POLÍTICA NACIONAL
Davi Alcolumbre reafirma autonomia do Senado e defende prerrogativas da Casa
POLÍTICA NACIONAL
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre fez um longo pronunciamento nesta quarta-feira (3), em Plenário, no qual reforçou a autonomia da Casa e a importância do respeito institucional entre os Poderes. Em tom firme, destacou a defesa das prerrogativas do Senado, ressaltando que todas as decisões da Mesa, inclusive as que envolvem a recente pauta do Congresso, foram baseadas no cumprimento das normas regimentais, e não por interesses pessoais ou partidários.
Davi explicou que sua manifestação se deu em razão de críticas recentes sobre a tramitação da indicação do advogado-geral da União Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente do Senado reiterou que todas as ações da Mesa e da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) seguiram estritamente os ritos regimentais e constitucionais, incluindo a definição do calendário de sabatina e da votação secreta dos senadores.
— É inacreditável a capacidade das pessoas de mentir em relação a decisões institucionais tomadas por um chefe de Poder — disse ele. — Em nenhum momento nenhum de nós tentou usurpar as prerrogativas do presidente da República. O presidente da República tem a prerrogativa de indicar, e o Senado tem a de sabatinar e votar.
Davi informou que, diante das críticas sobre suposto atraso na sabatina de autoridades para o Supremo, ele buscou junto ao presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), estabelecer um calendário que permitisse a tramitação dentro do prazo adequado, sem atropelos ou acusações infundadas.
— Tomamos a decisão institucional que nos cabe. Fomos ali no púlpito e fizemos uma fala — ressaltou Alcolumbre. — Manifestamos o que nos cabe, [utilizando] as prerrogativas por meio das quais estão nos acusando de tirar as dos outros.
O presidente do Senado também recordou sua atuação no processo de transição do governo, em 2023, ressaltando que o Congresso, em apenas 25 dias, aprovou a chamada PEC da Transição, com o objetivo de garantir ao novo governo condições de funcionamento no primeiro ano.
— Nunca houve na história um Parlamento que, em 25 dias, entregasse para o novo governo condições de existir no primeiro ano do ponto de vista fiscal — disse. — Isso mostra que o Senado tem responsabilidade e compromisso com o país.
Vetos
Davi comentou ainda as críticas recebidas nas últimas semanas, quando pautou a sessão do Congresso para votar vetos da Presidência da República. Ele argumentou que suas decisões não foram motivadas por interesses pessoais ou partidários, mas pelo cumprimento do regimento e pelas prerrogativas do Senado.
— Quando adiei as sessões para construir consenso, ninguém lembrou disso. Foi muito cômodo falar que o presidente do Senado estava marcando uma “pauta bomba” — protestou. — Aqueles que concordam com a derrubada dos vetos que votem [pela derrubada]; aqueles que concordam com a manutenção que votem pela manutenção.
Por fim, ele reiterou seu compromisso com o diálogo institucional e a pacificação, reafirmando que estará à frente das iniciativas para proteger a legitimidade do voto popular e a autonomia do Poder Legislativo.
— Busco a moderação, busco a pacificação, busco o diálogo institucional. Mas todos aqueles que tentarem usurpar as prerrogativas do Senado Federal terão um presidente do Congresso que vai à frente para defender a legitimidade do voto popular. É aqui na Casa da Federação que todos ficam iguais: o meu pequeno Amapá se agiganta e fica do tamanho do gigantesco estado de São Paulo.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Discussão sobre fim da escala de trabalho 6×1 continua em agosto
O fim da chamada escala 6×1, com seis dias de trabalho e um de folga por semana, seguirá em discussão no Senado em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa de alguns senadores é de que a PEC 221/2019 seja votada após a volta dos trabalhos.
Além de acabar coma escala 6×1, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.
O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, determinou que a proposta passasse pelas comissões.
O presidente do Senado tem se reunido com os setores interessados no tema para discutir a proposta. No início de julho, a reunião foi com as centrais sindicais, que defenderam o avanço na análise do texto. Antes, em maio, ele já havia recebido integrantes dos empregadores, que defenderam a votação da proposta somente após as eleições.
Agosto
Em entrevista na segunda-feira (13), o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o fim da escala 6×1 é “prioridade absoluta” para o governo e que continuará trabalhando para que a votação ocorra assim que possível.
— Mesmo no período das eleições, o Senado vai funcionar em esforços concentrados e remotamente. Não impede que possamos ainda votar a PEC do fim da escala 6×1 em agosto. Nós vamos, ainda, insistir em avançar sobre essa proposta de emenda à Constituição ainda nesse período.
As semanas de esforço concentrado serão entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, e devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara, conforme anunciado por Davi Alcolumbre na quarta-feira (15).
— O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico — informou Davi.
Defesa
Em pronunciamentos recentes, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da proposta, disse ter esperança de que a votação ocorra em agosto. Para ele, o debate sobre a redução da jornada não “pertence” ao governo, à oposição e nem aos partidos políticos, e sim ao povo.
— Tenho muita esperança de que a PEC vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão — defendeu.
Para Paim, o fim da escala 6×1 fará a produtividade do trabalhador brasileiro aumentar, ao invés de diminuir. Ele argumentou que países com jornadas menores apresentam índices mais elevados de produtividade por hora trabalhada.
Também em defesa do avanço na análise da PEC, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comparou a jornada dos trabalhadores à dos parlamentares. Ele lembrou que o período de campanha eleitoral começa em agosto e disse que o eleitor precisa cobrar seus representantes.
— Muitos que vão aí pedir voto para você não querem votar o fim da escala 6×1, querem fazer você trabalhar igual a um condenado no 6×1, e nós aqui trabalhando, durante este ano de 2026, o que não vai dar nem um mês de trabalho, do jeito que está aí — criticou.
Eleições
Outros senadores demonstram preocupação com os efeitos da PEC e defendem que a votação fique para depois das eleições. Em sessão temática no início de julho, o líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), defendeu o amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral.
— Não é proibido, não é interditado discutirmos jornada de trabalho. Pelo contrário, é uma discussão que tem que acontecer. Mas por que agora? Por que neste momento? — questionou o senador.
No mesmo debate, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que votará a favor da PEC, mas defendeu que o debate seja feito com serenidade e que todos os setores sejam ouvidos para que a solução seja equilibrada.
— Estamos falando da vida de milhões de brasileiros, de tempo dedicado à família, ao descanso, à qualificação profissional e, ao mesmo tempo, da competitividade das empresas e da capacidade de gerar empregos. É justamente por isso que este debate exige serenidade, responsabilidade e diálogo — ponderou.
Outras propostas
Também na sessão temática, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) criticou a falta de estudos de impacto econômico e social da medida durante a análise na Câmara e afirmou que a PEC vai ter consequências negativas na economia. Ele defendeu a aprovação de outra proposta em análise no Senado.
— Defendemos a PEC 12/2026, que permite ao trabalhador negociar uma jornada flexível de acordo com as suas necessidades. Direitos como férias, décimo terceiro e FGTS seguirão de forma proporcional à jornada acordada — garantiu.
A proposta foi apresentada pelo senador Rogerio Marinho logo após a chegada da PEC 221 ao Senado. Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual prevalece sobre possíveis acordos coletivos. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.
Na Câmara, a PEC 221 era analisada junto com outra proposta, a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que previa uma carga máxima de 36 horas em quatro dias de trabalho. O texto foi arquivado.
Outro projeto, o PL 1.838/2026, foi apresentado em abril pelo Executivo. Ele define em 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho e garantir ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Após a aprovação da PEC 221, o governo retirou o pedido de urgência para o projeto, que segue em análise na Câmara.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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