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Demanda aquecida marca início da semana, mas preços do algodão recuam e reduzem o ímpeto das vendas

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O mercado doméstico de algodão começou a semana com demanda aquecida, especialmente para entregas programadas a partir da segunda quinzena de janeiro e para a safra 2026. No entanto, o ritmo comprador perdeu intensidade nos últimos dias, provocando queda nas cotações e maior cautela por parte dos vendedores, segundo dados da Safras Consultoria.

Com a redução da liquidez, compradores e vendedores têm adotado postura mais defensiva. No mercado spot, as indústrias têxteis mantiveram a indicação do algodão posto em São Paulo em R$ 3,48 por libra-peso, o mesmo valor da quinta-feira (4). Já em Rondonópolis (MT), a pluma foi negociada a R$ 108,86 por arroba, uma leve queda frente aos R$ 108,90 da semana anterior.

Conab prevê redução na produção nacional de algodão em 2025/26

A produção brasileira de algodão em pluma na safra 2025/26 está estimada em 3,959 milhões de toneladas, segundo o 3º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta semana. O volume representa uma queda de 2,9% em relação à safra anterior (2024/25), quando o país colheu 4,076 milhões de toneladas.

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A produtividade média das lavouras deve atingir 1.885 quilos de pluma por hectare, ligeiramente abaixo dos 1.954 quilos por hectare registrados na temporada passada. Já a área plantada com algodão deve crescer 0,7%, passando de 2,085 milhões para 2,1 milhões de hectares.

Mato Grosso lidera produção, mas deve colher menos

O Mato Grosso continua sendo o principal produtor de algodão do Brasil, respondendo pela maior parte da colheita nacional. Contudo, o estado deverá registrar queda de 5,4% na produção, com estimativa de 2,669 milhões de toneladas, ante 2,852 milhões de toneladas na safra anterior.

Na Bahia, o segundo maior polo produtor do país, a produção deve crescer 2,5%, totalizando 859,4 mil toneladas, frente às 838,4 mil toneladas colhidas em 2024/25. Já Goiás deve apresentar leve retração de 1,1%, com expectativa de 54,6 mil toneladas, contra 55,2 mil toneladas na temporada anterior.

Perspectivas: cautela e ajustes nas próximas semanas

Segundo analistas, o cenário atual combina demanda firme, mas seletiva, com produtores retraídos diante da volatilidade dos preços. A expectativa é que o mercado siga em compasso de espera nas próximas semanas, com os contratos futuros e o ritmo de exportações influenciando as decisões de venda.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais

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As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.

A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.

O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.

No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.

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Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.

A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.

Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.

O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.

Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.

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Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.

Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.

A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.

Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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