POLÍTICA
Aleac debate políticas públicas de combate à violência contra profissionais de saúde
POLÍTICA
A Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac) realizou, na manhã desta sexta-feira (10), uma audiência pública para discutir políticas públicas de combate à violência contra profissionais de saúde. O evento, foi proposto pelo deputado Adailton Cruz (PSB), e aprovado por meio do requerimento nº 104/2025.
O objetivo do debate foi ouvir trabalhadores e especialistas sobre os desafios enfrentados diariamente por médicos, enfermeiros, técnicos, agentes comunitários e demais servidores da saúde que têm sido vítimas de agressões físicas e verbais no exercício da profissão. Durante a audiência, foram apresentadas ainda sugestões para fortalecer a segurança nos ambientes de trabalho e garantir condições dignas de atendimento à população.
Em sua fala, o deputado Adailton Cruz, que também preside a Comissão de Saúde da Aleac, alertou para a gravidade das situações vividas por profissionais da saúde em seus ambientes de trabalho. Ele relatou casos de ameaças, agressões físicas e até assassinatos ocorridos dentro de unidades hospitalares do Acre. “Estamos diante de situações preocupantes no exercício das funções desses servidores, com riscos, inclusive, de lesões permanentes e de óbito. Precisamos cobrar do Estado e fazer a nossa parte enquanto representantes públicos, garantindo mais segurança a esses profissionais e também aos pacientes e acompanhantes que são atendidos”, destacou.
O parlamentar também compartilhou experiências pessoais vividas durante plantões no pronto-socorro de Rio Branco, quando presenciou momentos de extrema tensão. “Já enfrentamos situações graves, como a de um paciente sacar uma arma e apontar para a equipe que estava salvando vidas. Em outros casos, perdemos colegas assassinados dentro de hospitais. É urgente estabelecer procedimentos de controle e oferecer apoio psicológico e jurídico aos trabalhadores. Quem salva vidas precisa ter, ao menos, a garantia de exercer suas funções com segurança”, enfatizou Adailton Cruz.
Adailton Cruz anunciou ainda o protocolo de um Projeto de Lei que visa reforçar a segurança dos profissionais de saúde no exercício de suas funções. A proposta busca garantir mecanismos de apoio psicológico, jurídico e estrutural aos trabalhadores que enfrentam situações de violência em seus locais de trabalho. O parlamentar destacou que a medida é mais um passo concreto da Assembleia Legislativa no enfrentamento a esse tipo de agressão e na valorização da categoria.
Em seguida,a presidente do Sindicato dos Profissionais e Auxiliares de Enfermagem e Enfermeiros do Estado (Spate), Alesta Amâncio, destacou que a violência contra os profissionais da saúde vai muito além das agressões físicas. Ela relatou casos de ameaças, falta de condições de trabalho, assédio moral e ausência de apoio psicológico aos servidores. Alesta criticou ainda a ausência de representantes da Secretaria de Estado de Saúde no debate, classificando a falta de participação da pasta como uma forma de desrespeito aos trabalhadores. “Isso pra nós já é uma violência, porque a secretaria à qual servimos deveria estar aqui ouvindo nossos anseios”, afirmou.
Jean Lunier, presidente em exercício do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Acre (Sintesac), também se pronunciou durante a audiência e manifestou repúdio à ausência de representantes da Secretaria de Estado de Saúde, ressaltando que a pasta deveria estar presente em um debate de tamanha relevância. Ele relatou casos recentes de ameaças sofridas por servidores dentro do pronto-socorro de Rio Branco, envolvendo até facções criminosas, e destacou o clima de insegurança enfrentado diariamente pelos profissionais. “Nós trabalhamos sob constante risco, preocupados não apenas com a vida dos pacientes, mas também com as nossas próprias vidas. Precisamos de medidas urgentes de proteção e de respeito aos trabalhadores da saúde”, afirmou.
Representando o Conselho Estadual de Saúde e os odontologistas, o Dr. Samuel Macedo, disse que a violência contra os profissionais da área é um reflexo de um ciclo social que afeta toda a sociedade, mas que se agrava nas unidades de saúde. Ele relatou experiências pessoais de risco e chamou atenção para a sobrecarga de trabalho e a falta de acompanhamento institucional após episódios de agressão. “Muitos servidores chegam a tirar até 25 plantões por mês, não por ambição, mas por necessidade, e acabam emocionalmente exaustos. Essa realidade contribui para o aumento dos conflitos entre profissionais e usuários. É preciso que o Estado garanta apoio e acompanhamento às vítimas de violência, especialmente nas unidades básicas de saúde, onde a maioria das equipes é formada por mulheres que trabalham expostas e sem segurança”, afirmou.
Dra. Aline Ramalho, representante da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB/AC) e presidente da Comissão de Defesa da Saúde, ressaltou que a violência nas unidades de saúde é reflexo de um cenário social adoecido, que atinge tanto os pacientes quanto os profissionais. Segundo ela, a ausência de protocolos institucionais agrava a vulnerabilidade dos trabalhadores diante de situações de agressão. “Vivemos em um estado violento, com altos índices de feminicídio, e a maioria dos servidores da saúde são mulheres. Falta orientação sobre como agir diante de pacientes exaltados e falta acolhimento após esses episódios. Temos um número crescente de afastamentos e até de suicídios entre profissionais de saúde. É preciso entender que não se trata apenas de questões pessoais, mas de um ambiente de trabalho adoecido e sem suporte”, alertou.
Representando na ocasião a Polícia Civil, o delegado Dr. Cleylton Videira, elogiou a iniciativa do deputado Adailton Cruz e ressaltou a importância de discutir a segurança nos ambientes hospitalares, tanto públicos quanto privados. Ele relatou que a corporação tem intensificado o trabalho de inteligência para mapear e acompanhar casos de violência contra profissionais da saúde, de forma a garantir respostas mais rápidas e precisas. O delegado também incentivou os trabalhadores a registrarem as ocorrências, inclusive quando envolverem agentes das forças de segurança. “Não deixem de comunicar os fatos. Temos canais anônimos, inclusive por WhatsApp, e todo caso é apurado com responsabilidade. Nosso objetivo é proteger quem dedica a vida a cuidar dos outros e assegurar que esses crimes sejam investigados com prioridade”, afirmou.
A comandante-geral da Polícia Militar, coronel Marta Renata, destacou a necessidade de reforçar as ações de segurança nas unidades de saúde e sugeriu que as ocorrências registradas nesses locais passem a ter prioridade no atendimento policial. Ela propôs um diálogo com a Secretaria de Segurança Pública para incluir os casos de violência em hospitais e postos de saúde entre as chamadas emergenciais de maior urgência. A coronel também defendeu investimentos em tecnologia e infraestrutura de segurança, como câmeras e sistemas de alarme, para auxiliar na prevenção de crimes. “Esses recursos ajudam a polícia a agir mais rápido e a inibir a violência. A presença visível de câmeras, por exemplo, já é um fator que contribui para reduzir riscos e proteger vidas”, afirmou.
Em sua fala, o secretário de Justiça e Segurança Pública, coronel Gaia, parabenizou o deputado Adailton Cruz pela iniciativa da audiência e destacou os avanços nas ações integradas entre as forças de segurança e as secretarias estaduais e municipais de Saúde. Ele anunciou que o sistema de botão de pânico, já utilizado em casos de violência doméstica e em unidades escolares, será estendido também para as unidades de saúde, garantindo resposta mais rápida das viaturas em situações de emergência. O coronel também reforçou a importância do investimento em segurança orgânica e armada, com uso de tecnologia, câmeras e protocolos de atuação que permitam tanto a prevenção quanto a elucidação de crimes. “A presença de segurança armada nas unidades é essencial para proteger servidores e usuários, e para assegurar que esses espaços cumpram sua função de cuidar da vida com tranquilidade e proteção”, afirmou.
O secretário de Segurança anunciou que, na próxima semana, será feito o convite aos secretários de Saúde, tanto municipal quanto estadual, para o lançamento do aplicativo do plano piloto. Ele destacou que a iniciativa contará também com a participação do deputados e vereadores, além dos representantes técnicos das instituições e comandantes das forças de segurança. Segundo o coronel, a plataforma já passou por todas as adequações necessárias e está pronta para ser aplicada.
O deputado Adailton, em suas considerações finais, ressaltou a necessidade de qualificação contínua dos trabalhadores da saúde e anunciou que a Assembleia vai encaminhar à Secretaria de Estado de Saúde, com apoio dos órgãos de controle, um pedido para implementação de um planejamento semestral de capacitação. Ele também solicitou a apresentação detalhada de todos os procedimentos de segurança nas unidades de saúde, especialmente em cumprimento à Lei 4.156/2023, e informou que esses encaminhamentos serão levados ao Ministério Público. O parlamentar destacou a implantação do botão de pânico como um avanço significativo na segurança e reforçou a solicitação, por meio da Comissão de Saúde, para a volta da guarnição da Polícia Militar ao pronto-socorro. Adailton lamentou ainda a ausência sem justificativa de representantes da Secretaria de Estado de Saúde, o que, segundo ele, prejudica o acompanhamento das demandas do setor.
Texto: Mircléia Magalhães/Agência Aleac
Fotos: Sérgio Vale












Fonte: Assembleia Legislativa do AC
POLÍTICA
Tanízio Sá manifesta preocupação com suspensão da estrada de Santa Rosa e reforça apoio às comunidades indígenas
Durante a sessão desta quarta-feira (3), na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), o deputado Tanízio Sá (MDB) fez um relato sobre a agenda realizada junto à presidente do Deracre, Sula Ximenes, para tratar da recuperação dos ramais em todo o estado e da situação da estrada que liga o município de Santa Rosa do Purus ao restante do Acre.
O parlamentar destacou o esforço do governo estadual para garantir a trafegabilidade nas áreas rurais, por meio de convênios com os municípios, cessão de maquinário e apoio logístico para a reabertura dos ramais. Segundo ele, a pauta também incluiu discussões sobre o projeto da estrada de Santa Rosa, considerada uma das obras mais aguardadas pela população da região.
Tanízio lamentou a suspensão do processo de licitação da estrada após questionamentos apresentados pelo Ministério Público Federal, que apontou a necessidade de novas audiências públicas e estudos complementares relacionados ao empreendimento.
Mesmo diante das novas exigências, o deputado afirmou que continuará defendendo a obra. Segundo ele, serão necessários cerca de R$ 28 milhões para atender todas as exigências impostas pelos órgãos de controle e viabilizar o projeto.
“O governo colocou essa obra como prioridade. Estamos falando de brasileiros que vivem isolados e que precisam de condições mínimas de deslocamento, acesso à alimentação, combustível, medicamentos e serviços essenciais”, afirmou.
O emedebista demonstrou ainda preocupação com a possibilidade de agravamento do isolamento dos municípios mais distantes do estado, especialmente diante das dificuldades de navegação enfrentadas durante os períodos de estiagem severa.
De acordo com ele, localidades como Santa Rosa do Purus, Jordão, Marechal Thaumaturgo e Porto Walter continuam enfrentando grandes desafios de mobilidade, situação que impacta diretamente a qualidade de vida da população.
“Eu respeito o papel dos órgãos de fiscalização e de proteção ambiental, mas acredito que precisamos encontrar um equilíbrio entre a preservação e a garantia da dignidade das pessoas que vivem nessas regiões. A vida humana também precisa estar no centro desse debate”, ressaltou.
Defesa das comunidades indígenas
Durante o pronunciamento, Tanízio Sá também rebateu críticas relacionadas aos investimentos destinados às comunidades indígenas acreanas. O parlamentar destacou que tem destinado recursos para fortalecer a produção, a segurança alimentar e o transporte nas aldeias.
Entre as ações mencionadas estão a destinação de R$ 100 mil para aquisição de pintos destinados à criação de aves em comunidades indígenas, além da entrega de kits de casa de farinha, recursos para compra de canoas de alumínio e a aquisição de duas embarcações avaliadas em aproximadamente R$ 300 mil.
“Os povos indígenas são cidadãos acreanos e brasileiros como qualquer outro. Tenho trabalhado para garantir melhorias e oportunidades para essas comunidades, assim como faço em todas as regiões que represento”, declarou.
Ao encerrar sua fala, o deputado reiterou a necessidade de manter o debate sobre a estrada de Santa Rosa nas próximas legislaturas e defendeu a união das bancadas estadual e federal para viabilizar os recursos necessários à execução do projeto, considerado estratégico para a integração e o desenvolvimento das regiões mais isoladas do Acre.
Texto: Mircléia Magalhães/Agência Aleac
Foto: Sérgio Vale
Fonte: Assembleia Legislativa do AC
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