AGRONEGÓCIO
Inmet prevê chuva forte e falta de água até 20 de outubro
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A agricultura brasileira enfrenta nesta semana uma distribuição desigual das chuvas, com volumes elevados em parte do Centro-Sul e da Amazônia e pouca água em outras regiões produtoras. O cenário exige atenção tanto no plantio da safra 2026/27 quanto na colheita das lavouras do ciclo anterior. A previsão nacional do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), divulgada nesta terça-feira (13.10) e válida até o dia 20, aponta diferenças expressivas entre as regiões e dentro de um mesmo estado.
Os maiores acumulados previstos chegam a 200 milímetros no centro-norte do Paraná e superam 150 milímetros no centro-oeste do Amazonas. Também há indicação de volumes acima de 100 milímetros no litoral sul paulista e no Rio de Janeiro. Em contrapartida, grande parte do Nordeste deve permanecer sem chuva expressiva, assim como áreas do Centro-Oeste. Para a agricultura, o contraste reúne riscos de interrupção dos trabalhos pelo excesso de umidade e de dificuldade para iniciar o cultivo onde o solo continua seco.
O contraste alcança regiões de um mesmo estado. No Centro-Oeste, os acumulados previstos chegam pontualmente a 100 milímetros no centro de Goiás e no sul de Mato Grosso do Sul. No sul de Mato Grosso, a previsão alcança 50 milímetros; em outras áreas da região, os volumes não devem ultrapassar 10 milímetros. Para o produtor, essa distribuição exige avaliar a umidade da própria lavoura antes de avançar com a semeadura.
No Sul, a chuva também não será uniforme. Santa Catarina tem previsão de 40 a 60 milímetros em sua faixa central e litorânea. No Rio Grande do Sul, o litoral deve receber perto de 40 milímetros, mas a maior parte do estado terá pouca precipitação. A redução das chuvas abre espaço para operações de campo onde a umidade do solo permitir a entrada das máquinas.
O Sudeste concentra outra faixa de atenção, com volumes superiores a 100 milímetros previstos no litoral sul paulista e no Rio de Janeiro. No Norte, o centro-oeste do Amazonas deve receber mais de 150 milímetros, enquanto não há previsão de chuva no Amapá e no centro-norte do Pará.
O risco muda conforme a fase da lavoura
A chuva que ajuda a instalar soja e milho também traz dificuldades às culturas prontas para colher. O excesso de água restringe o trabalho das máquinas e ameaça a qualidade dos grãos que permanecem no campo. Esse efeito já apareceu no acompanhamento de setembro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que registrou benefícios às lavouras de verão e problemas nos cultivos de inverno.
No Paraná, naquele período, produtores ajustaram a colheita do trigo para aproveitar os intervalos sem chuva. Em Santa Catarina, a umidade persistente aumentou a preocupação com doenças. Em São Paulo, a Conab apontou comprometimento da qualidade e risco de germinação do trigo ainda na espiga. São ocorrências observadas em setembro, que ajudam a dimensionar o cuidado necessário nas áreas ainda não colhidas.
A falta de água tem outra consequência: dificulta o estabelecimento das plantas e reduz o potencial produtivo quando alcança etapas importantes do desenvolvimento. Nas áreas agrícolas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a Conab verificou em setembro que as chuvas haviam amenizado o risco de incêndios, mas ainda eram insuficientes para permitir o plantio na maioria das lavouras sem irrigação.
Perdas anteriores mostram o peso do calendário
O impacto da estiagem já aparece nos resultados da safra anterior. Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), com base no acompanhamento da Conab, a produtividade do milho de segunda safra na Bahia ficou 38,5% abaixo da estimativa inicial. O resultado foi associado ao plantio fora do período mais adequado e à redução das chuvas a partir de abril.
Na agricultura familiar, o boletim de setembro identificou 170 municípios com risco alto de seca e 27 com risco muito alto entre aqueles com plantios de milho ou feijão sem irrigação iniciados em julho. O Nordeste concentrou 131 municípios do primeiro grupo e 26 do segundo. A classificação indica exposição ao risco, não uma medida de perdas já confirmadas.
Para as próximas operações, a referência deve ser a condição local: água suficiente para iniciar o cultivo, solo adequado ao tráfego das máquinas e intervalos de tempo favoráveis à colheita. Os avisos do Inmet e o acompanhamento da Conab ajudam a organizar esse trabalho. A previsão de chuva para uma região, sozinha, não garante que todas as propriedades receberão o volume necessário.
Fonte: Pensar Agro
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Entidade defende papel do agro no abastecimento do Brasil e do mundo
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) defendeu nesta terça-feira (13.10), em sessão no Senado Federal, o papel do agronegócio no abastecimento do mercado brasileiro e no fornecimento de alimentos a outros países. Na homenagem ao Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, a entidade também ressaltou que combater a fome exige emprego, renda e condições para que a população consiga comprar comida.
A posição foi apresentada após uma safra recorde. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou a produção de grãos de 2025/26 em 361,7 milhões de toneladas, crescimento de 2,6% sobre o ciclo anterior. O resultado aumenta a disponibilidade de matérias-primas para o consumo interno, a indústria e as exportações.
O feijão ajuda a dimensionar a contribuição para o mercado doméstico. Mesmo com queda de 3,6% na colheita, a produção estimada em 2,95 milhões de toneladas supera o consumo interno projetado pela Conab, de 2,7 milhões. Essa comparação não dispensa o acompanhamento dos estoques e das vendas externas, mas mostra que o volume colhido é suficiente para atender à demanda prevista no país.
No comércio internacional, as exportações do agronegócio alcançaram o equivalente a cerca de R$ 848 bilhões em 2025, recorde com crescimento de 3% no valor originalmente apurado em moeda americana, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A conta inclui alimentos, fibras e produtos florestais. Por isso, não deve ser apresentada como faturamento exclusivamente da venda de comida.
A China foi o principal comprador, com 32,7% das exportações do setor, seguida pela União Europeia, com 14,9%, e pelos Estados Unidos, com 6,7%. Os três destinos concentraram mais da metade das vendas externas. A dimensão desses negócios reforça a importância do agro como fornecedor, mas também a necessidade de manter alternativas de compradores.
Para o abastecimento brasileiro, o total da safra precisa ser acompanhado por cultura. Soja e milho cresceram, enquanto arroz, feijão e trigo tiveram recuo. No arroz, a Conab estimou 11,08 milhões de toneladas, queda de 13,2%, com redução de 14% na área plantada. Segundo a companhia, preços menos remuneradores estimularam a migração para outras lavouras.
O caso mostra uma questão central para o produtor: a oferta depende de condições para continuar plantando. Alimentos mais baratos beneficiam o consumidor, mas preços que não cobrem os custos podem levar à redução da área no ciclo seguinte. Crédito, produtividade e comercialização interferem nessa decisão e na quantidade que chegará ao mercado.
A CNA também chamou atenção para a outra ponta do abastecimento: o acesso das famílias. Produzir mais é parte da resposta, mas não resolve sozinho a falta de dinheiro para comprar alimentos. Em setembro, os preços da alimentação no domicílio subiram 0,96%, após três meses de queda, conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A pesquisa de segurança alimentar do IBGE referente a 2024 registrou 18,9 milhões de domicílios com algum grau de dificuldade de acesso à alimentação, ou 24,2% do total. Houve melhora em relação a 2023, com 2,2 milhões de lares a menos nessa condição. Ainda assim, 2,5 milhões estavam no grau mais grave, quando a falta de comida se torna uma experiência vivida dentro de casa.
Ciência, tecnologia e transporte também integraram a discussão no Senado. Para a produção chegar ao consumidor, o ganho obtido na lavoura precisa ser acompanhado por armazenagem, conservação e condições de escoamento. No caso de frutas e hortaliças, falhas nesse caminho podem resultar em perdas antes da venda.
A defesa apresentada pela CNA combina, assim, duas necessidades do abastecimento: manter uma produção capaz de atender ao Brasil e ao exterior e ampliar o acesso aos alimentos. Para quem vive da atividade rural, isso passa por rendimento na lavoura, custos sob controle e preços que sustentem o próximo plantio.
A homenagem reuniu representantes do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, da Secretaria Nacional de Segurança Hídrica, da Embrapa, da Codevasf, da Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem e da Rede Nacional de Agricultura Irrigada.
Fonte: Pensar Agro
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