes dos três Poderes: Judiciário, Legislativo e Executivo, do Ministério Público do Acre (MPAC), da Defensoria Pública do Estado (DPE/AC), da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB/AC), da Procuradoria-Geral do Estado (PGE/AC) e de diversas organizações da sociedade civil.


Fotos: Sérgio Vale/Aleac
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
TJ AC
TJAC abre III Semana Nacional dos Juizados Especiais certificando conciliadoras e conciliadores
Atividade iniciou nesta terça-feira, 16, e segue até a sexta-feira, 19, com oficinas, debates e diálogos para aperfeiçoar o Sistema dos Juizados Especiais
“Justiça simples, digital e humana”, com esse tema o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) por meio da Escola do Poder Judiciário do Acre (Esjud), realizou nesta terça-feira, 16, a abertura da III Semana Nacional dos Juizados Especiais, com a entrega de certificados do curso de formação de conciliadores e mediadores judiciais.
A Semana é de iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), estabelecida pela Resolução n.º 533/2023, para fortalecer o sistema que é a grande porta de entrada das pessoas no Judiciário e segue com oficinas, debates e diálogos até a sexta-feira, 19. A desembargadora Regina Ferrari, presidente em exercício, ressaltou o impacto dessa maneira de promover Justiça na vida de cada cidadã e cidadão:
“É o trabalhador que recebe o que tinha direito sem precisar contratar ninguém. É o consumidor que finalmente é ressarcido por aquele eletrodoméstico que nunca funcionou. É a pequena empresa que recupera o valor que faria diferença no caixa do mês. É o idoso que não tem recursos para pagar honorários, mas tem o direito a defesa. Os Juizados Especiais são, na prática, a porta de entrada da justiça para quem mais precisa dela e menos tem condições de pagar por ela, porque ela é 100% gratuita”, destacou Ferrari.
Aproximação
Para a presidente em exercício, os Juizados concretizam a aproximação do Judiciário com as pessoas, são caminhos mais fáceis e ágeis de acessar direitos: “Os Juizados Especiais provam que é possível construir uma Justiça mais rápida, mais simples e mais humana, sem abrir mão da seriedade e do acolhimento que todo o processo exige. Por isso, defender os Juizados Especiais, debater os Juizados Especiais nessa semana significativa é defender o direito de toda pessoa, independentemente da sua renda ou do seu conhecimento jurídico, de ser ouvida e de ter seu conflito resolvido com dignidade. É lembrar que a Justiça não pode ser privilégio de poucos”.
Criado em 1995 (Lei n.º 9.099), o Sistema dos Juizados Especiais recebe causas de até 40 salários mínimos, que tem como critérios norteadores: a oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade, buscando promover a conciliação e mediação, quando possível. Princípios que significam que as pessoas podem chegar aos balcões de atendimento do Judiciário, sem necessidade de um advogado, e apresentar sua reclamação que o setor responsável irá iniciar os encaminhamentos no sistema, fazendo o peticionamento.
Eficiência
O coordenador dos Juizados Especiais Cíveis do Acre, desembargador Júnior Alberto, apresentou dados sobre a eficiência do trabalho jurisdicional realizado no estado:
“De acordo com os dados do Justiça em Números, foram julgados em 2025 quase 2 milhões de processos, o que demonstra a confiança da população nos Juizados Especiais, em virtude da resposta rápida, eficiente e, principalmente, justa para as suas demandas. No Acre, somente neste primeiro semestre de 2026, mais de 8.300 novos processos ingressaram nos Juizados. Com muito orgulho e contentamento informo que estamos entre os melhores do Brasil”, disse Alberto.
De acordo com os dados oficiais do CNJ, os Juizados do Acre figuram em segundo lugar no Índice de Atendimento à Demanda a nível nacional. Já em relação à taxa de congestionamento líquida, alcançando a terceira menor, com 30,99%, ficando atrás apenas do Distrito Federal e de Sergipe entre todos os tribunais brasileiros. Esses números são relevantes porque aferem a eficiência e a celeridade desses órgãos jurisdicionais.

Debate e aperfeiçoamento
O corregedor-geral da Justiça do Acre, desembargador Nonato Maia, explicou que a III Semana Nacional dos Juizados é uma política afirmativa do CNJ, abraçada pelos tribunais no país, que fortalece o segmento dos Juizados, que é o mais simples, acessível e próximo das pessoas. “Nessa Semana teremos várias discussões e olharemos os Juizados Especiais, que é a Justiça mais simples, mais acessível e que atende o cidadão mais diretamente. Então, que sejamos todos envolvidos e comprometidos, que possamos discutir os Juizados Especiais com mais afinco e reafirmar essa Justiça tão próxima do cidadão”, comentou Maia.
Também participaram da abertura, os desembargadores Samoel Evangelista, Lois Arruda, as juízas de Direito Lilian Deise, representando a Associação dos Magistrados do Acre (Asmac), e Louise Kristina, auxiliar da Presidência do TJAC, o procurador-geral Carlos Maia do Ministério Público do Acre (MPAC), a defensora pública-geral Juliana Marques, a presidente do Procon Acre Alana Albuquerque, além de magistradas e magistrados, servidoras e servidores da capital e interior.





Programação
As atividades da III Semana Nacional dos Juizados seguem até a sexta-feira, 19, com atividades realizadas de maneira presencial na Esjud e também com transmissão para comarcas do interior. Veja abaixo a programação:
16/6
- 10h – Oficina “Qualificação em Demandas Repetitivas e Entendimentos Consolidados no STJ e Turma Recursal”. A facilitadora é a juíza Evelin Cerqueira;
17/6
- 8h – Oficina “Eficiência com humanidade: inovação e acesso à Justiça”. A facilitadora é a servidora Larissa Melo;
- 9h às 12h – Laboratório de Inovação – “Justiça simples na era digital: tecnologia, pessoas e soluções reais”. Facilitador é o servidor Bono Lui;
18/6
- 8h – Laboratório de gestão – “Estratégia, produtividade e uso de indicadores”. Facilitador é o servidor Josué;
- 9h – Oficina “Utilização dos Sistemas dos Juizados Especiais: Eproc, Google Meet e Sprol”. Facilitador é o colaborador Fábio Josep;
- 10h – Atividade temática “Inteligência artificial aplicada à prática jurídica”. Facilitador é Leonardo Bandeira
19/6
- 8h – Oficina “Escuta ativa, empatia e justiça”. Facilitadora é juíza de Direito Adamárcia









Fotos Wellington Vidal, estagiário sob supervisão (Secom/TJAC)
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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