AGRONEGÓCIO
Excesso de oferta e dólar forte derrubam preços do trigo no Brasil e no exterior
AGRONEGÓCIO
Oferta recorde mantém pressão sobre o trigo no Sul do Brasil
A ampla disponibilidade de trigo no mercado gaúcho tem provocado forte queda nos preços pagos aos produtores. Segundo a TF Agroeconômica, o Rio Grande do Sul enfrenta um desequilíbrio entre oferta e demanda, com mais de 2,5 milhões de toneladas ainda disponíveis — fator que explica o recuo contínuo nas cotações.
Dados da Emater/RS-Ascar mostram que as lavouras seguem em boas condições: 58% das áreas estão em enchimento de grãos e 18% em maturação fisiológica, com potencial produtivo elevado, podendo ultrapassar 3.900 kg/ha nas regiões mais tecnificadas. No entanto, o excesso de chuvas e as geadas no início do ciclo afetaram parte das lavouras, reduzindo o número de espigas por metro quadrado em algumas áreas.
A colheita ainda é inicial, com menos de 1% da área total colhida. Aproximadamente 140 mil toneladas da nova safra já foram comercializadas, sendo 90 mil destinadas à exportação — volume bem inferior à média histórica de 350 mil toneladas para o período.
Com moinhos locais e de outros estados menos ativos, muitos produtores têm recorrido ao porto de Rio Grande, onde negócios ocorrem em torno de R$ 1.160,00 por tonelada sobre rodas, o que representa cerca de R$ 1.000,00 no interior. Os preços nas principais praças gaúchas seguem em queda, variando entre R$ 61,00 e R$ 64,00 por saca.
Em Santa Catarina, a colheita avança lentamente e os preços recuaram para R$ 62,00 a R$ 72,25 por saca, enquanto os moinhos continuam comprando de outras regiões. Já no Paraná, com mais de 60% da área colhida, a demanda começa a reagir, sustentando preços entre R$ 1.220,00 e R$ 1.280,00 por tonelada, segundo o Cepea.
Trigo em Chicago recua com dólar forte e maior concorrência internacional
O mercado internacional também segue pressionado. Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos de dezembro/25 para o trigo recuaram para US$ 505,50 por bushel, refletindo a valorização do dólar frente a outras moedas e o aumento da concorrência global nas exportações.
A Tunísia abriu uma licitação para a compra de 100 mil toneladas de trigo soft, enquanto a Bolsa de Comércio de Rosário elevou a estimativa da safra argentina 2025/26 para 23 milhões de toneladas, impulsionada pelos bons rendimentos e pela boa umidade do solo.
Com isso, os contratos com entrega em dezembro fecharam a US$ 5,06 ½ por bushel, queda de 0,14%, e os de março de 2026 caíram 0,23%, para US$ 5,24 por bushel.
Mercado nacional reage à cautela global e expectativa de medidas da Conab
No Brasil, as cotações do trigo seguem caminhos distintos. O Cepea registrou R$ 1.242,83 por tonelada no Paraná (+0,71%) e R$ 1.186,12 no Rio Grande do Sul (-0,24%). A TF Agroeconômica relata rumores de que a Conab estuda lançar um Programa de Escoamento da Produção (PEPRO) para cooperativas e produtores gaúchos, voltado ao atendimento de até 200 mil toneladas de trigo destinadas ao Norte e Nordeste. A medida exigiria cerca de R$ 75 milhões em recursos e visa garantir competitividade frente ao trigo argentino, que continua com prêmios mais atrativos.
Outros grãos também registram queda nos mercados internacionais
A tendência de baixa não se restringe ao trigo. A soja opera em recuo, com o contrato novembro/25 cotado a US$ 1.014,50 por bushel, após queda de 7,75 cents. A volta da China ao mercado, após o feriado nacional, resultou na compra de seis carregamentos de soja brasileira e dois da nova safra, mas a realização de lucros pelos fundos limitou os ganhos em Chicago.
O milho também acompanha a tendência negativa, cotado a US$ 417,25/bushel para dezembro/25. A queda é sustentada pela colheita recorde nos Estados Unidos e pela redução da previsão de importação da China para 6 milhões de toneladas na safra 2025/26.
No mercado interno, o Cepea registrou R$ 65,19/saca (-0,17%), enquanto na B3 o contrato de novembro/25 avançou 0,64%, para R$ 67,24/saca.
Perspectivas: oferta elevada e câmbio seguem determinando o ritmo do mercado
O cenário para o trigo no curto prazo é de pressão contínua sobre os preços, tanto pela abundante oferta no Sul do Brasil quanto pela força do dólar no mercado internacional, que reduz a competitividade das exportações.
Mesmo com boas expectativas de produtividade, o setor segue atento às possíveis medidas de apoio da Conab e ao comportamento das cotações externas, fatores que devem determinar o rumo das negociações nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Alta de invasões impulsiona campanha “Invasão Zero” e pressiona por lei mais dura
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou a reação às invasões de propriedades rurais com a campanha “Invasão Zero”, que reúne um conjunto de propostas legislativas e medidas de pressão institucional para endurecer o combate às ocupações no campo.
A iniciativa ganha força em meio ao aumento recente dos casos. Levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aponta 33 invasões registradas entre janeiro e meados de abril deste ano, sendo 14 apenas neste mês. Do total, 32 episódios foram atribuídos ou vinculados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Para a bancada ruralista, o avanço das ocupações amplia a insegurança jurídica e afeta decisões de investimento no setor. A avaliação é de que o cenário pode comprometer a produção, sobretudo em regiões de fronteira agrícola, onde a expansão depende de maior previsibilidade institucional.
Como resposta, a FPA articula um pacote de projetos no Congresso. Entre eles está o Projeto de Lei 4.432/2023, que cria o Cadastro Nacional de Invasões de Propriedades (CNIP), com integração ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). A proposta busca centralizar dados, facilitar a identificação de envolvidos e dar suporte às ações de segurança.
Outro eixo da ofensiva é o endurecimento das penas. O Projeto de Lei 1.198/2023 propõe alterar o Código Penal para elevar a punição por esbulho possessório, hoje limitada a detenção de um a seis meses, para reclusão de quatro a oito anos, além de multa. Já o Projeto de Lei 6.612/2025 cria uma tipificação específica para invasões de propriedades rurais, com penas que podem chegar a dez anos, agravadas em casos de áreas produtivas ou ações coletivas.
No mesmo pacote, propostas buscam restringir o acesso de invasores a políticas públicas. Um dos textos em tramitação prevê a exclusão de ocupantes irregulares de programas de reforma agrária e o bloqueio temporário de crédito subsidiado, benefícios fiscais e contratos com o poder público.
A ofensiva legislativa ocorre em um contexto mais amplo de debate sobre a política fundiária. Dados do mostram que o Brasil tem cerca de 1,1 milhão de famílias assentadas, mas ainda enfrenta desafios estruturais na geração de renda e na integração produtiva dessas áreas. Para a FPA, a solução passa por tratar a reforma agrária como política técnica, com foco em infraestrutura, assistência e viabilidade econômica, e não por meio de ocupações.
A campanha “Invasão Zero” deve orientar a atuação da bancada ao longo de 2026, com prioridade para projetos que ampliem a segurança jurídica no campo e estabeleçam regras mais rígidas para ocupações ilegais. O tema tende a ganhar espaço na agenda do Congresso, especialmente diante da pressão de produtores e entidades do setor.
Fonte: Pensar Agro
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