AGRONEGÓCIO
Alta da inadimplência pressiona toda a cadeia do agronegócio e impõe ajustes ao setor
AGRONEGÓCIO
Inadimplência no agro preocupa instituições e impacta resultados
O avanço da inadimplência no agronegócio acendeu o sinal de alerta em toda a cadeia produtiva, atingindo desde distribuidores e indústrias até grandes instituições financeiras. O Banco do Brasil, tradicional referência no crédito rural, já revisou projeções e reportou compressão de resultados diante do aumento dos atrasos e renegociações.
Esse cenário não surgiu de forma repentina. Ele é resultado de um ciclo prolongado de margens pressionadas desde a safra 2022/23, que veio após o auge dos preços das commodities agrícolas em 2021/22 — período em que muitos produtores expandiram áreas, modernizaram máquinas e investiram em infraestrutura.
Custos elevados e queda nos preços comprimem margens
Com a normalização dos preços dos grãos e apenas redução parcial dos custos de produção, o equilíbrio financeiro dos agricultores se deteriorou. Muitos passaram a operar abaixo do ponto de equilíbrio por hectare, especialmente nas safras 2022/23 e 2023/24.
Embora a safra 2024/25 tenha trazido leve alívio, a recuperação do caixa ainda é lenta e insuficiente para compensar as perdas acumuladas. A diferença de produtividade entre os produtores tornou-se um divisor: os mais tecnificados conseguiram preservar margens, enquanto os menos produtivos enfrentaram prejuízos, principalmente no milho safrinha e em parte da soja.
Efeitos se espalham pela cadeia do agronegócio
O estresse financeiro começou a aparecer primeiro na distribuição, onde o fluxo de caixa é determinante para financiar a próxima safra. Revendas alongaram prazos, rolaram dívidas e passaram a adotar critérios mais rigorosos na concessão de crédito comercial.
Na sequência, a indústria sentiu os impactos, enfrentando pedidos mais incertos, prazos estendidos e maior necessidade de capital de giro. Com o tempo, os bancos passaram a absorver parte das perdas, diante da alta nos índices de inadimplência rural.
Setor se reorganiza e reforça disciplina financeira
O ambiente atual exige reorganização e prudência. Produtores que combinam tecnologia, gestão eficiente e estratégias de proteção financeira seguem com acesso a crédito e capacidade de investimento. Já as empresas com estrutura financeira mais madura — revendas e indústrias que conhecem melhor o risco da ponta — conseguiram limitar danos.
Quem não se preparou, no entanto, precisou reduzir planos de expansão, renegociar dívidas e até rever o modelo de operação.
Perspectivas: consolidação e crédito mais seletivo
Olhando para frente, a recuperação do setor deve ser gradual e desigual. O cenário projeta:
- Retomada lenta das margens, com foco na recomposição do caixa e redução de endividamento;
- Consolidação da produção, com produtores mais eficientes ganhando espaço por meio de compra ou arrendamento;
- Avaliação de risco mais rigorosa, tanto por instituições financeiras quanto por empresas da cadeia;
- Expansão do mercado de capitais como fonte alternativa de crédito rural;
- Maior disciplina contratual, com prazos, garantias e acompanhamento mais rígidos ao longo da safra.
Apoio estratégico para atravessar o novo ciclo
A L.E.K. Consulting, autora da análise, destaca que atua como parceira estratégica de empresas do agronegócio em momentos de decisão, apoiando na avaliação de riscos, estruturação de programas de excelência e planejamento de longo prazo, unindo expertise em agronegócio, finanças e estratégia corporativa.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fracassa acordo no STF e disputa sobre Moratória da Soja volta a julgamento
O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou a tentativa de construir um acordo entre produtores rurais, indústria, ambientalistas e Ministério Público sobre a Moratória da Soja. Sem consenso entre as partes, o Núcleo de Solução Consensual de Conflitos (Nusol) devolveu os quatro processos relacionados ao tema aos ministros relatores, abrindo caminho para a retomada do julgamento das ações, ainda sem data definida.
Em despacho assinado nesta sexta-feira (12.06), o juiz auxiliar da Presidência do STF e supervisor do Nusol, Álvaro Ricardo de Souza Cruz, afirmou que as reuniões realizadas entre abril e maio chegaram a criar um ambiente favorável à conciliação, mas houve recuo dos envolvidos, inviabilizando uma solução negociada.
“Durante as tratativas, instaurou-se amplo diálogo entre os envolvidos, tendo-se verificado, em determinado momento, ambiente propício à construção de solução consensual. Contudo, sobreveio recuo das partes, o que impossibilitou a composição”, registra o documento.
Segundo o STF, a tentativa de mediação não buscava discutir a constitucionalidade das leis estaduais questionadas, mas os efeitos práticos decorrentes de uma eventual decisão da Corte. A preocupação é evitar a multiplicação de disputas judiciais em diferentes instâncias após o julgamento das ações.
As tratativas envolveram representantes da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do Ministério Público Federal e dos governos de Mato Grosso, Rondônia e Tocantins, além de partidos políticos autores das ações.
Com o fim da mediação, o Nusol reenviou as Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 7774, relatada pelo ministro Flávio Dino; 7775, sob relatoria de Dias Toffoli; e 7863 e 7959, ambas sob responsabilidade do ministro Luiz Fux.
As ADIs 7774 e 7775 questionam leis aprovadas em Mato Grosso e Rondônia que retiraram benefícios fiscais de empresas participantes de acordos privados, como a Moratória da Soja.
Criada em 2006, a Moratória da Soja estabelece que empresas signatárias não adquiram grãos produzidos em áreas do bioma Amazônia desmatadas após 2008, ainda que a abertura das áreas tenha ocorrido dentro dos limites previstos pela legislação ambiental.
A disputa ganhou novo capítulo após a entrada em vigor, no início de 2026, da lei de Mato Grosso que impôs restrições às tradings participantes do acordo. A medida contribuiu para o esvaziamento da Moratória, com a saída da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e das empresas associadas.
No fim do ano passado, o ministro Flávio Dino determinou a suspensão de todas as ações judiciais e administrativas relacionadas à Moratória da Soja, incluindo processos que pedem indenizações. Em uma dessas ações, produtores rurais de Mato Grosso reivindicam ressarcimento superior a R$ 1 bilhão. O setor também acionou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), acusando as tradings de formação de cartel.
A tentativa de mediação havia sido anunciada em março, durante o julgamento das ações pelo plenário do STF. Com o fracasso das negociações, caberá agora aos ministros dar prosseguimento à análise do caso.
Fonte: Pensar Agro
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