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Fim da alíquota zero de PIS/Cofins encarece insumos e pressiona custos de produção no agronegócio em 2026

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Mudança tributária altera estrutura de custos do agronegócio

A entrada em vigor da Lei Complementar nº 224/2025, em 1º de abril de 2026, marcou uma mudança relevante na estrutura de custos do agronegócio brasileiro. A norma encerrou a alíquota zero de PIS e Cofins sobre insumos agrícolas, como fertilizantes e defensivos, e passou a reonerar parte desses produtos.

A medida integra um processo de corte linear de 10% nos incentivos fiscais federais e impacta diretamente itens essenciais da produção agrícola, com reflexos imediatos no custo das lavouras.

PIS e Cofins voltam a incidir sobre insumos estratégicos

Com a mudança, produtos que anteriormente estavam desonerados voltam a ser tributados, ainda que em patamar reduzido. No regime não cumulativo, a incidência gira em torno de 0,925%.

O PIS (Programa de Integração Social) e a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) são tributos cobrados sobre a receita das empresas e, até então, eram utilizados como instrumentos de desoneração no setor agropecuário.

Apesar da alíquota inferior a 1%, o impacto é ampliado pela relevância dos insumos na composição do custo de produção agrícola, especialmente em culturas como soja e milho.

Impacto direto em fertilizantes e defensivos

De acordo com especialistas tributários, o efeito da reoneração tende a ser significativo no campo. O advogado e sócio da Lastro Soluções Tributárias para o Agro, Gustavo Venâncio, destaca que muitos produtores não tinham o PIS e a Cofins como parte da rotina de custos.

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Segundo ele, embora a alíquota seja pequena, a incidência sobre insumos amplamente utilizados gera aumento relevante nas despesas de produção.

O cenário se agrava porque fertilizantes e defensivos representam parcela expressiva dos custos operacionais das principais culturas agrícolas do país.

Setor enfrenta pressão financeira e redução de margens

A mudança tributária ocorre em um momento de maior pressão financeira no agronegócio. Após períodos de preços mais elevados, produtores enfrentam margens comprimidas, aumento de endividamento e custos ainda elevados de produção.

Nesse contexto, qualquer acréscimo tributário tende a impactar diretamente a rentabilidade das lavouras e pode influenciar decisões de compra, planejamento e negociação ao longo da safra.

Incertezas operacionais dificultam aplicação da regra

Além do impacto econômico, a implementação da nova tributação ainda gera dúvidas no setor. Um dos principais desafios está na definição dos procedimentos fiscais, especialmente no uso de códigos fiscais (CST) na emissão de notas.

Segundo especialistas, ainda não há padronização clara para a operacionalização da cobrança, o que gera insegurança tanto para fornecedores quanto para produtores rurais.

Mercado se antecipa e ajusta operações

Diante das incertezas, o mercado já começou a se adaptar antes mesmo da entrada em vigor da regra. Empresas aceleraram entregas e incentivaram a retirada antecipada de insumos para evitar a incidência tributária.

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Com a vigência da medida, o custo adicional passou a ser incorporado aos preços e às negociações, refletindo diretamente no valor final pago pelo produtor.

Medida é temporária e amplia cenário de incerteza

Outro fator de atenção é o caráter temporário da reoneração, válida até dezembro de 2026, período anterior à implementação das novas regras da reforma tributária sobre o consumo, prevista para 2027.

Segundo a advogada e diretora da Lastro, Viviane Morales, o curto intervalo entre as mudanças aumenta a insegurança e reduz a previsibilidade para o planejamento do produtor rural.

Recomendações exigem atenção à gestão fiscal no campo

Diante do novo cenário, especialistas recomendam maior atenção às operações fiscais. A conferência de notas, verificação de alíquotas e entendimento da composição de preços passam a ser ainda mais importantes na gestão da atividade agrícola.

Mais do que um ajuste pontual, o fim da alíquota zero de PIS e Cofins representa uma mudança estrutural na política de incentivos ao agronegócio. A reintrodução da tributação sobre insumos estratégicos tende a impactar toda a cadeia produtiva, com efeitos já perceptíveis nos custos, negociações e planejamento do setor em 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agronegócio incorporou 190 mil trabalhadores no primeiro trimestre e viu renda crescer 2,7%

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As atividades desenvolvidas dentro das propriedades rurais incorporaram cerca de 190 mil trabalhadores no primeiro trimestre de 2026. O crescimento de 2,5% na comparação com o mesmo período do ano passado ocorreu tanto na agricultura quanto na pecuária e ajudou a limitar a redução do emprego nos demais segmentos do agronegócio.

O avanço da ocupação dentro da porteira foi acompanhado pela valorização da renda. Consideradas todas as categorias de trabalhadores, a massa de rendimentos do agronegócio atingiu R$ 68,90 bilhões, crescimento real de 2,7% em um ano, já descontada a inflação.

Os dados fazem parte do levantamento sobre o mercado de trabalho do agronegócio elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

A agricultura ampliou em 1,8% o número de pessoas ocupadas. Na pecuária, o crescimento chegou a 3,7%. O movimento mostra que, apesar da pressão sobre as margens e das dificuldades de acesso ao crédito, a produção agropecuária continuou demandando trabalhadores no início do ano.

Entre as atividades agrícolas, o cultivo de café registrou aumento de 26,9% na ocupação. O contingente empregado na cana-de-açúcar cresceu 13,9%, enquanto a horticultura apresentou avanço de 5,6%.

Na produção animal, a aquicultura teve crescimento de 40,8% no número de ocupados. Também foram registrados avanços na criação de aves, de 26,4%, na suinocultura, de 18,7%, e em outras atividades pecuárias, de 30,6%.

Os percentuais não representam necessariamente a criação de empregos com carteira assinada, uma vez que o levantamento considera diferentes formas de ocupação. Ainda assim, indicam que a produção primária absorveu mão de obra enquanto outras partes da cadeia reduziram seus quadros.

No conjunto do agronegócio, o número de ocupados recuou 1% em relação ao primeiro trimestre de 2025, com a saída de aproximadamente 267,3 mil pessoas. Mesmo após a queda, o setor manteve 27,79 milhões de trabalhadores, o equivalente a 25,73% de toda a população ocupada no Brasil.

Isso significa que aproximadamente um em cada quatro brasileiros que trabalham permanece ligado ao agronegócio. O cálculo inclui a produção dentro das propriedades, os fornecedores de insumos, as agroindústrias e os serviços necessários para transportar, armazenar, comercializar e distribuir os produtos.

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A redução total ficou concentrada fora das propriedades. Os agrosserviços perderam cerca de 308 mil trabalhadores, retração de 2,9%. Nas agroindústrias, o número de ocupados diminuiu em aproximadamente 148,5 mil, queda de 3,1%. O segmento de insumos registrou redução de 1,2%, correspondente a 3,8 mil trabalhadores.

Sem as quase 190 mil novas ocupações registradas na produção primária, portanto, a retração do mercado de trabalho do agronegócio teria sido significativamente maior.

Outro resultado positivo apareceu nos rendimentos. O ganho médio mensal dos empregados do agronegócio chegou a R$ 2.886, com aumento real de 4,8% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Entre os empregadores, a renda média alcançou R$ 8.961, crescimento de 9,7%, também acima da inflação.

A massa de rendimentos dos empregados e demais trabalhadores assalariados atingiu R$ 43,16 bilhões, avanço real de 1,4%. Entre os trabalhadores por conta própria, o valor chegou a R$ 16,70 bilhões, alta de 3,5%. A massa de renda dos empregadores aumentou 7,5%, para R$ 9,05 bilhões.

O trabalho por conta própria foi a única posição na ocupação que apresentou crescimento. O grupo ganhou aproximadamente 120,2 mil pessoas, alta de 1,8% em um ano. O resultado ajudou a compensar parte das perdas entre empregados, empregadores e trabalhadores familiares auxiliares.

A expansão desse grupo, entretanto, exige uma leitura cuidadosa. O trabalho por conta própria pode representar empreendedorismo e prestação de serviços especializados, mas também pode refletir a substituição de vínculos formais por formas de ocupação com menor proteção trabalhista.

O levantamento também aponta uma mudança no nível de qualificação exigido pelo setor. O agronegócio incorporou aproximadamente 72,9 mil profissionais com ensino superior, crescimento de 1,6% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.

Isan Rezende

Ao mesmo tempo, diminuiu a participação dos trabalhadores sem instrução e daqueles com ensinos fundamental e médio. O movimento mantém a trajetória de aumento da escolaridade média e acompanha a adoção de máquinas, sistemas digitais, agricultura de precisão, automação, análise de dados e novas técnicas de gestão.

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A participação feminina também voltou a crescer, embora o número absoluto de mulheres ocupadas tenha recuado. A ocupação entre os homens caiu 1,2%, enquanto entre as mulheres a retração foi menor, de 0,5%. Com isso, elas ampliaram sua presença proporcional na força de trabalho do agronegócio.

SINAIS DE ALERTA – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, o primeiro trimestre mostra dois movimentos distintos. “A cadeia como um todo passou por um ajuste depois de sucessivos recordes de ocupação, principalmente nos serviços e nas agroindústrias. Dentro das propriedades, porém, agricultura e pecuária contrataram mais trabalhadores, elevaram a presença de profissionais qualificados e contribuíram para o crescimento real da renda gerada pelo setor”.

“Os quase 190 mil trabalhadores incorporados pela produção dentro das propriedades mostram que o campo continua gerando oportunidades, mas o resultado não pode ser analisado isoladamente. O agronegócio como um todo perdeu mais de 267 mil pessoas ocupadas em um ano, com retração principalmente nos serviços e nas agroindústrias. É um alerta de que nem todos os elos da cadeia atravessam o mesmo momento”, afirma Isan.

“Emprego depende de investimento, e o produtor está enfrentando juros elevados, margens menores e um endividamento que limita sua capacidade de contratar, comprar máquinas e ampliar a produção. A renegociação das dívidas rurais precisa sair do papel e chegar efetivamente às propriedades, acompanhada de crédito acessível, seguro rural e condições para que produtores economicamente viáveis retomem seus projetos”, acrescenta.

“Se o Brasil não resolver esses gargalos, a redução observada nos serviços e na agroindústria pode alcançar outras partes da cadeia. O país precisa combinar crédito, segurança jurídica, infraestrutura, inovação e qualificação profissional. Quando o produtor recupera capacidade de investir, o efeito não fica apenas dentro da porteira: alcança o comércio, o transporte, a indústria e milhares de famílias que dependem do agronegócio”, conclui Rezende.

Fonte: Pensar Agro

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