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Acre reforça compromisso com o Código Florestal em painel na COP30

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O Acre participou da mobilização nacional voltada à implementação efetiva do Código Florestal Brasileiro no painel “Mutirão COP30 pela Implementação do Código Florestal”, realizado no Pavilhão Brasil, auditório Jandaíra, na Zona Verde, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) neste sábado, 15.

A iniciativa representa um esforço conjunto para acelerar a regularização ambiental de imóveis rurais e consolidar o Código Florestal como um instrumento estratégico para o desenvolvimento sustentável do meio rural brasileiro.

Acre reforça compromisso com o Código Florestal em painel na COP30. Foto: Uêslei Araújo/Sema

O evento contou com a participação de gestores ambientais, representantes do governo federal, de instituições internacionais e da sociedade civil.

Representando o Acre, o secretário de Estado do Meio Ambiente, Leonardo Carvalho, destacou o compromisso do governo acreano com a implementação do Código Florestal e com o fortalecimento do Cadastro Ambiental Rural.

Evento contou com a participação de gestores ambientais, representantes do governo federal, de instituições internacionais e da sociedade civil. Foto: Uêslei Araújo/Sema

Estiveram presentes no painel, o diretor de biodiversidade e recursos naturais para a América Latina do Banco Alemão KfW, Jens Mackensen; o diretor de Cadastro Ambiental Rural do Ministério da Gestão e Inovação (MGI), Henrique Dolabella; a coordenadora de Mobilização da Presidência da COP30, Luciana Abade; e o produtor rural Elder Vieira da Silva.

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Em sua fala, o secretário destacou que o estado tem avançado de forma consistente na implementação do Código Florestal, trabalhando para melhorar a integração dos dados e ampliar o alcance das ações de regularização ambiental.

O secretário também reforçou que o Estado possui um fluxo bem estruturado para a regularização ambiental, o que tem facilitado as análises do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e ressaltou que os mutirões se tornaram uma das principais estratégias do governo para acelerar a regularização ambiental.

Secretário Leonardo Carvalho ressaltou que os mutirões se tornaram uma das principais estratégias do governo para acelerar a regularização ambiental. Foto: Uêslei Araújo/Sema

“Nos últimos três anos, realizamos em média 20 mutirões por ano, com apoio de diversos parceiros. Essas iniciativas se consolidaram como nosso principal instrumento, e trouxemos essa experiência para a COP como demonstração do nosso compromisso com a implementação do Código Florestal”.

A mobilização nacional do Mutirão do Código Florestal também contribui para o cumprimento das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) do Brasil, impulsionando ações de restauração florestal, redução de emissões de gases de efeito estufa e promoção do desenvolvimento sustentável no território nacional.

Fonte: Governo AC

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Povo Noke Koî preserva tradição do kambô e fortalece proteção da floresta no Acre

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Na Amazônia acreana, em Cruzeiro do Sul, onde a floresta permanece em pé graças à relação ancestral entre os povos indígenas e a natureza, o povo Noke Koî mantém viva uma das mais importantes medicinas tradicionais da floresta: o kambô, conhecimento sagrado transmitido pelos ancestrais há gerações.

Conhecida como “vacina do sapo”, a prática indígena utiliza a secreção da rã, aplicada em pequenas queimaduras na pele (geralmente braço ou perna) com o objetivo de revigorar o corpo e curar doenças. Para os Noke Koî da aldeia Sumaúma, muito mais do que medicina tradicional e cura física; ela simboliza proteção espiritual, fortalecimento do corpo, equilíbrio emocional e conexão com a natureza.

Sapo de cor verde brilhante vive principalmente na selva amazônica do Acre. Foto: Cleiton Lopes/Secom

O cacique Mõcha Noke Koî explica que o kambô é um ensinamento ancestral deixado pelos antigos e guiado pelo grande espírito.

“Para nós, o kambô é uma medicina sagrada ensinada pelo grande espírito. Ele traz força, coragem, alegria e limpa o pensamento e a espiritualidade. Desde as crianças pequenas, nosso povo utiliza o kambô como proteção espiritual e fortalecimento do corpo. É uma energia muito forte que vem da floresta e do espírito da medicina”, relata.

Cacique Mõcha Noke Koî segura o animal demonstrando respeito. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Segundo o cacique, o conhecimento sobre a aplicação da medicina atravessa gerações e carrega um profundo compromisso de respeito à natureza.

“A medicina kambô é espírito de proteção. Desde o surgimento, nossos bisavôs e tataravôs preservam, cuidam e respeitam essa medicina. Não é só o kambô. Preservar o kambô é preservar a Amazônia, preservar as plantas, a vida e o planeta. O kambô vive perto das nossas casas porque nosso povo protege e respeita a natureza e a criação do grande espírito”, afirma.

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Preservação da floresta está diretamente ligada à continuidade da medicina ancestral. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Para os Noke Koî, a preservação da floresta está diretamente ligada à continuidade da medicina ancestral. A retirada da secreção do kambô acontece sem causar danos ao animal, reforçando uma relação de equilíbrio com a biodiversidade amazônica.

Mõcha alerta ainda para o uso inadequado da medicina fora dos territórios indígenas e destaca a importância do conhecimento tradicional para a aplicação correta do kambô.

“Hoje muita gente no mundo usa o kambô, mas sem preparo e sem conhecer a tradição. A medicina não é brincadeira. A gente pode brincar com a medicina, mas a medicina não brinca com a gente. Nosso povo aprendeu com o espírito da medicina a maneira correta de aplicar. Por isso respeitamos e preservamos esse conhecimento ancestral”, destaca.

Primeiro Festival Noke Koî – União dos Povos. Foto: Cleiton Lopes/Secom

De acordo com o cacique, entre os Noke Koî, o kambô faz parte da formação espiritual e cultural do povo desde a infância. Os ensinamentos tradicionais orientam a aplicação da medicina em homens, mulheres e crianças, sempre conduzida por pajés e curandeiros preparados espiritualmente.

Brincadeiras do Festival Noke Koî. Foto: Cleiton Lopes/Secom

A secretária extraordinária dos Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, ressalta que o kambô integra um conjunto de conhecimentos ancestrais utilizados historicamente pelos povos indígenas muito antes da medicina farmacêutica chegar às aldeias.

Titular da Secretaria de Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara destaca que a medicina tradicional está ligada à preservação das matas.  Foto: Cleiton Lopes/Secom

“Os povos indígenas, desde a origem, utilizam muitos conhecimentos tradicionais para cura e fortalecimento espiritual. Um deles é o kambô, que no nosso povo também chamamos de kampô, por conta da língua Pano. Minha mãe conta que meu avô utilizava o kampô para tirar a preguiça, o cansaço e fortalecer os homens antes da caça. Era uma forma de limpar as energias ruins e fortalecer o corpo e o espírito”, explica.

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Francisca também destaca que a medicina tradicional está diretamente ligada à preservação da fauna e da floresta amazônica.

“Ninguém mata esse sapo. Nosso povo protege, porque ele faz parte da nossa ciência ancestral. Além da medicina, ele também avisa sobre a mudança do tempo, quando chegam o inverno e o verão. Por isso é muito importante preservar a fauna, a flora e os animais da floresta. O kampô é uma cura espiritual, para tirar tudo que é ruim de dentro da gente”, afirma.

Preservar o kambô, para os povos indígenas do Acre é manter viva uma sabedoria ancestral. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Em um estado reconhecido pela preservação ambiental, com mais de 84% das floresta nativa intacta, os conhecimentos indígenas seguem sendo fundamentais para a proteção da Amazônia. Nas aldeias acreanas, tradição, espiritualidade e sustentabilidade caminham juntas.

Povos indígenas do Acre contribuem para a preservação da floresta em pé. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Em cada ritual, canto e ensinamento repassado pelos anciãos, o povo Noke Koî reafirma que a floresta não é apenas território: é espírito, memória e vida. Preservar o kambô, para eles, é manter viva uma sabedoria ancestral que continua ensinando ao mundo sobre cuidado, equilíbrio e respeito à natureza.

Fonte: Governo AC

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