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Novas tarifas dos EUA e cenário econômico do Brasil: Rabobank prevê juros altos e dólar a R$ 5,75 até o fim de 2025
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As tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros começaram a valer em 7 de agosto, gerando preocupações no mercado nacional. Segundo análise do Rabobank, a medida atinge diretamente setores específicos da economia brasileira, embora os efeitos gerais ainda estejam sendo avaliados. Na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, foi destacado que a política comercial dos EUA aumentou a incerteza e a adversidade no cenário externo.
Para a economia real, espera-se uma desaceleração em 2025, que agora se mostra mais desafiadora devido ao anúncio das tarifas. O Copom segue atento à evolução dos fatos e monitora possíveis impactos, aguardando os próximos passos dos Estados Unidos.
Banco Central mantém juros altos e reforça cautela na política monetária
Na ata do Copom, o Banco Central confirmou a pausa no ciclo de alta da taxa Selic para avaliar os efeitos da política monetária aplicada até o momento. A autoridade monetária reafirmou a necessidade de manter uma postura restritiva prolongada para assegurar que a inflação retorne à meta estipulada.
Durante evento em São Paulo, Nilton David, diretor de política monetária do BC, explicou que a Selic foi mantida em 15% para que haja tempo de analisar as consequências das recentes medidas econômicas. Diogo Guillen, diretor de política econômica, ressaltou que a política fiscal poderá exercer impacto maior do que o previsto, influenciando o consumo, o mercado financeiro e o prêmio de risco brasileiro.
Inflação permanece acima da meta e projeções indicam cortes apenas em 2026
As expectativas de inflação continuam elevadas em todos os horizontes de análise, com núcleos de inflação indicando pressão especialmente pela demanda. O Rabobank projeta que o Copom só iniciará a redução da Selic a partir do segundo trimestre de 2026. Até o fim do primeiro trimestre daquele ano, a taxa deve se manter em 15%, visando controlar a inflação próxima a 3%. Para o final de 2026, a Selic pode chegar a 12,50%.
Balança comercial apresenta superávit em julho e dólar deve encerrar 2025 em R$ 5,75
A balança comercial brasileira surpreendeu positivamente em julho, com um superávit de US$ 7,1 bilhões, superando expectativas do mercado e do próprio Rabobank. O desempenho das exportações foi impulsionado pela indústria de transformação — como carnes e aeronaves —, agropecuária (café e soja) e indústria extrativa (petróleo e minério de cobre). As importações também permaneceram em níveis elevados.
Apesar das incertezas tarifárias e riscos geopolíticos crescentes, o real valorizou-se 1,94% frente ao dólar na última semana, posicionando-se como a terceira moeda emergente com melhor desempenho. Contudo, a moeda nacional ainda enfrenta vulnerabilidades relacionadas a incertezas globais e locais, como a sustentabilidade do marco fiscal.
Diante desse cenário, o Rabobank projeta que o dólar encerre 2025 cotado a R$ 5,75, sustentado por um diferencial elevado entre os juros locais e externos, medida que busca conter riscos e incertezas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Real desvalorizado amplia custo de vida e reduz poder de compra do brasileiro frente a EUA e Canadá
A desvalorização do real frente ao dólar nas últimas décadas tem aprofundado a diferença de custo de vida e poder de compra entre o Brasil e economias desenvolvidas como Estados Unidos e Canadá. Levantamento comparativo dos últimos 15 anos mostra que a moeda brasileira saiu de cerca de R$ 1,67 por dólar em 2011 para patamares acima de R$ 5,50 em 2026, evidenciando uma perda acumulada relevante e impactos diretos sobre a renda da população.
A análise considera fatores como câmbio, evolução do salário mínimo em dólar e despesas médias em grandes centros urbanos. Embora o custo absoluto de vida no exterior seja mais elevado, o equilíbrio entre renda e gastos tende a ser mais favorável em países com maior estabilidade econômica.
Desvalorização cambial corrói consumo global
De acordo com o especialista em Direito Internacional e negócios globais, Daniel Toledo, a perda de valor do real é determinante para a redução da capacidade de consumo do brasileiro no cenário internacional.
“Quando analisamos o câmbio ao longo do tempo, fica claro que o brasileiro perdeu poder de compra global. Isso afeta desde viagens até o acesso a bens importados e investimentos no exterior”, explica.
Salários em dólar mostram diferença estrutural
Os dados reforçam a disparidade entre países. Nos Estados Unidos, o salário mínimo mensal saiu de aproximadamente US$ 1.160 em 2011 para cerca de US$ 2.050 em 2026. No Canadá, avançou de US$ 1.550 para cerca de US$ 2.150 no mesmo período.
No Brasil, o movimento foi inverso quando convertido em dólar: de cerca de US$ 320 em 2011 para aproximadamente US$ 285 em 2026, evidenciando perda de valor real. Em comparação regional, a Argentina apresentou queda ainda mais acentuada.
Essa diferença impacta diretamente o consumo. Para adquirir um smartphone de US$ 900:
- No Canadá: cerca de 65 horas de trabalho
- Nos Estados Unidos: aproximadamente 110 horas
- No Brasil: cerca de 380 horas
- Na Argentina: mais de 600 horas
O indicador evidencia que o poder de compra é mais determinante do que o salário nominal.
Custo de vida pressiona famílias no Brasil
A comparação entre grandes cidades mostra que, apesar de mais caro em termos absolutos no exterior, o custo de vida é mais equilibrado em relação à renda.
- São Paulo: entre R$ 15,5 mil e R$ 24,5 mil mensais
- Houston (EUA): entre US$ 4.500 e US$ 7.500
- Toronto (Canadá): entre US$ 5.100 e US$ 7.800
No Brasil, despesas com alimentação, energia e habitação têm avançado de forma consistente, comprimindo o orçamento das famílias e reduzindo ganhos reais, mesmo com reajustes salariais.
Para sustentar um padrão de classe média com alguma capacidade de poupança, a renda anual necessária gira em torno de:
- Brasil: cerca de R$ 250 mil
- Estados Unidos: aproximadamente US$ 90 mil
- Canadá: entre US$ 100 mil e US$ 150 mil
Estabilidade econômica faz diferença no longo prazo
Além dos números, fatores estruturais explicam a diferença na qualidade de vida. Países desenvolvidos apresentam maior estabilidade econômica, previsibilidade regulatória e segurança jurídica — elementos essenciais para planejamento financeiro de longo prazo.
Esse cenário tem impulsionado o interesse de brasileiros em buscar oportunidades no exterior, seja para trabalho, estudo ou investimentos.
Segundo Toledo, a decisão envolve mais do que custos imediatos. “Ambientes estáveis oferecem melhores condições para crescimento, segurança e construção de patrimônio. No longo prazo, o dinheiro tende a render mais e a qualidade de vida se torna mais sustentável”, avalia.
Brasil enfrenta desafios estruturais
O levantamento evidencia que, apesar do custo de vida mais alto em dólar, países como Estados Unidos e Canadá oferecem condições mais favoráveis para preservação de renda e acumulação de patrimônio.
Enquanto isso, o Brasil segue enfrentando desafios estruturais — como volatilidade cambial, inflação e menor previsibilidade econômica — que limitam o avanço do poder de compra e pressionam o orçamento das famílias.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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