AGRONEGÓCIO
Milho enfrenta pressões de safra recorde, exportações e custos elevados no Brasil e nos EUA
AGRONEGÓCIO
O mercado do milho segue marcado por fortes oscilações entre fatores de alta e de baixa, tanto no cenário internacional quanto no doméstico. Entre expectativas de safra recorde, exportações aceleradas e custos elevados para produtores, os preços permanecem pressionados e sem tendência definida.
Exportações brasileiras ganham ritmo, mas preços seguem pressionados
Após um início de temporada mais lento, os embarques de milho do Brasil voltaram a ganhar força em agosto. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) elevou a estimativa para 7,97 milhões de toneladas exportadas no mês, quase o dobro de julho. Apesar disso, a falta de competitividade internacional ainda mantém estoques internos elevados, o que limita reações de preços no mercado doméstico.
Segundo a TF Agroeconômica, os custos de carregamento e de produção da safrinha — estimados em R$ 72,31 por saca pelo Deral-PR — exigem atenção. Ao mesmo tempo, indústrias de carnes e de etanol continuam abastecidas, sem necessidade de elevar suas compras.
Safra recorde nos EUA e no Brasil pressiona mercado
O último relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) surpreendeu ao projetar uma safra recorde americana de 425,26 milhões de toneladas de milho, com estoques finais nos maiores patamares desde 2018/19. Já a Conab revisou para cima a produção brasileira de 2024/25, estimada em 137,01 milhões de toneladas, com exportações previstas em 40 milhões.
Esse aumento de oferta amplia a pressão sobre os preços, apesar da demanda aquecida. O USDA elevou sua projeção de uso do milho para a indústria de etanol para 142,25 milhões de toneladas, o equivalente a 33,45% da safra americana.
Preços futuros caem na B3 e em Chicago
Na abertura da semana, os contratos futuros de milho registraram queda tanto na Bolsa Brasileira (B3) quanto na Bolsa de Chicago (CBOT). Por volta das 10h desta segunda-feira (18), as cotações na B3 variavam entre R$ 64,57 e R$ 72,91, com recuos de até 0,40%.
No mercado externo, os preços em Chicago também operaram em baixa, influenciados pelo aumento inesperado da área plantada e da produtividade nos EUA. O contrato de setembro/25 recuava para US$ 3,80 por bushel, enquanto o vencimento de dezembro/25 era cotado a US$ 4,03.
Recuperação parcial na semana anterior
Na sexta-feira (15), o milho chegou a registrar leve recuperação na B3, acompanhando o movimento de alta em Chicago e a melhora do programa de exportações pelos portos brasileiros. Ainda assim, o saldo semanal foi negativo, pressionado pelo aumento da safra brasileira, queda do dólar e pela concorrência internacional.
Na CBOT, o contrato de setembro, referência para a safrinha brasileira, encerrou a semana com alta de 2,33%, para US$ 383,75. Apesar do ajuste, os preços seguem próximos aos menores patamares da temporada.
Negociações travadas e custos elevados no mercado interno
Enquanto a safra recorde avança, produtores e compradores brasileiros enfrentam dificuldades para fechar novos negócios. No Rio Grande do Sul, os preços variam entre R$ 65,00 e R$ 70,00/saca, com pouca liquidez. Em Santa Catarina, a diferença entre pedidas e ofertas trava as negociações: produtores pedem até R$ 80,00/saca em Campos Novos, mas compradores ofertam no máximo R$ 70,00.
No Paraná, os valores giram entre R$ 54,00 e R$ 75,00/saca, com negócios lentos e regionalmente desajustados. Já no Mato Grosso do Sul, a colheita da segunda safra foi prejudicada pelo clima, derrubando o potencial produtivo e mantendo as cotações estáveis entre R$ 44,00 e R$ 50,00/saca.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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