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Trigo: safra brasileira avança, preços recuam no mercado interno e Chicago fecha em leve alta

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O mercado de trigo no Brasil segue registrando quedas em agosto, segundo levantamento do Cepea. A pressão vem do bom andamento da safra nacional e também da produção argentina, principal origem do trigo importado pelo País. A desvalorização dos contratos internacionais reforça esse cenário de retração no mercado doméstico.

No Rio Grande do Sul, dados da Emater/RS apontam que a boa disponibilidade hídrica, temperaturas amenas e maior luminosidade têm favorecido as lavouras. Já no Paraná, informações da Seab/Deral destacam que as chuvas recentes melhoraram o potencial produtivo, além de auxiliar no manejo e no controle de doenças.

Negociações lentas no Sul do Brasil

O ritmo de negociações segue baixo no Sul, conforme análise da TF Agroeconômica. No Rio Grande do Sul, compradores indicam preços em torno de R$ 1.250,00 para o interior, enquanto vendedores pedem R$ 1.300,00 para retirada em setembro e pagamento em outubro. Em Lagoa Vermelha, o trigo branquedor está cotado a R$ 1.650,00 FOB.

A expectativa é que os estoques da safra velha se encerrem em setembro, ficando concentrados nos moinhos. Até agora, cerca de 90 mil toneladas da safra nova foram comercializadas, sendo 60 mil para exportação e 30 mil destinadas a moinhos.

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Em Santa Catarina, o mercado ainda não registrou negócios relevantes da nova safra. Pequenos lotes foram negociados com preços entre R$ 72,00 e R$ 78,00 por saca, variando conforme a região. Já no Paraná, o mercado spot permanece travado: o trigo local recuou para R$ 1.400 CIF, enquanto o futuro é cotado a R$ 1.300 CIF nos moinhos.

O trigo importado, principalmente no porto de Paranaguá, segue mais competitivo que o nacional. As cotações variam entre R$ 1.312,80 e R$ 1.395,00 CIF, dependendo da região. Para a safra 2024, o preço do trigo argentino alcança US$ 276 a US$ 278/t, e para 2025, entre US$ 265 e US$ 267/t.

Rentabilidade do produtor em queda no Paraná

A média dos preços pagos aos triticultores paranaenses recuou 0,57% na semana, chegando a R$ 75,44/saca, segundo o Deral. Já o custo de produção atualizado está em R$ 72,89/saca, reduzindo a margem de lucro médio de 4,09% para 3,5%. Apesar disso, o mercado futuro já chegou a oferecer oportunidades de rentabilidade de até 32,1%.

Chicago fecha semana em leve alta

No mercado internacional, as cotações do trigo em Chicago oscilaram entre 15 e 21 de agosto, mas encerraram a semana com leve recuperação. Segundo a Ceema, o contrato do primeiro mês chegou a cair para US$ 4,98/bushel, mas fechou a quinta-feira (21) em US$ 5,07, frente aos US$ 5,03 da semana anterior.

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Nos Estados Unidos, a colheita do trigo de inverno alcançou 94% da área até 17 de agosto, próximo à média histórica de 95%. Já o trigo de primavera atingiu 36% da área colhida, em linha com a média.

Quanto às exportações, os EUA embarcaram 395,24 mil toneladas de trigo na semana encerrada em 14 de agosto, totalizando 4,8 milhões de toneladas no atual ano comercial – ligeiramente acima das 4,64 milhões do ciclo anterior.

Argentina projeta colheita acima de 20 milhões de toneladas

Apesar de o USDA ter reduzido a estimativa de produção argentina para 19 milhões de toneladas em seu relatório de agosto, o mercado local mantém projeções mais otimistas. Segundo a Ceema, a expectativa é de que a colheita supere a marca de 20 milhões de toneladas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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