AGRONEGÓCIO
ICAP de agosto mostra margens robustas no confinamento mesmo com custos acima de 2024
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Recorde de produção de grãos alivia custos no confinamento
Em agosto de 2025, o Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP) apresentou comportamento semelhante nas principais regiões produtoras do Brasil. No Centro-Oeste, o índice fechou em R$ 14,14, uma queda de 3,02% em relação a julho, enquanto no Sudeste atingiu R$ 12,53, recuo de 1,18%.
A safra 2024/2025 trouxe recordes de produção em soja, milho, sorgo, arroz e algodão, impulsionada por clima favorável, ganhos de produtividade e investimentos no setor agrícola. Esse aumento na oferta contribuiu para a redução dos preços dos grãos, trazendo alívio aos custos de nutrição no confinamento.
Ao mesmo tempo, o avanço das exportações de carne bovina manteve a arroba valorizada, garantindo margens positivas aos pecuaristas mesmo com custos acima de 2024.
ICAP por região: análise trimestral
Centro-Oeste
No Centro-Oeste, a redução do ICAP foi puxada pelos insumos protéicos e energéticos, que caíram 14,75% e 4,63%, respectivamente, em relação ao trimestre anterior (maio a julho). Entre os principais itens, destacam-se:
- Milho grão seco: -12,59%
- Farelo de soja: -7,62%
- WDG: -2,54%
O custo da dieta de terminação, a mais cara do ciclo produtivo, fechou em R$ 1.146,25 por tonelada de matéria seca, redução de 11,41%.
Sudeste
No Sudeste, a queda de 1,43% nos insumos energéticos foi determinante para a redução do ICAP e do custo das dietas. A dieta de terminação registrou R$ 1.183,40 por tonelada de matéria seca, recuo de 3,00% frente ao trimestre anterior.
Entre os destaques de queda, estão:
- Caroço de algodão: -9,84%
- Polpa cítrica: -8,90%
- Farelo de amendoim: -4,96%
- Milho grão seco: -3,42%
Contradição anual: safra recorde e custos ainda acima de 2024
Apesar da safra recorde de grãos, os custos da nutrição animal em agosto permaneceram superiores a 2024: alta de 3,21% no Centro-Oeste e 12,98% no Sudeste.
O aumento reflete o apetite da própria pecuária. Com a arroba valorizada, mais animais foram confinados, elevando a demanda por milho, soja e coprodutos. O crescimento de outras proteínas — leite, ovos, frango e suínos — também contribuiu para manter os custos nutricionais firmes.
Além disso, a diversificação das exportações brasileiras, impulsionada por ajustes comerciais internacionais, manteve a arroba do boi gordo aquecida, garantindo margens robustas aos produtores.
Estimativa de custos e margens do confinamento
Com base no ICAP de agosto, o custo estimado da arroba produzida foi:
- Centro-Oeste: R$ 207,50
- Sudeste: R$ 198,90
Esses valores permitem lucros estimados superiores a R$ 840,00 por cabeça na região Sudeste e R$ 780,00 por cabeça no Centro-Oeste, considerando apenas o preço de balcão.
Para ampliar a lucratividade, os pecuaristas devem focar na eficiência produtiva e buscar bonificações junto aos frigoríficos, como o diferencial de preço do Boi China, que varia entre R$ 5,00 e R$ 7,50 por arroba, dependendo da região.
Estimativa de lucratividade realizada com cotação de arroba balcão, sem considerar bonificações por rastreabilidade, padrão de qualidade e protocolos de mercado.

Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Mais terra, crédito e tecnologia para mulheres podem ampliar produção e renda no campo
Ampliar o acesso das mulheres à terra, ao crédito e à tecnologia pode aumentar a produção de alimentos e a renda no campo. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), eliminar as diferenças de produtividade e remuneração entre mulheres e homens nos sistemas agroalimentares elevaria o Produto Interno Bruto (PIB) mundial em aproximadamente 1% e reduziria em 45 milhões o número de pessoas em insegurança alimentar.
A estimativa dá dimensão econômica ao apelo feito pela ONU Mulheres nesta quinta-feira (15), Dia Internacional da Mulher Rural. A entidade cobrou de governos, bancos e empresas investimentos diretamente nas produtoras e a retirada de obstáculos que limitam sua participação nos negócios. A mobilização ocorre em 2026, declarado pelas Nações Unidas o Ano Internacional das Mulheres na Agricultura.
No Brasil, o Censo Agropecuário de 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou mulheres na direção de 18,7% dos estabelecimentos, ante 12,7% em 2006. Eram cerca de 947 mil unidades sob comando feminino.
A diferença aparece também no tamanho das áreas. Uma análise dos dados censitários feita pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com o IBGE e o Ministério da Agricultura, mostrou que os estabelecimentos dirigidos por mulheres somavam aproximadamente 30 milhões de hectares, apenas 8,5% da área total. O Nordeste concentrava 57% das unidades comandadas por produtoras.
A presença feminina na gestão é maior quando se considera a administração compartilhada. Segundo o IBGE, cerca de 817 mil mulheres dividiam a direção com o cônjuge. Somadas às que apareciam como dirigentes, eram aproximadamente 1,76 milhão na condução dos estabelecimentos em 2017.
O avanço também aparece em dados recentes de trabalho. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo, com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), apontou aumento da participação relativa feminina no agronegócio no primeiro trimestre de 2026. Isso ocorreu porque a ocupação caiu menos entre as mulheres, 0,5%, do que entre os homens, 1,2%. A pesquisa abrange toda a cadeia, incluindo indústria e serviços.
No cenário mundial, a FAO identifica uma diferença de 24% na produtividade da terra entre propriedades de mesmo tamanho conduzidas por mulheres e homens. O relatório, publicado em 2023, relaciona essa distância à discriminação e ao acesso desigual a financiamento, capacitação, tecnologia e direitos sobre a terra.
Isso significa que comparar apenas o volume colhido deixa parte do problema de fora. A disponibilidade de dinheiro para comprar insumos, de equipamentos adequados e de orientação técnica interfere no resultado da lavoura. As mulheres também acumulam com maior frequência o trabalho produtivo e os cuidados domésticos não remunerados, o que reduz o tempo disponível para formação e negócios. fao.org
A vulnerabilidade aumenta diante de secas, calor e enchentes. A FAO aponta que o acesso limitado a recursos dificulta a adaptação das famílias chefiadas por mulheres às mudanças climáticas. Investir em orientação técnica, infraestrutura e financiamento também faz parte da preparação para enfrentar perdas na produção.
recuperação de terras. A cobrança inclui proteção social e serviços que reduzam a sobrecarga de cuidados. O objetivo é permitir que a participação das mulheres na produção se traduza também em renda e poder de decisão sobre o próprio negócio.
Fonte: Pensar Agro
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