POLÍTICA NACIONAL
CE: debatedores reiteram que o Fundeb é fundamental para a educação pública
POLÍTICA NACIONAL
Em audiência pública nesta quarta-feira (10), professores e gestores afirmaram à Comissão de Educação (CE) que o Fundeb tem papel fundamental na manutenção e na melhoria da rede pública de ensino em todo o país.
Eles defenderam a manutenção do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) como política pública permanente, com recursos periódicos garantidos e fiscalização efetiva.
A audiência foi presidida pela senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO). Ela é a relatora da avaliação que a CE faz este ano sobre o Fundeb.
Para Dorinha, a aplicação dos recursos do fundo precisa de avaliação periódica. A senadora informou que serão realizadas outras cinco audiências públicas, com representantes de diferentes setores ligados ao Fundeb, para discutir normas, distribuição, sustentabilidade financeira e resultados. Ela também destacou que é necessário buscar novas fontes de financiamento desse fundo.
— É indiscutível a importância do Fundeb — disse a relatora, ressaltando que vai propor, em seu relatório, aperfeiçoamentos legislativos para o fundo e seu financiamento.
Criado para financiar a educação básica no Brasil, o Fundeb começou a funcionar em 2007, tornando-se permanente em 2020. Ele reúne recursos da União, dos estados, dos municípios e do Distrito Federal, e os distribui de forma proporcional entre as redes públicas de ensino. A previsão de receita do fundo em 2025 é de R$ 325,5 bilhões.
O fundo representa a principal fonte de financiamento da educação básica, assegurando salários de professores e manutenção de escolas em todo o território nacional.
Representando o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), o secretário-executivo da Educação do estado de São Paulo, Vinícius Mendonça Neiva, afirmou que o Fundeb é uma conquista da sociedade brasileira no que se refere ao financiamento da educação básica. Ele disse que a distribuição nacional desses recursos tem importância decisiva na redução de desigualdades sociais e regionais.
— Sem o Fundeb não teríamos condições de financiar a educação pública no país como um todo — afirmou.
Vinícius explicou que a maior parte dos recursos do Fundeb é arrecadada pelos estados e redistribuída a todo o país, com complementações da União que servem para equalizar investimentos mínimos, ou seja, estados e municípios mais carentes têm prioridade para receber esse dinheiro extra. Ele também disse que recursos do fundo são repassados de forma automática e periódica a estados e municípios, o que permite previsibilidade e segurança para o fluxo de pagamentos das redes de ensino.
— O Fundeb é fundamental. Sem o Fundeb não existe política pública de educação dentro do país — insistiu o secretário.
O diretor de Gestão de Fundos e Benefícios do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), André Gustavo Santos Lima Carvalho, explicou que o FNDE ajuda estados e municípios com assessoria técnica e monitoramento para a aplicação adequada do dinheiro vindo do Fundeb.
— O Fundeb é o norteador da educação brasileira — disse o diretor.
Em sua avaliação, o Fundeb é “a melhor forma de distribuição de valores para a educação em âmbito nacional” do mundo e deveria servir como modelo para outros países. Entretanto, ele ressaltou a importância do acompanhamento e da fiscalização para que haja boa e eficaz aplicação dos recursos públicos.
A professora e secretária-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Fátima Silva, disse que o Fundeb ajudou a ampliar os recursos para a educação, assegurando um piso salarial nacional e aumentando as matrículas. Mas ela alertou para a grande quantidade de crianças, jovens e adultos fora da escola.
A professora apresentou dados que mostram que quase 60% das crianças de 0 a 3 anos estão fora da creche; 68 milhões de pessoas acima de 15 anos não completaram o ensino médio; e 24% dos jovens entre 18 e 24 anos não estudam nem trabalham.
Fátima Silva defendeu a criação de piso salarial também para os demais profissionais da educação, não só os do magistério, e a manutenção da vinculação constitucional de recursos para a educação.
— É essencial e imprescindível que essa vinculação continue — afirmou a professora.
Ela também afirmou que o país precisa aperfeiçoar o controle social sobre o Fundeb para evitar fraudes. E disse que a CNTE já recebeu denúncias de desvios de dinheiro e de má aplicação com recursos do fundo.
Fátima Silva defendeu, ainda, a contratação de mais profissionais da educação por meio de concurso público. Segundo ela, pelo menos 50% dos professores brasileiros são temporários atualmente.
Também participaram do debate o diretor de Monitoramento, Avaliação e Manutenção da Educação Básica do Ministério da Educação, Valdoir Pedro Wathier; e o secretário de Educação da cidade de Canarana (MT), Eduardo Ferreira da Silva, que representou a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).
A presidente da CE é a senadora Teresa Leitão (PT-PE), que também é professora.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Comissão aprova projeto com programa de emprego e formação para jovens indígenas
A Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais da Câmara dos Deputados aprovou proposta que cria programa de emprego e formação para jovens indígenas.
O programa prevê incentivos à contratação, qualificação profissional e acesso a políticas públicas de desenvolvimento socioeconômico para indígenas entre 18 e 29 anos.
A identificação dos beneficiários será feita por autodeclaração e reconhecimento pela própria comunidade, respeitando o princípio da autodeterminação dos povos indígenas.
Objetivos principais
O programa tem quatro objetivos centrais:
- estimular a contratação de jovens indígenas por órgãos públicos federais e empresas privadas;
- fomentar a qualificação técnica e profissional por meio de cursos gratuitos em parceria com entidades públicas e serviços sociais autônomos;
- contribuir para a autonomia econômica das comunidades indígenas, com respeito à identidade cultural; e
- ampliar o acesso a políticas de empregabilidade em regiões com alta concentração de população indígena.
Incentivos às empresas
As empresas privadas que aderirem ao programa e comprovarem a contratação de jovens indígenas terão direito a:
- redução de 50% da contribuição patronal à Previdência Social sobre o salário do jovem contratado, por até 36 meses;
- prioridade na participação em programas e editais federais de inovação e desenvolvimento regional;
- preferência de contratação em licitações públicas, como critério de desempate (quando as propostas forem iguais ou até 10% superiores à mais bem classificada);
- isenção de taxas federais para registro e regularização trabalhista do jovem contratado.
O benefício fiscal de redução da contribuição patronal depende de prévia estimativa de impacto orçamentário e de medidas de compensação, conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Os editais de licitação para contratação de serviços contínuos com dedicação exclusiva de mão de obra também poderão prever o emprego de jovens indígenas.
Inclusão produtiva
O texto aprovado é um substitutivo da Comissão de Trabalho ao Projeto de Lei 3940/25, do deputado Defensor Stélio Dener (União-RR).
A relatora, deputada Dandara (PT-MG), afirmou que o Censo 2022 apontou uma sub-representação da população indígena ocupada e com rendimentos do trabalho. Além disso, o rendimento médio dos indígenas ocupados é menor que os demais grupos étnico-raciais. “O projeto reconhece a situação dos jovens indígenas e propõe instrumentos concretos de inclusão produtiva, sem desconsiderar a diversidade cultural e os modos próprios de vida dessas comunidades”, disse.
Parcerias e regulamentação
A execução do programa contará com parcerias com institutos federais, universidades públicas, serviços sociais autônomos, organizações indígenas registradas e órgãos estaduais e municipais de emprego e desenvolvimento.
O Poder Executivo será responsável por regulamentar o programa, definindo critérios de adesão das empresas, parâmetros de comprovação da identidade indígena e metas regionais conforme a concentração populacional e a taxa de desemprego entre jovens indígenas.
O texto aprovado determina que o tratamento de dados pessoais dos beneficiários – incluindo informações sensíveis sobre origem étnica e cultural – seguirá as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD, Lei 13.709/18).
Acesso à informação
O projeto também garante aos trabalhadores indígenas o acesso a informações claras sobre seus direitos trabalhistas, respeitando suas especificidades culturais e linguísticas.
Sempre que possível, as ações de orientação serão feitas em cooperação com lideranças e organizações indígenas, com uso de materiais bilíngues adaptados às realidades locais.
Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.
Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Pierre Triboli
Fonte: Câmara dos Deputados
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