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Inflação de setembro tem alta de 0,48%, puxada pela energia elétrica; alimentos e transportes registram queda leve

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,48% em setembro, revertendo a queda de 0,11% registrada em agosto, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com o resultado, a inflação acumulada em 2025 chega a 3,64%, e o índice em 12 meses alcança 5,17%, ligeiramente acima dos 5,13% observados no período anterior. Em setembro de 2024, o IPCA havia registrado alta de 0,44%.

Energia elétrica residencial impulsiona alta no grupo Habitação

O grupo Habitação apresentou a maior variação entre os nove segmentos pesquisados, com alta de 2,97%. O principal responsável foi o aumento de 10,31% na energia elétrica residencial, que exerceu o maior impacto individual no índice do mês (0,41 p.p.).

O resultado reflete o fim do Bônus de Itaipu, creditado nas faturas de agosto, e a vigência da bandeira tarifária vermelha patamar 2, que adiciona R$ 7,87 a cada 100 kWh consumidos.

Reajustes tarifários também contribuíram para a alta:

  • São Luís: +27,30% (a partir de 28 de agosto);
  • Vitória: +12,37% (desde 7 de agosto);
  • Belém: +8,05% (desde 7 de agosto).

No acumulado de 2025, a energia elétrica sobe 16,42%, sendo o item de maior peso no IPCA do ano.

Água, esgoto e gás encanado têm leves reajustes

Ainda no grupo Habitação, a taxa de água e esgoto avançou 0,07%, influenciada pelos reajustes em Aracaju (+7,34%) e Vitória (+0,16%).

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O gás encanado teve variação de 0,01%, resultado do aumento em Curitiba (+0,20%) e da redução nas tarifas do Rio de Janeiro (-0,04%).

Alimentação e bebidas seguem em queda, com recuo nos preços de hortaliças

O grupo Alimentação e bebidas registrou queda de 0,26%, marcando o quarto mês consecutivo de retração.

A alimentação no domicílio caiu 0,41%, com destaque para reduções expressivas em itens básicos:

  • Tomate: -11,52%;
  • Cebola: -10,16%;
  • Alho: -8,70%;
  • Batata-inglesa: -8,55%;
  • Arroz: -2,14%.

Por outro lado, houve alta nas frutas (+2,40%) e no óleo de soja (+3,57%).

A alimentação fora de casa desacelerou, passando de 0,50% em agosto para 0,11% em setembro, com recuo nas refeições (-0,16%) e moderação nos lanches (+0,53%).

Transportes têm leve alta com aumento dos combustíveis

O grupo Transportes apresentou variação de 0,01%, revertendo a queda de 0,27% em agosto. O resultado foi influenciado pela alta média de 0,87% nos combustíveis, que haviam recuado 0,89% no mês anterior.

Desempenho dos combustíveis em setembro:

  • Etanol: +2,25%;
  • Gasolina: +0,75%;
  • Óleo diesel: +0,38%;
  • Gás veicular: -1,24%.

Entre as quedas, destacam-se o seguro voluntário de veículos (-5,98%) e as passagens aéreas (-2,83%). Já o táxi subiu 1,73%, refletindo reajustes médios em Belém (+8,54%) e São Paulo (+4,20%).

Outros grupos: vestuário, despesas pessoais e saúde

O grupo Vestuário subiu 0,63%, impulsionado por aumentos em roupas masculinas (+1,06%), infantis (+0,76%) e femininas (+0,36%).

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Em Despesas pessoais, a alta foi de 0,51%, com destaque para o pacote turístico (+2,87%) e o subitem cinema, teatro e concerto (+2,75%), que haviam caído 4,02% em agosto.

O grupo Saúde e cuidados pessoais teve avanço de 0,17%, influenciado pelos planos de saúde (+0,50%).

São Luís tem maior variação regional; Salvador lidera as quedas

Entre as regiões pesquisadas, São Luís registrou a maior variação (1,02%), impulsionada pelos aumentos na energia elétrica residencial (+27,30%) e no café moído (+4,31%).

Já Salvador teve o menor índice (0,17%), com quedas acentuadas no tomate (-20,08%) e no seguro voluntário de veículos (-6,36%).

INPC sobe 0,52% em setembro, acompanhando tendência do IPCA

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) apresentou alta de 0,52% em setembro, após avanço de 0,48% em agosto. O acumulado do ano é de 3,62%, e em 12 meses, o índice chega a 5,10%.

Os produtos alimentícios recuaram 0,33%, enquanto os não alimentícios avançaram 0,80%.

Entre as capitais, Vitória registrou o maior aumento (0,98%), influenciada pela energia elétrica (+12,53%) e gasolina (+3,76%), enquanto Salvador teve a menor variação (0,16%) devido às quedas no tomate (-20,08%) e em produtos de higiene pessoal (-0,93%).

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Guerra no Oriente Médio pode elevar custos no campo e pressionar inflação dos alimentos no Brasil

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As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a acender um alerta para o agronegócio global. Um estudo divulgado pelo Rabobank aponta que o prolongamento do conflito na região, aliado ao fechamento do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo — pode provocar aumento dos custos de produção agropecuária e pressionar a inflação dos alimentos no Brasil ao longo de 2026 e 2027.

Segundo a análise, o choque nos mercados de energia já está elevando os preços internacionais do petróleo e do gás natural, criando uma cadeia de impactos que alcança combustíveis, fertilizantes, transporte e logística agrícola.

Petróleo mais caro aumenta custos da produção rural

O relatório destaca que a valorização das commodities energéticas tem efeito direto sobre a atividade agropecuária. O diesel, principal combustível utilizado nas operações agrícolas e no transporte de cargas, tende a registrar alta de preços, elevando os custos desde o plantio até a distribuição dos alimentos.

Além disso, a produção mundial de fertilizantes depende fortemente de gás natural e derivados de petróleo. Com a elevação dos preços desses insumos, a tendência é de aumento nos gastos dos produtores rurais em diversas culturas.

De acordo com as projeções do Rabobank, o Índice de Commodities do Banco Central para Energia (IC-Br Energia) deverá encerrar 2026 com avanço de 41,6% na comparação anual, refletindo a disparada dos preços energéticos observada após a escalada do conflito.

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Agro sente impacto de forma gradual

Diferentemente do mercado de energia, onde os reflexos são imediatos, os efeitos sobre as commodities agrícolas costumam ocorrer de forma mais lenta.

O estudo avalia que os custos mais elevados de energia, frete, fertilizantes e logística devem ser gradualmente incorporados aos preços agrícolas. Como consequência, o Índice de Commodities Agropecuárias (IC-Br Agro) deve voltar a registrar valorização nos próximos meses.

A expectativa é que o indicador feche 2026 com crescimento de 8,8%, sinalizando um ambiente de custos mais elevados para a cadeia produtiva.

Outro fator de preocupação é a possibilidade de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte intensidade, cenário que pode provocar alterações climáticas relevantes em importantes regiões produtoras, afetando produtividade e disponibilidade de alimentos.

Inflação dos alimentos pode ganhar força

O levantamento mostra que os alimentos in natura deverão ser os mais sensíveis aos efeitos do choque externo.

Frutas, hortaliças, legumes e outros produtos frescos costumam reagir rapidamente ao aumento dos custos de transporte, combustíveis e insumos agrícolas. Por isso, a projeção é que a inflação desse grupo alcance 9,6% ao final de 2026 e ultrapasse 10% em 2027.

Nos alimentos semielaborados e industrializados, o repasse tende a ocorrer de forma mais gradual. Estoques, contratos de fornecimento e maior diversificação de custos ajudam a amortecer os impactos iniciais da alta das commodities e da energia.

Mesmo assim, os analistas observam que o aumento dos custos deverá atingir toda a cadeia alimentícia ao longo dos próximos trimestres.

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Alimentação no domicílio deve permanecer pressionada

Após um período de desaceleração observado no início de 2026, a inflação dos alimentos consumidos dentro de casa pode voltar a acelerar.

As projeções indicam que a inflação de alimentação no domicílio deverá encerrar 2026 próxima de 6,1%, permanecendo acima dos níveis considerados confortáveis para o controle inflacionário.

Embora o índice deva apresentar desaceleração em 2027, os preços continuarão refletindo os efeitos acumulados da alta dos custos energéticos, das despesas logísticas e dos insumos agrícolas.

Agronegócio acompanha cenário com atenção

Especialistas destacam que o atual cenário reforça a importância do monitoramento dos mercados internacionais pelo setor agropecuário brasileiro.

O Oriente Médio ocupa posição estratégica no abastecimento global de petróleo e fertilizantes. Qualquer interrupção prolongada nos fluxos comerciais pode gerar volatilidade nos preços e afetar diretamente a competitividade do agronegócio.

Para produtores rurais, cooperativas, tradings e indústrias de alimentos, o principal desafio será administrar o aumento dos custos de produção em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, oscilações climáticas e maior volatilidade dos mercados globais.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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