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Aprovada no Senado, MP deve reduzir fila para atendimento por especialista no SUS

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Aprovada na quarta-feira (24) pelo Senado, a medida provisória que cria o Programa Agora Tem Especialistas busca acelerar o atendimento de pacientes  por médicos especialistas no Sistema Único de Saúde (SUS). Um dos meios para a ampliação do atendimento é a parceria com hospitais privados. 

A MP 1.301/2025, que perderia a validade caso não fosse aprovada pelo Congresso até sexta-feira (26), seguiu para a sanção presidencial com alterações no texto, feitas pelo relator na comissão mista que analisou a medida, senador Otto Alencar (PSD-BA), e pelos deputados.

O programa espera ampliar o atendimento por meio de três eixos principais:

  • credenciamento de hospitais privados para atendimento a usuários do SUS com pagamento em créditos tributários;
  • troca de débitos de operadoras de planos de saúde por prestação de serviços assistenciais;
  • execução direta, pela União, de ações e serviços especializados em situações de urgência.

O objetivo é superar a falta de profissionais nos serviços de atenção especializada. Dados do Ministério da Saúde apontam concentração de médicos especialistas desproporcional entre os estados.

Também há desigualdade entre as redes privada e pública: apenas 10% dos especialistas atendem no SUS. Além disso, o governo cita desafios como a distância que alguns pacientes precisam percorrer para ter acesso a tratamento de câncer, por exemplo.

Áreas prioritárias

Para a expansão da oferta de serviços especializados, o programa vai credenciar clínicas, hospitais filantrópicos e privados para atendimento com foco em áreas prioritárias, como oncologia, ginecologia, cardiologia, ortopedia, oftalmologia e otorrinolaringologia.

A participação depende de credenciamento específico, condicionado à regularidade fiscal das entidades. O número de atendimentos observará o limite financeiro global de créditos, de R$ 2 bilhões anuais. A partir de exercício de 2026, o Poder Executivo deve incluir essa renúncia de receita na Lei Orçamentária Anual.

De acordo com a Portaria 7307/25, do Ministério da Saúde, esse limite global para custear os serviços será dividido da seguinte maneira entre as regiões:

  • 24% na Região Nordeste
  • 8% na Região Norte
  • 10% na Região Centro-Oeste
  • 36,5% na Região Sudeste
  • 11,5% na Região Sul

Outros 10% dos recursos serão alocados em serviços considerados estratégicos pela Secretaria de Atenção Especializada à Saúde do ministério, após pactuação na Comissão Intergestores Tripartite (CIT) do SUS.

A contratação será feita pelos estados e municípios, ou de maneira complementar pela Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS) e pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), empresa pública vinculada ao Ministério da Saúde.

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Em julho, após a edição da medida provisória, a AgSUS abriu editais para a contratação de unidades móveis de saúde e também de empresas que ofertem profissionais, equipamentos e insumos para aumentar a ocupação de unidades de saúde com capacidade ociosa.

Incentivo 

A medida provisória cria também o Projeto Mais Médicos Especialistas, que funcionará no âmbito do Programa Mais Médicos com o objetivo de diminuir a carência de profissionais na rede pública. A participação é exclusiva para os médicos formados no Brasil ou com diploma revalidado e com certificados de especialista.

A seleção será por meio de editais, e os médicos poderão receber bolsa-formação e demais benefícios do projeto quando se tratar de ações de aprimoramento de médicos especialistas por meio da integração ensino-serviço.

Durante a análise da MP pela comissão mista, Otto Alencar acatou emenda que garante adicional para médicos que se dispuserem a trabalhar em municípios situados na Amazônia Legal, em territórios indígenas ou em áreas com classificação socioeconômica de alta vulnerabilidade. Esse adicional deve ser regulamentado pelo Ministério da Saúde.

Na Câmara dos Deputados, foi feita outra alteração no texto para condicionar o pagamento desse adicional à disponibilidade orçamentária.

Radioterapia

A MP acrescenta à lei que trata do primeiro tratamento de pacientes com câncer (Lei 12.732, de 2012) ações para a ampliação do acesso ao tratamento radioterápico. A intenção é diminuir o tempo de espera pelo tratamento, com a integração dos sistemas de informação do Ministério da Saúde.

O programa prevê painéis de monitoramento que integrem toda a demanda e a oferta de radioterapia disponível em serviços públicos e privados em território nacional. Os estabelecimentos de saúde que possuírem equipamentos de radioterapia deverão informar periodicamente a relação entre a oferta e a demanda de novos usuários.

Os estabelecimentos que não cumprirem a regra ficarão impedidos de receber benefícios como  doações dedutíveis no Imposto de Renda e subsídios ou linhas de financiamento federais para ampliação e modernização dos parques tecnológicos.

O texto determina que pacientes com câncer em tratamento radioterápico em outro município terão transporte por ambulância e pagamento de diárias para custear alojamento e alimentação durante todo o período. Isso dependerá, no entanto, de disponibilidade orçamentária específica.

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Uma mudança feita na comissão mista incluiu medidas para ampliação do acesso ao tratamento de hemodiálise para pacientes com doenças renais crônicas. O texto aprovado garante a esses pacientes a mesma regra de pagamento de diárias previsto originalmente na MP para os pacientes radioterápicos, quando o tratamento for em outra cidade.

Troca de dívidas

A medida provisória estabelece que hospitais privados e filantrópicos poderão realizar consultas, exames e cirurgias de pacientes do SUS como contrapartida para sanar dívidas com União. A adesão será opcional.

Além dos hospitais, os planos de saúde poderão participar do programa, por meio de um termo de compromisso que especificará os serviços a serem prestados. Quando usuários de planos de saúde são atendidos no sistema público, os planos pagam por esse serviço. A intenção é de que essas empresas possam ressarcir os valores ao SUS por meio da oferta de atendimento gratuito.

O relator incluiu entre os débitos que podem ser convertidos em prestação de serviços os valores em contestação judicial, em depósito judicial ou em programas de repactuação de dívidas. Para ele, essa mudança traz mais efetividade ao ressarcimento, evita recursos parados em disputas prolongadas e antecipa benefícios concretos à população.

Telemedicina

Uma alteração feita na MP prevê que os atendimentos do programa poderão ser feitos, total ou parcialmente, por telemedicina. Para isso, devem ser respeitados os princípios do SUS, a confidencialidade das informações e o consentimento expresso do paciente.

A prioridade no uso da telemedicina é garantida para regiões remotas ou com comprovada escassez de médicos especialistas.

Centralização de dados

Para gerenciar a demanda e a oferta do Programa Agora Tem Especialistas, a medida provisória determina que o SUS centralizará, em um sistema de informática, dados públicos sobre o tempo médio de espera para consultas, procedimentos, exames e demais ações e serviços de atenção especializada à saúde.

As secretarias estaduais, distrital e municipais de Saúde deverão garantir o registro das informações em seus próprios sistemas e enviar, obrigatoriamente, os dados ao Ministério da Saúde.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Discussão sobre fim da escala de trabalho 6×1 continua em agosto

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O fim da chamada escala 6×1, com seis dias de trabalho e um de folga por semana, seguirá em discussão no Senado em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa de alguns senadores é de que a PEC 221/2019 seja votada após a volta dos trabalhos.

Além de acabar coma escala 6×1, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.

O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, determinou que a proposta passasse pelas comissões.

O presidente do Senado tem se reunido com os setores interessados no tema para discutir a proposta. No início de julho, a reunião foi com as centrais sindicais, que defenderam o avanço na análise do texto. Antes, em maio, ele já havia recebido integrantes dos empregadores, que defenderam a votação da proposta somente após as eleições.

Agosto

Em entrevista na segunda-feira (13), o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o fim da escala 6×1 é “prioridade absoluta” para o governo e que continuará trabalhando para que a votação ocorra assim que possível.

—  Mesmo no período das eleições, o Senado vai funcionar em esforços concentrados e remotamente. Não impede que possamos ainda votar a PEC do fim da escala 6×1 em agosto. Nós vamos, ainda, insistir em avançar sobre essa proposta de emenda à Constituição ainda nesse período.

As semanas de esforço concentrado serão entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, e devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara, conforme anunciado por Davi Alcolumbre na quarta-feira (15).

— O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico — informou Davi.

Defesa

Em pronunciamentos recentes, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da proposta, disse ter esperança de que a votação ocorra em agosto. Para ele, o debate sobre a redução da jornada não “pertence” ao governo, à oposição e nem aos partidos políticos, e sim ao povo.

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— Tenho muita esperança de que a PEC vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão — defendeu.

Para Paim, o fim da escala 6×1 fará a produtividade do trabalhador brasileiro aumentar, ao invés de diminuir. Ele argumentou que países com jornadas menores apresentam índices mais elevados de produtividade por hora trabalhada.

Também em defesa do avanço na análise da PEC, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comparou a jornada dos trabalhadores à dos parlamentares. Ele lembrou que o período de campanha eleitoral começa em agosto e disse que o eleitor precisa cobrar seus representantes.

— Muitos que vão aí pedir voto para você não querem votar o fim da escala 6×1, querem fazer você trabalhar igual a um condenado no 6×1, e nós aqui trabalhando, durante este ano de 2026, o que não vai dar nem um mês de trabalho, do jeito que está aí — criticou.

Eleições

Outros senadores demonstram preocupação com os efeitos da PEC e defendem que a votação fique para depois das eleições. Em sessão temática no início de julho, o líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), defendeu o amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral. 

— Não é proibido, não é interditado discutirmos jornada de trabalho. Pelo contrário, é uma discussão que tem que acontecer. Mas por que agora? Por que neste momento? — questionou o senador.

No mesmo debate, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que votará a favor da PEC, mas defendeu que o debate seja feito com serenidade e que todos os setores sejam ouvidos para que a solução seja equilibrada.

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— Estamos falando da vida de milhões de brasileiros, de tempo dedicado à família, ao descanso, à qualificação profissional e, ao mesmo tempo, da competitividade das empresas e da capacidade de gerar empregos. É justamente por isso que este debate exige serenidade, responsabilidade e diálogo — ponderou.

Outras propostas

Também na sessão temática, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) criticou a falta de estudos de impacto econômico e social da medida durante a análise na Câmara e afirmou que a PEC vai ter consequências negativas na economia.  Ele defendeu a aprovação de outra proposta em análise no Senado.

— Defendemos a PEC 12/2026, que permite ao trabalhador negociar uma jornada flexível de acordo com as suas necessidades. Direitos como férias, décimo terceiro e FGTS seguirão de forma proporcional à jornada acordada — garantiu.

A proposta foi apresentada pelo senador Rogerio Marinho logo após a chegada da PEC 221 ao Senado. Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual prevalece sobre possíveis acordos coletivos. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.

Na Câmara, a PEC 221 era analisada junto com outra proposta, a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que previa uma carga máxima de 36 horas em quatro dias de trabalho. O texto foi arquivado.

Outro projeto, o PL 1.838/2026, foi apresentado em abril pelo Executivo. Ele define em 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho e garantir ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Após a aprovação da PEC 221, o governo retirou o pedido de urgência para o projeto, que segue em análise na Câmara.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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