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Hugo Motta destaca importância da comunicação e do trabalho parlamentar para a democracia

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Em entrevista concedida nesta sexta-feira (17) ao programa “A Voz do Brasil”, em João Pessoa (PB), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), reconheceu o papel do histórico noticiário público, que está completando 90 anos, para aproximar o trabalho parlamentar e o povo brasileiro.

Hugo Motta ainda destacou a importância da Câmara dos Deputados para a democracia, por representar a população e permitir a construção de consensos para aprovar pautas importantes ao país.

“A luta de cada deputado e deputada federal, apreciando matérias e promovendo debates que são de interesse da população, a luta junto ao governo federal para conseguir recursos para investimentos importantes que ajudam a melhorar a qualidade de vida do povo. Tudo isso faz parte do dia a dia dos parlamentares”, relatou.

“É necessário que essa rotina [seja no Plenário Ulysses Guimarães ou nas comissões temáticas] possa chegar à ponta, possa chegar à população que nós representamos. Nada mais justo que estarmos aqui participando da Voz do Brasil, usando os canais de comunicação da Câmara, TV Câmara, Rádio Câmara, as redes sociais, para deixar a população brasileira bem informada sobre o trabalho parlamentar”, declarou.

Câmara pelo Brasil
Com o mesmo objetivo de ampliar o diálogo com a sociedade, Hugo Motta criou recentemente o programa Câmara pelo Brasil, para que o trabalho legislativo alcance outras cidades além de Brasília. “A Câmara é muito maior, muito mais abrangente. Ela precisa estar presente em cada canto, em cada recanto deste país por meio do trabalho de cada parlamentar”, afirmou.

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“Em reuniões em comunidades, em audiências públicas, na ida de comissões temáticas da Câmara a cidades pelo Brasil, na discussão de temas que trazem o desenvolvimento para nossos estados, para nossas cidades. Tudo isso será pauta desse programa, que com certeza irá ajudar ainda mais as ações da Câmara para nossa população”, disse. “Tenho certeza de que o Câmara pelo Brasil será um sucesso e ajudará a legitimar ainda mais nossa instituição, que tanto tem procurado fazer pelo país”, acrescentou.

Pluralidade de opiniões
Hugo Motta salientou também o caráter democrático da Câmara dos Deputados ao representar pensamentos diferentes.

“Costumo dizer que o Plenário da Câmara representa o coração da nossa democracia. Em momentos de tanta divergência, de tanta radicalização, temos demonstrado que é possível, sim, construir consenso em torno de pautas que conseguem reunir os partidos que naturalmente divergem sobre muitos outros temas”, declarou.

Isenção do Imposto de Renda
Entre os projetos aprovados recentemente, o presidente da Câmara destacou a isenção do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) de quem ganha até R$ 5 mil mensais, com a cobrança adicional para aqueles com rendimento tributável acima de R$ 600 mil ao ano (Projeto de Lei 1087/25). “Foi uma matéria importante, que faz justiça tributária”, comentou.

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Hugo Motta ressaltou ainda a aprovação nesta semana de propostas relacionadas à educação e à proteção de crianças e adolescentes.

“Aprovamos projetos importantíssimos na área de educação, valorizando os professores, podendo também ter uma pauta ligada à infância, já que comemoramos no início da semana o Dia das Crianças. Textos que protegem nossas crianças, que combatem o crime de pedofilia”, afirmou.

“Matérias que foram alvo de uma grande construção política, que conseguiu, apesar de toda essa radicalização, dessa divisão, unir a Casa em torno de projetos que são importantes para grande maioria da população brasileira”, ressaltou Motta.

Reportagem – Francisco Brandão
Edição – Marcelo Oliveira

Fonte: Câmara dos Deputados

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Fissura labiopalatina exige intervenção precoce e multidisciplinar, aponta debate

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Especialistas, pacientes e familiares defenderam nesta segunda-feira (22), em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos (CDH), acesso rápido e contínuo ao tratamento multidisciplinar para pessoas com fissura labiopalatina, malformação congênita em que os tecidos do lábio superior ou do céu da boca (palato) não se fundem adequadamente durante o desenvolvimento do feto.

Os participantes do debate destacaram a importância do diagnóstico precoce, da descentralização da rede de atendimento e do acompanhamento especializado ao longo de todo o processo de reabilitação para garantir dignidade aos pacientes e às famílias.

A audiência foi solicitada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) para discutir a atenção integral às pessoas com essa condição no Brasil, incluindo diagnóstico, tratamento e garantia de direitos. Nesta quarta, dia 24 de junho, é celebrado o Dia Nacional de Conscientização sobre a Fissura Labiopalatina.

Segundo a senadora, o tema exige atenção especial por envolver recém-nascidos, crianças e adolescentes que dependem da atuação coordenada do Estado para acessar cuidados especializados. Damares ressaltou que os pacientes necessitam de acompanhamento multiprofissional, com procedimentos cirúrgicos, ortodontia, psicologia, fonoaudiologia, nutrição e apoio educacional.

— O tema não se encerra numa sala de cirurgia, ele é transversal — declarou.

Prazo para intervenção

Camila Rocha e Silva, diretora-executiva da Smile Train Brasil (organização sem fins lucrativos dedicada à ampliação do acesso ao tratamento de pessoas com fissura labiopalatina), explicou que os primeiros dias após o diagnóstico são decisivos para a qualidade de vida dos pacientes e das famílias.

Ela defendeu o acesso ao atendimento especializado em até 30 dias após a identificação da condição, proposta da campanha 30 Dias Mudam 20 anos. O movimento luta pela criação de regulamentação federal que garanta que bebês com a malformação sejam encaminhados para tratamento especializado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nesse prazo máximo de um mês. Segundo Camila, o acompanhamento adequado desde o início reduz barreiras físicas, sociais e econômicas que podem comprometer a participação plena dos pacientes na sociedade.

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— Quando falamos em garantir o primeiro atendimento especializado em 30 dias, estamos falando de muito mais do que um prazo; estamos falando de garantir a cada criança o direito de crescer com dignidade, saúde e as mesmas oportunidades que qualquer outra criança brasileira — disse.

Representante do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), o médico Cristiano Tonello reforçou a importância do atendimento precoce. Segundo ele, a intervenção rápida contribui para assegurar condições básicas de alimentação e respiração e favorece o desenvolvimento dos pacientes ao longo do tratamento.

Descentralização

O cirurgião Marconi Delmiro afirmou que as dificuldades enfrentadas pelos pacientes não terminam com a cirurgia. Ao relatar um projeto em que equipes de saúde se deslocavam para diferentes regiões do país para realizar procedimentos, ele avaliou que ações pontuais, embora importantes, não garantem a reabilitação completa dos pacientes.

— O ideal é que menos crianças precisem cruzar o país para que essas famílias sejam atendidas, que elas não precisem largar tudo no meio do caminho. Mas preciso ser honesto com vocês. Isso não é solução: montar missões e ir até determinados locais operar. E depois? Como é que ficam essas crianças, famílias? A gente diminui um pouco a dor naquele momento, mas não muda a realidade — declarou.

Fonoaudióloga e representante do Conselho Federal de Fonoaudiologia, Iracema Santos Andrade Rocha defendeu a descentralização e interiorização do atendimento multidisciplinar. Segundo ela, a distribuição desigual dos serviços especializados dificulta o acesso e a continuidade do tratamento para muitos paciente:

— É importante ter na cidade onde esse paciente mora profissionais da equipe multi (fono, orto, psico, entre outros), profissionais capacitados para dar continuidade ao tratamento e alinhados ao centro especializado, porque não adianta nada ter a lei que determina a atuação no cuidado da fissura labiopalatina e esse paciente não ter as terapias de forma eficaz.  

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Camila Carloni Gasparro, representante do Ministério da Saúde, informou que a ampliação da rede de serviços especializados está entre os objetivos da pasta. Ela destacou a necessidade de ampliar a oferta de atendimento na Região Norte, que atualmente conta com centros especializados apenas no Pará e no Tocantins. 

Legislação

Damares destacou a importância de se avaliar a implementação da Lei 15.133, de 2025, que tornou obrigatória a oferta, pelo SUS, de cirurgia reconstrutiva para fissura labiopalatina. Segundo a senadora, é necessário verificar se a norma atende às necessidades dos pacientes e de suas famílias.

Ao destacar o impacto da condição sobre as famílias, Berenice Oliveira Leite Lacerda, mãe de paciente, defendeu o reconhecimento legal da fissura labiopalatina como deficiência física. Segundo ela, a medida permitiria ampliar o acesso das famílias a benefícios assistenciais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), especialmente nos casos em que pais ou responsáveis precisam deixar o trabalho para acompanhar o tratamento dos filhos.

Bárbara Micheiline, também mãe de paciente, cobrou a capacitação de profissionais das redes pública e privada de saúde para aprimorar o diagnóstico precoce e a orientação às famílias. Ela também pediu a aprovação do PL 2.811/2021, que torna obrigatório o exame de triagem neonatal para identificar fissuras labiopalatinas em recém-nascidos e prevê o encaminhamento dos casos para tratamento precoce no SUS. O projeto de lei, já aprovado pela Câmara dos Deputados, aguarda análise da CDH.

Também participaram do debate Gerson Wilder de Sousa Melo, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da OAB/DF; e Ronei Lacerda de Andrade, pai de paciente e representante da OAB. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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