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Ataques da Rússia fazem Ucrânia encarar inverno no escuro

Segundo disse na noite de domingo (6) o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, o país já enfrenta um déficit de 32% de sua capacidade energética, com quase 60% de suas instalações tendo sido afetadas em algum momento.

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A mudança tática da Rússia na Guerra da Ucrânia, concentrando ataques na infraestrutura energética enquanto se prepara para a grande batalha pela região de Kherson (sul), ameaça fazer o país invadido em fevereiro passar o inverno no escuro.

As forças de Vladimir Putin passaram a alvejar com mísseis centrais elétricas e redes de distribuição ucranianas desde o começo do mês passado, quando Kiev promoveu um ataque bem-sucedido contra a simbólica megaponte que liga a Rússia à Crimeia, anexada em 2014.

Segundo disse na noite de domingo (6) o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, o país já enfrenta um déficit de 32% de sua capacidade energética, com quase 60% de suas instalações tendo sido afetadas em algum momento.

A Rússia, disse, “está concentrando forças e meios para uma repetição dos ataques maciços contra nossa infraestrutura, primariamente energética”. A inteligência militar ucraniana aponta para o que seria a montagem de uma grande frota de drones suicidas iranianos ao norte da capital, na aliada de Moscou Belarus.

O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, foi além nesta segunda (7): disse que os moradores têm de se preparar para evacuar a cidade em caso de um blecaute total. A capital é a maior e mais populosa cidade ucraniana, com 3 milhões de habitantes antes da guerra –em março, o número havia caído pela metade, mas boa parte da população voltou após Moscou fracassar em capturá-la.

Nesta segunda, a temperatura mínima na cidade é de 4 graus Celsius e, quando o inverno do Hemisfério Norte chegar em 21 de dezembro, ela estará abaixo de zero. Sem eletricidade, não há aquecedores elétricos ou água corrente.

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Para tentar reparar a rede, haverá blecautes planejados nesta segunda em Kiev e nas regiões de Tchernihiv, Tcherkasi, Jitomir, Sumi, Kharkiv e Poltava.

Enquanto o drama se avoluma, os preparativos de lado a lado para a batalha por Kherson prosseguem. Os russos evacuaram civis da capital homônima a oeste do rio Dnieper, movendo-os para vilarejos da pouco habitada região a leste.

Não está claro se Moscou pretende defender a cidade em si, a primeira importante que capturou na guerra, ou está disposta a deixar o rio como fronteira para uma eventual zona desmilitarizada no futuro, caso haja um cessar-fogo.

Segundo o historiador Ridvan Bari Urcosta, da minoria tártara da Crimeia que escreve para a Fundação Jamestown e para a consultoria Geopolitical Futures, ambas americanas, há riscos para ambos os combatentes.

“Para manter sua vantagem estratégica, a Rússia pode escalar ofensivas em outros territórios ou usar armas nucleares táticas em áreas pouco populosas. Isso pode explicar a hesitação de Kiev em atacar: está preocupada com o que virá depois”, afirmou, citando o envio apressado de reservistas convocados para a linha de frente.

Região rural, Kherson é importante também por abrigar o canal que fornece água para a Crimeia, logo ao sul.

Um dos principais aliados de Putin no continente europeu, o presidente sérvio Aleksandr Vucic, disse nesta segunda que Kherson “será a batalha decisiva da guerra”.

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“Estamos vendo a batalha de Stalingrado [referência ao ponto de virada dos soviéticos contra os nazistas na Segunda Guerra Mundial]. O Ocidente acredita que com isso vai destruir a Rússia, e a Rússia acredita que poderá proteger o que tomou [as quatro regiões anexadas em setembro] e acabar com o conflito. Isso vai criar problemas adicionais em todos os lugares”, afirmou à agência russa Tass.

Há outros sinais de pressão sobre o governo de Zelenski. No fim de semana, o jornal americano Washington Post relatou que o governo de Joe Biden está pressionando Kiev a aceitar negociar com os russos, além de ter tido conversas secretas com Moscou para evitar uma escalada nuclear da crise.

Nesta segunda, o Kremlin não quis comentar a segunda reportagem, mas também não a negou, uma indicação de que talvez ela esteja no caminho correto.

Nos EUA, a provável vitória da oposição republicana na eleição de meio de mandato nesta terça (8) poderá colocar políticos céticos em relação ao apoio irrestrito a Zelenski em posição de atrapalhar o fluxo de armas e dinheiro para Kiev. Até aqui, Washington já enviou ou autorizou mais de US$ 50 bilhões em ajuda para os ucranianos, quase US$ 20 bilhões em equipamento militar.

Já um porta-voz do governo alemão, que sempre foi dos mais reticentes acerca do apoio a Kiev na Europa devido a seus laços energéticos com a Rússia, afirmou que caberá à Ucrânia decidir se senta à mesa com o Kremlin.

 

 

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Suspensão de voos nos EUA provoca impacto pontual no Brasil

A companhia aérea Azul registrou atrasos na decolagem de alguns voos, enquanto os voos da Gol e da Latam Brasil partiram no horário previsto.

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O caos aéreo registrado na manhã desta quarta-feira (11) nos Estados Unidos, onde todas as companhias aéreas tiveram que suspender decolagens das 9h às 11h (horário de Brasília) após uma falha em um sistema, surtiu efeitos pontuais no Brasil.

A companhia aérea Azul registrou atrasos na decolagem de alguns voos, enquanto os voos da Gol e da Latam Brasil partiram no horário previsto.

Cerca de 4.000 voos sofreram atrasos nesta manhã nos Estados Unidos, segundo o site de rastreamento FlightAware. Outros 600 domésticos e internacionais teriam sido cancelados.

“A Azul informa que em virtude de problemas no sistema da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos da América registrado esta manhã, os voos AD 8703 (Fort Lauderdale-Viracopos) e AD 8709 (Orlando-Viracopos) sofreram atrasos na decolagem”, informou a companhia aérea, em nota.

“A Azul destaca que o sistema da FAA [autoridade aérea americana] foi normalizado ainda pela manhã e o embarque de clientes retomado logo em seguida”, disse. A companhia opera dois voos diários para a Flórida e dois voos diários para Orlando, partindo do aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP).

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Também por meio da sua assessoria de imprensa, a Latam Brasil informou que as suas rotas estão operando normalmente. O voo LA8195 (Miami-São Paulo/Guarulhos) decolou nesta manhã sem atraso, segundo a companhia. A aérea opera 28 voos por semana entre Brasil e Estados Unidos, com destino a Miami, Nova York, Boston e Orlando.

Já a Gol -que realiza voos diários entre Brasília e Miami, e Brasília e Orlando- informou que os dois voos que partiram do Brasil na manhã desta quarta estavam no horário e não houve mudanças. Ambos os voos têm o seu retorno para a capital federal dentro do previsto.

Segundo a Gol, para a alta temporada, até 31 de janeiro, foram incluídas mais três operações por semana entre Brasília e Orlando, totalizando dez voos semanais nesta rota.

No primeiro trimestre de 2022, os Estados Unidos foram o segundo principal destino de viagem dos brasileiros, só atrás da Europa, de acordo com a Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagens).

Segundo a instituição, até a manhã desta quarta, não havia manifestações de passageiros brasileiros no território americano com dificuldades de retornar ao país.

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A Administração Federal de Aviação americana (FAA, na sigla em inglês) informou nesta manhã, no seu perfil no Twitter, que “operações de tráfego aéreo estão sendo retomadas gradualmente nos EUA após uma interrupção noturna no sistema de aviso às missões aéreas que fornece informações de segurança para tripulações de voo. O impedimento de decolagens foi suspenso.”

A Casa Branca afirmou que não há evidências de ataque cibernético.

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