POLÍTICA NACIONAL
Debatedoras fazem sugestões para novo PNE na área de pesquisa
POLÍTICA NACIONAL
O novo Plano Nacional de Educação (PNE – PL 2.614/2024) pode ser aprimorado na área de pesquisa. De acordo com especialistas ouvidas plea Comissão de Educação (CE), o novo PNE é um dos temas mais relevantes para o Brasil atualmente e precisa trazer diretrizes para fortalecer o setor.
A gerente do Departamento Regional do Centro-Oeste da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Julieta Palmeira, cobrou mais investimentos e estímulos à formação de projetos em rede, que integram vários setores ligados à pesquisa e à tecnologia. Para ela, a aproximação da universidade com a indústria é uma necessidade do desenvolvimento brasileiro com foco na inovação.
— Temos que dialogar com as novas realidades — alertou.
A diretora de Cooperação Institucional, Internacional e Inovação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Dalila Andrade Oliveira, traçou uma relação entre a atuação do órgão e as metas, destacando que o CNPq pode contribuir com várias estratégias do projeto..
— Se nós vamos avançar em educação em tempo integral, nós precisamos aproveitar o tempo útil desses jovens na escola para o desenvolvimento do conhecimento. Não há país soberano sem um projeto de pesquisa forte — registrou.
Na visão da presidente da Fundação Joaquim Nabuco, Marcia Angela da Silva Aguiar, o novo PNE é digno de elogios, sempre há espaço para melhorar. Ela lembrou a responsabilidade do Congresso Nacional com o tema e sugeriu a promoção de políticas públicas setoriais em educação sustentável, maior integração entre educação e cultura e valorização dos profissionais de educação.
— A educação não pode ser tratada de forma separada da cultura e da sustentabilidade ambiental. As metas estratégicas podem ser melhor dimensionadas em muitos aspectos — ponderou.
Mestres e doutores
A presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Denise Pires de Carvalho, afirmou que o Brasil já vem cumprindo as suas metas de formação de mestres e doutores, mas o novo PNE pode incentivar que as entidades de ensino superior tenham mais doutores em seus corpos docentes. Segundo ela, as instituições públicas de ensino superior têm hoje mais de 70% de doutores em seus quadros. As privadas, porém, têm menos de 30% de doutores atuando nos cursos de graduação.
— Doutores são importantíssimos para o desenvolvimento científico e tecnológico do nosso país, para o setor produtivo não acadêmico e para a produção de conhecimento. É importante aumentarmos o número de doutores formados por ano para que eles possam atuar tanto na educação quanto na área de ciência, tecnologia e inovação e na indústria.
A meta do novo PNE é formar 35 mestres e 20 doutores ao ano por 100 mil habitantes. A presidente da Capes lembrou que a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é a formação de 300 mestres e 20 doutores ao ano por 100 mil habitantes.
Audiências
O projeto do novo PNE ainda está na Câmara dos Deputados, mas já vem sendo debatido na Comissão de Educação (CE) desde o ano passado, conforme requerimento (REQ 3/2025 – CE) proposto pela presidente da comissão, senadora Teresa Leitão (PT-PE). O debate sobre a área de pesquisa aconteceu na terça-feira (19).
— As audiências têm nos dado um olhar diverso sobre o novo plano. Precisamos corrigir algumas falhas e ter foco em uma educação de qualidade — disse a senadora. Na ocasião, ela celebrou o fato de a audiência ter uma mesa “100% mulher”.
Teresa disse que o objetivo dos debates é fazer com que o texto do projeto tenha o máximo de consenso quando chegar da Câmara. Ela afirmou que a intenção é que o novo PNE seja aprovado até o final do ano, já que o atual plano (Lei 13.005, de 2014) já foi prorrogado até 2025.
De acordo com o senador Flávio Arns (PSB-PR), o PNE é importante por abranger todas as fases da educação, desde a educação infantil até os cursos de especialização e pós-graduação. Ele defendeu uma maior integração entre as faculdades e as indústrias, como forma de alavancar o desenvolvimento nacional.
— Temos coisas boas na educação brasileira, mas queremos avançar mais — ressaltou o senador.
PNE
O Plano Nacional de Educação (PNE) é um documento que estabelece diretrizes, metas e estratégias para a política educacional dentro de um período de dez anos. Com base no plano, os governos estruturam seus planos específicos, decidem compras e direcionam investimentos, conforme o contexto e a realidade local.
De acordo com o Ministério da Educação, o PNE é um plano para todo o país, com responsabilidades compartilhadas entre a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios. Por ser decenal, ultrapassa diferentes gestões de governo, superando a descontinuidade das políticas públicas a cada mudança de condução político-partidária.
Aumento de salário para os professores, mais vagas em creches, melhor estrutura para escolas e canais de participação popular são alguns dos temas que estão presentes no novo PNE.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Discussão sobre fim da escala de trabalho 6×1 continua em agosto
O fim da chamada escala 6×1, com seis dias de trabalho e um de folga por semana, seguirá em discussão no Senado em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa de alguns senadores é de que a PEC 221/2019 seja votada após a volta dos trabalhos.
Além de acabar coma escala 6×1, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.
O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, determinou que a proposta passasse pelas comissões.
O presidente do Senado tem se reunido com os setores interessados no tema para discutir a proposta. No início de julho, a reunião foi com as centrais sindicais, que defenderam o avanço na análise do texto. Antes, em maio, ele já havia recebido integrantes dos empregadores, que defenderam a votação da proposta somente após as eleições.
Agosto
Em entrevista na segunda-feira (13), o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o fim da escala 6×1 é “prioridade absoluta” para o governo e que continuará trabalhando para que a votação ocorra assim que possível.
— Mesmo no período das eleições, o Senado vai funcionar em esforços concentrados e remotamente. Não impede que possamos ainda votar a PEC do fim da escala 6×1 em agosto. Nós vamos, ainda, insistir em avançar sobre essa proposta de emenda à Constituição ainda nesse período.
As semanas de esforço concentrado serão entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, e devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara, conforme anunciado por Davi Alcolumbre na quarta-feira (15).
— O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico — informou Davi.
Defesa
Em pronunciamentos recentes, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da proposta, disse ter esperança de que a votação ocorra em agosto. Para ele, o debate sobre a redução da jornada não “pertence” ao governo, à oposição e nem aos partidos políticos, e sim ao povo.
— Tenho muita esperança de que a PEC vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão — defendeu.
Para Paim, o fim da escala 6×1 fará a produtividade do trabalhador brasileiro aumentar, ao invés de diminuir. Ele argumentou que países com jornadas menores apresentam índices mais elevados de produtividade por hora trabalhada.
Também em defesa do avanço na análise da PEC, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comparou a jornada dos trabalhadores à dos parlamentares. Ele lembrou que o período de campanha eleitoral começa em agosto e disse que o eleitor precisa cobrar seus representantes.
— Muitos que vão aí pedir voto para você não querem votar o fim da escala 6×1, querem fazer você trabalhar igual a um condenado no 6×1, e nós aqui trabalhando, durante este ano de 2026, o que não vai dar nem um mês de trabalho, do jeito que está aí — criticou.
Eleições
Outros senadores demonstram preocupação com os efeitos da PEC e defendem que a votação fique para depois das eleições. Em sessão temática no início de julho, o líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), defendeu o amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral.
— Não é proibido, não é interditado discutirmos jornada de trabalho. Pelo contrário, é uma discussão que tem que acontecer. Mas por que agora? Por que neste momento? — questionou o senador.
No mesmo debate, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que votará a favor da PEC, mas defendeu que o debate seja feito com serenidade e que todos os setores sejam ouvidos para que a solução seja equilibrada.
— Estamos falando da vida de milhões de brasileiros, de tempo dedicado à família, ao descanso, à qualificação profissional e, ao mesmo tempo, da competitividade das empresas e da capacidade de gerar empregos. É justamente por isso que este debate exige serenidade, responsabilidade e diálogo — ponderou.
Outras propostas
Também na sessão temática, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) criticou a falta de estudos de impacto econômico e social da medida durante a análise na Câmara e afirmou que a PEC vai ter consequências negativas na economia. Ele defendeu a aprovação de outra proposta em análise no Senado.
— Defendemos a PEC 12/2026, que permite ao trabalhador negociar uma jornada flexível de acordo com as suas necessidades. Direitos como férias, décimo terceiro e FGTS seguirão de forma proporcional à jornada acordada — garantiu.
A proposta foi apresentada pelo senador Rogerio Marinho logo após a chegada da PEC 221 ao Senado. Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual prevalece sobre possíveis acordos coletivos. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.
Na Câmara, a PEC 221 era analisada junto com outra proposta, a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que previa uma carga máxima de 36 horas em quatro dias de trabalho. O texto foi arquivado.
Outro projeto, o PL 1.838/2026, foi apresentado em abril pelo Executivo. Ele define em 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho e garantir ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Após a aprovação da PEC 221, o governo retirou o pedido de urgência para o projeto, que segue em análise na Câmara.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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