AGRONEGÓCIO
Expansão da internet no campo aumenta PIB do Paraná em R$ 2 bilhões
AGRONEGÓCIO
A ampliação da cobertura de internet em áreas rurais do Paraná, por meio do programa Conectividade Rural, já contribuiu com R$ 2,08 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, segundo estudo do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).
O levantamento aponta que a expansão digital também gerou 41 mil novas ocupações formais e informais e um aumento de R$ 63 milhões na arrecadação anual de ICMS, além de elevar em 37% a produtividade agrícola em regiões conectadas em comparação a áreas com baixa cobertura.
Paraná lidera avanço em cobertura rural no Brasil
Dados da Anatel, atualizados entre junho de 2023 e junho de 2024, mostram que o Paraná registrou o maior crescimento na cobertura de internet em áreas rurais no País, passando de 52,73% para 62,21%, um aumento de 9,48 pontos percentuais. Outros estados com destaque foram Espírito Santo (8,7 pp), Minas Gerais (7,3 pp), Rio Grande do Norte (7 pp) e Santa Catarina (6,7 pp).
Com território de 199 mil km², sendo apenas 4 mil km² urbanos, o Paraná incorporou 19.373 km² de áreas rurais à conexão, beneficiando diretamente 88 municípios em todas as regiões do Estado, do Litoral ao Oeste e Sudoeste, incluindo cidades como Cascavel, Toledo, Palotina, Guaraqueçaba, Ponta Grossa, Londrina, Maringá, Campo Mourão e Guarapuava.
Parcerias estratégicas com operadoras viabilizam expansão
O programa Conectividade Rural firmou parcerias com as operadoras TIM e Claro para instalar 541 novas torres de telefonia e internet, financiadas por um modelo inovador de uso de créditos de ICMS.
- TIM: 116 torres concluídas em dezembro de 2024 e outras 43 em instalação na região da Usina de Santa Terezinha.
- Claro: 83 torres já instaladas de um total de 382, com mais 144 previstas até o fim de 2025 e as 155 restantes previstas para 2026.
Tecnologia a serviço da segurança pública
Além do impacto econômico, a conectividade também é estratégica para segurança pública, especialmente em áreas de fronteira com o Paraguai. A instalação de 16 torres da Claro até dezembro de 2025 vai melhorar a comunicação no Lago de Itaipu, fortalecendo a atuação das Patrulhas Rurais da Polícia Militar do Paraná no combate a crimes transfronteiriços.
Meta de conectar 100% do campo paranaense
O plano é coordenado pela Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial (SEIA) em parceria com a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Secretaria da Fazenda e outros 17 órgãos. O objetivo é garantir 100% de conectividade nas áreas rurais do Estado até o final de 2026.
O secretário da Inovação e Inteligência Artificial, Alex Canziani, destaca:
“Temos várias frentes de trabalho para ampliar ainda mais o acesso à internet em regiões que nunca tiveram conexão. Isso significa mais qualidade de vida para quem mora no campo, mais rentabilidade para o agronegócio e maior desenvolvimento para o Paraná.”
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo
Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.
O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.
A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.
A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.
A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.
Isan Rezende
INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.
Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.
Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.
O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.
No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.
Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.
Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.
Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.
Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.
Fonte: Pensar Agro
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