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Agricultura brasileira se adapta às mudanças climáticas com inovação e manejo sustentável, aponta RaboResearch

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Clima em alerta: aquecimento global e impactos no agronegócio

Os últimos dez anos foram os mais quentes da história, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM). O relatório “Adaptar para Produzir: a resiliência da agricultura frente às mudanças climáticas”, do RaboResearch Food & Agribusiness, reforça que 2024 registrou o maior aumento de temperatura global já observado — 1,55 °C acima da média pré-industrial.

Esse cenário tem reflexos diretos na agricultura brasileira, que enfrenta estiagens prolongadas, geadas severas e chuvas irregulares, afetando culturas como café, soja, milho e cana-de-açúcar. No Sul, o El Niño trouxe inundações, enquanto no Centro-Sul, secas intensas comprometeram a produtividade e ampliaram o risco de incêndios florestais.

Brasil busca resiliência com genética e tecnologia

Para enfrentar esse novo clima, o estudo destaca que o agronegócio brasileiro vem investindo fortemente em melhoramento genético, irrigação de precisão e manejo de solo.

No setor sucroenergético, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) lidera programas de cruzamentos genéticos em 39 polos experimentais, desenvolvendo variedades de cana mais tolerantes à seca. Já nas culturas de milho e soja, empresas e centros de pesquisa aprimoram sementes resistentes ao calor e à falta d’água, com menor ciclo produtivo para se adaptar à janela de chuvas.

No café, instituições como Embrapa Café, IAC, EPAMIG e Consórcio Pesquisa Café têm obtido resultados expressivos com variedades mais resistentes, como Arara, Paraíso e Uva, que unem qualidade e tolerância a temperaturas elevadas.

Irrigação inteligente: segurança para as safras

O relatório aponta a irrigação como uma das principais estratégias de adaptação do campo. No café, sistemas de gotejamento e microaspersão garantem eficiência de até 100% no uso da água, reduzindo perdas e fortalecendo as plantas durante períodos secos.

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Na cana-de-açúcar, técnicas como fertiirrigação e irrigação de salvamento já estão presentes em cerca de 40% da área cultivada no país, segundo a Unica. Essa prática preserva a longevidade dos canaviais e melhora o rebrotamento, mesmo em condições de déficit hídrico.

Segundo o Atlas da Irrigação da ANA, o Brasil possui 5,7 milhões de hectares irrigados e outros 2,9 milhões fertirrigados. A previsão é de crescimento para 9,3 milhões de hectares até 2040, com aumento expressivo da adoção de sistemas de irrigação deficitária.

Manejo do solo e agricultura regenerativa ganham força

O manejo de solo aparece como pilar fundamental da adaptação climática. Técnicas como plantio direto e uso de plantas de cobertura — gramíneas e leguminosas, como a crotalária — ajudam a reter umidade, fixar nitrogênio e melhorar a estrutura do solo.

A agricultura regenerativa aprofunda esse conceito, priorizando o aumento da biodiversidade e o uso de bioinsumos e condicionadores de solo, que ampliam a tolerância das plantas ao estresse climático e estimulam o crescimento radicular.

Outras práticas, como aplicação de calcário e gesso e o controle de compactação do solo, também são fundamentais para garantir produtividade e sustentabilidade.

Fenotipagem digital e inteligência climática transformam o campo

A pesquisa destaca a ascensão da fenotipagem digital, tecnologia que utiliza drones e sensores para avaliar características das plantas e detectar sinais precoces de estresse hídrico. Essa ferramenta tem revolucionado o melhoramento genético, tornando o processo mais rápido e preciso.

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Paralelamente, o uso de dados climáticos em tempo real, aliados à inteligência artificial e drones, vem otimizando decisões sobre irrigação, aplicação de fertilizantes e controle de pragas. Cooperativas e produtores que adotam esses sistemas relatam ganhos expressivos em eficiência e redução de perdas.

Preservação da vegetação nativa é aliada do regime de chuvas

O relatório ressalta ainda a relação direta entre preservação florestal e regularidade das chuvas, especialmente nos biomas Amazônico e Cerrado. A substituição da vegetação nativa reduz a evapotranspiração, comprometendo o ciclo hidrológico e diminuindo a precipitação.

Por isso, o RaboResearch defende ações conjuntas entre produtores, governos e instituições para preservar percentuais críticos de vegetação nativa e promover restauração florestal em áreas degradadas. Essa cooperação regional é essencial para manter o equilíbrio hídrico e garantir o futuro da agricultura.

Inovação e sustentabilidade como caminho para o futuro

O estudo conclui que os eventos climáticos extremos já fazem parte da realidade do agronegócio brasileiro e tendem a se intensificar. A chave para o futuro está na continuidade da inovação e no fortalecimento da pesquisa científica, tanto no setor público quanto no privado.

“O agronegócio brasileiro só alcançou sua posição de destaque global graças ao investimento contínuo em ciência e tecnologia. Manter esse ecossistema de inovação é essencial para garantir a produtividade diante do estresse climático”, destaca o relatório.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Reino Unido amplia pressão e setor do agro brasileiro reage a novas restrições à carne

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O agronegócio brasileiro enfrenta um novo cenário de pressão no comércio internacional após a decisão da União Europeia (UE) de suspender, a partir de setembro, as exportações de carne brasileira, somada ao anúncio de que o Reino Unido também avalia impor restrições adicionais ao produto nacional.

O movimento conjunto dos mercados mais exigentes do mundo acende um alerta no setor pecuário e reforça a necessidade de adequação às regras sanitárias internacionais, especialmente no que se refere à rastreabilidade, uso de antimicrobianos e comprovação de conformidade produtiva.

Pressão internacional exige maior comprovação sanitária do Brasil

Especialistas avaliam que o principal desafio do Brasil não está apenas no cumprimento formal das normas, mas na capacidade de demonstrar, de forma auditável e contínua, que toda a cadeia produtiva atende aos padrões exigidos por mercados como o europeu e o britânico.

De acordo com a coordenadora de contratos e agronegócios do CSA Advogados, Ieda Queiroz, a União Europeia adota critérios rigorosos baseados em evidências verificáveis.

“A UE não trabalha com presunção de conformidade; ela exige evidências. Sem demonstrar, de forma verificável, o uso adequado de antimicrobianos e a rastreabilidade animal, o impacto será duradouro — e afeta a credibilidade global do país”, afirma.

A especialista ressalta que o avanço das restrições britânicas reforça que o tema não é pontual, mas sistêmico dentro do comércio internacional de proteínas animais.

“Quando outro mercado de alta exigência sanitária sinaliza restrições, fica claro que a governança sanitária brasileira está sob escrutínio internacional”, acrescenta.

MAPA articula resposta técnica para evitar ampliação das restrições

Diante do cenário, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) trabalha na consolidação de relatórios técnicos para responder às exigências das autoridades europeias e buscar a reversão das medidas anunciadas.

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A estratégia do governo envolve a apresentação de dados sobre controle sanitário, práticas de produção e sistemas de fiscalização adotados no país.

No entanto, especialistas destacam que a reabertura ou manutenção de mercados dependerá diretamente da capacidade de comprovação prática de conformidade ao longo de toda a cadeia produtiva da carne bovina.

Rastreamento e uso de antibióticos seguem no centro do debate

Embora o Brasil possua regulamentação que proíbe o uso de antibióticos como promotores de crescimento na pecuária, esse fator, isoladamente, não é suficiente para atender às exigências dos mercados europeu e britânico.

As autoridades internacionais também demandam rastreabilidade individual dos animais, auditorias independentes e documentação completa de todas as etapas do processo produtivo, desde a origem até o abate e processamento.

Segundo especialistas, a diferença entre a legislação vigente e a implementação prática desses controles ainda representa um dos principais entraves para o acesso pleno a mercados mais rigorosos.

“A distância entre norma e prática ainda é grande”, avalia Ieda Queiroz.

Competitividade da carne brasileira pode ser impactada

O aumento das exigências internacionais ocorre em um momento em que o Brasil ocupa posição de destaque no comércio global de proteínas animais, com forte participação em mercados da Ásia, Oriente Médio e Europa.

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No entanto, a ampliação das barreiras sanitárias pode impactar diretamente a competitividade do setor, caso o país não consiga comprovar com robustez a conformidade de seus sistemas produtivos.

Especialistas alertam que a manutenção e expansão da presença brasileira no mercado internacional dependerá cada vez mais de transparência, rastreabilidade e alinhamento com padrões globais de governança sanitária.

Setor agropecuário entra em fase de adaptação e resposta

O cenário reforça a necessidade de adaptação estrutural do setor agropecuário brasileiro, especialmente na pecuária de corte, que depende fortemente do mercado externo.

A tendência é de maior pressão por sistemas integrados de controle, digitalização de processos e fortalecimento de auditorias independentes, com foco na comprovação de origem e conformidade sanitária.

Com a União Europeia avançando em restrições e o Reino Unido sinalizando medidas semelhantes, o Brasil enfrenta um momento decisivo para consolidar sua reputação como fornecedor global de carne dentro dos padrões exigidos pelos mercados mais rigorosos do mundo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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