AGRONEGÓCIO
Mercado de Café no Brasil Deve Ter Preços em Queda com Dólar em Recuo
AGRONEGÓCIO
O mercado físico brasileiro de café deve registrar nesta terça-feira (11) uma tendência de preços mais baixos, influenciado por fatores internacionais e pelo recuo do dólar frente ao real. Produtores permanecem cautelosos, aguardando movimentos mais definidos nos principais referenciais globais.
Preços do Café no Brasil: Arábica em Alta, Conilon em Queda
Na segunda-feira (10), o café arábica registrou aumento nos preços, enquanto o conilon (robusta) teve leve queda. O comportamento acompanhou as bolsas internacionais: o arábica subiu na Bolsa de Nova York, enquanto o robusta recuou em Londres.
A valorização do arábica foi pressionada pelo dólar mais fraco e pelo baixo volume de negócios, com produtores esperando confirmação de tendência nos mercados internacionais.
- Preços regionais do arábica:
- Sul de Minas: R$ 2.400,00 a R$ 2.410,00/saca (anterior: R$ 2.370,00 a R$ 2.380,00) – bebida boa com 15% de catação.
- Cerrado Mineiro: R$ 2.410,00 a R$ 2.420,00/saca (anterior: R$ 2.380,00 a R$ 2.390,00) – bebida dura com 15% de catação.
- Zona da Mata: R$ 1.680,00 a R$ 1.690,00/saca (anterior: R$ 1.650,00 a R$ 1.670,00) – arábica “rio” tipo 7 com 20% de catação.
- Preços do conilon no Espírito Santo:
- Tipo 7 em Vitória: R$ 1.385,00 a R$ 1.395,00 (anterior: R$ 1.395,00 a R$ 1.405,00).
- Tipo 7/8: R$ 1.380,00 a R$ 1.390,00 (anterior: R$ 1.390,00 a R$ 1.400,00).
Exportações de Café em Novembro 2025 Crescem em Receita
De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em novembro de 2025, considerando apenas 5 dias úteis, o Brasil exportou 1.264.837 sacas de café em grão de 60 kg, com média diária de 252.967 sacas.
A receita total alcançou US$ 524,149 milhões, média diária de US$ 104,830 milhões, resultando em preço médio de US$ 414,40/saca.
No comparativo com novembro de 2024:
- Receita média diária subiu 45,1% (antes: US$ 72,227 milhões).
- Volume médio diário exportado aumentou 1,1% (antes: 250.253 sacas/dia).
- Preço médio avançou 43,6%.
Bolsa de Nova York: Café Arábica em Leve Queda
Na Bolsa de Mercadorias de Nova York (ICE), o contrato de dezembro de 2025 do café arábica registra baixa de 0,28%, cotado a 413,55 centavos de dólar por libra-peso.
Na segunda-feira (10), a mesma posição fechou em 414,75 centavos, alta de 1,7% em relação ao dia anterior.
Câmbio e Impacto no Mercado de Café
O dólar comercial apresenta queda de 0,30%, cotado a R$ 5,2908, enquanto o Dollar Index registra baixa de 0,05%, aos 99,538 pontos. O recuo da moeda americana frente ao real influencia diretamente a pressão sobre os preços do café no mercado interno.
Cenário Internacional e Indicadores Financeiros
- Bolsas Asiáticas: encerraram em baixa (China: -0,39%; Japão: -0,14%).
- Bolsas Europeias: operam em alta (Paris: +0,61%; Frankfurt: +0,02%; Londres: +0,75%).
- Petróleo: em alta, com o WTI para dezembro de 2025 cotado a US$ 60,47 o barril (+0,59%).
O desempenho das bolsas internacionais e do petróleo é observado de perto pelos investidores, já que influencia os preços do café e outros commodities no Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais
As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.
A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.
O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.
No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.
Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.
A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.
Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.
O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.
Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.
Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.
Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.
A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.
Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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