AGRONEGÓCIO
Resíduos em carne reforçam importância do uso correto de medicamentos veterinários
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A identificação de resíduos de produtos veterinários em cargas de carne bovina brasileira, pela União Europeia e pela China, acendeu um novo sinal de alerta dentro da cadeia pecuária e ampliou a pressão internacional sobre o setor exportador. O episódio mostra o quanto é importante o uso correto de medicamentos no campo e sobre os riscos associados a produtos ilegais ou aplicados fora das recomendações técnicas.
Diante do cenário, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) reforçou que a ocorrência de resíduos acima dos limites permitidos está diretamente ligada ao descumprimento de orientações básicas, como dose correta, forma adequada de aplicação e, principalmente, o respeito ao período de carência antes do abate.
Segundo a entidade, quando essas regras são seguidas, não há risco de violação dos padrões exigidos tanto pelo mercado interno quanto pelos principais destinos das exportações brasileiras, em conformidade com o Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes, coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
“O produtor precisa ter clareza de que as informações estão todas disponíveis. A rotulagem e a bula dos medicamentos trazem de forma objetiva as advertências, as restrições de uso e os prazos em que carne, leite ou ovos não podem ser destinados ao consumo humano após a aplicação”, afirma o vice-presidente executivo do Sindan, Emílio Carlos Salani.
Além do manejo adequado, o Sindan chama atenção para um ponto sensível: a origem do medicamento utilizado no rebanho. Salani destaca que é fundamental diferenciar dois tipos de situações que podem resultar na detecção de resíduos — o uso inadequado de um produto devidamente registrado e o emprego de substâncias ilegais, contrabandeadas ou fabricadas sem autorização do Mapa.
“O resultado final pode até parecer o mesmo em uma análise laboratorial, mas a origem do problema e, sobretudo, a solução são completamente diferentes”, explica o executivo. No caso dos produtos irregulares, os riscos são significativamente maiores, já que não há garantia de composição, concentração do princípio ativo ou controle de qualidade.
O sindicato alerta que medicamentos falsificados ou comercializados por canais informais, sem responsável técnico ou licença oficial, representam uma ameaça não apenas à segurança alimentar, mas também à saúde animal e à própria viabilidade econômica da propriedade.
“O ganho financeiro aparente ao adquirir um produto ilegal é mínimo. Em contrapartida, o produtor assume riscos elevados, como perda de produtividade, danos ao rebanho, embargos comerciais e responsabilização direta em caso de detecção de resíduos acima do permitido”, reforça Salani.
Para enfrentar o problema, o Sindan intensificou as ações da Campanha Olhos Abertos de Combate à Pirataria de Medicamentos Veterinários, voltada à conscientização de produtores, distribuidores e profissionais da área. A iniciativa reúne materiais educativos, ações de comunicação e parcerias com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) e entidades representativas do setor.
Além da orientação, a campanha também estimula a denúncia de irregularidades. O canal disponibilizado pela entidade encaminha os relatos diretamente à ouvidoria do Ministério da Agricultura, facilitando a atuação dos órgãos de fiscalização.
Em um momento em que o Brasil busca preservar mercados estratégicos e fortalecer sua imagem como fornecedor confiável de proteína animal, o recado do setor é direto: seguir as regras técnicas e usar apenas produtos legalizados não é apenas uma exigência sanitária, mas uma condição essencial para a sustentabilidade da pecuária brasileira.
Fonte: Pensar Agro
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Canola de segunda safra no Brasil pode reduzir emissões da aviação em até 55%, aponta estudo sobre SAF
SAF de canola pode reduzir emissões da aviação em até 55%
Uma avaliação do ciclo de vida do combustível sustentável de aviação (SAF) produzido a partir da canola de segunda safra no Brasil indica potencial de redução de até 55% nas emissões de gases de efeito estufa (GEE), em comparação ao querosene fóssil Jet-A1.
O estudo considera todas as etapas da cadeia produtiva — do cultivo da canola até a queima do combustível na aeronave — por meio da metodologia de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), amplamente utilizada para mensurar impactos ambientais completos.
A pesquisa é resultado de uma colaboração entre o Laboratório de Energia e Ambiente (LEA) da Universidade de Brasília, a Embrapa Agroenergia e a Embrapa Meio Ambiente.
Redução de emissões depende de cenário e tecnologia adotada
Segundo a pesquisadora Priscila Sabaini, da Embrapa Meio Ambiente, o potencial de redução de 55% representa um cenário otimista e ainda hipotético, baseado em condições ideais de adoção.
Na prática, o percentual pode variar devido a limitações técnicas e regulatórias, especialmente na substituição total do combustível fóssil.
Atualmente, o SAF do tipo HEFA (produzido a partir de óleos e gorduras) permite mistura de até cerca de 50% com querosene convencional, o que impede substituição integral no curto prazo.
Produção de SAF ainda depende de evolução regulatória e tecnológica
Os pesquisadores destacam que os percentuais de redução devem ser entendidos como potencial de mitigação, e não como resultado imediato.
O avanço do setor depende de fatores como:
- Desenvolvimento tecnológico
- Expansão da produção de SAF
- Adequações regulatórias
- Adoção em larga escala no setor aéreo
O estudo também contribui para debates internacionais sobre descarbonização da aviação e políticas climáticas.
Cenários analisados incluem produção e uso do combustível
A pesquisa utilizou dados reais de produtores brasileiros, considerando condições tropicais de cultivo em sistema de segunda safra.
Foram avaliados três cenários principais:
- Combustível fóssil Jet-A1
- Mistura com 50% SAF e 50% Jet-A1
- Uso de 100% SAF
A rota tecnológica analisada foi a HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids), que converte óleos vegetais em combustível de aviação por hidrotratamento.
O estudo também dialoga com iniciativas como o Corsia, da Organização da Aviação Civil Internacional, além de políticas brasileiras como o RenovaBio e a Lei do Combustível do Futuro.
Agricultura responde pela maior parte das emissões do SAF
Os resultados mostram que a etapa agrícola é a principal fonte de emissões no ciclo de vida do SAF de canola.
- Cultivo: cerca de 34,2 g CO₂ eq./MJ
- Conversão industrial HEFA: cerca de 12,8 g CO₂ eq./MJ (com hidrogênio fóssil)
O principal fator de impacto está no uso de fertilizantes nitrogenados, que também gera emissões de óxido nitroso (N₂O).
Segundo o pesquisador Alexandre Cardoso, da Embrapa Agroenergia, esse é o ponto mais crítico do sistema, com impactos adicionais sobre água e ecossistemas.
Hidrogênio renovável pode reduzir emissões em até 94%
Um dos principais achados do estudo é o papel do hidrogênio na produção do SAF.
Quando o hidrogênio fóssil é substituído por hidrogênio verde, produzido a partir de fontes como energia solar e eólica, as emissões da etapa industrial podem cair entre 86% e 94%.
Esse fator reforça a importância da integração entre bioenergia e energia renovável para ampliar a eficiência climática do combustível.
Canola de segunda safra melhora sustentabilidade no Brasil
No Brasil, a canola é cultivada majoritariamente como segunda safra, em rotação com a soja, o que melhora o aproveitamento de áreas agrícolas já existentes.
Segundo o pesquisador Bruno Laviola, da Embrapa Agroenergia, essa característica reduz a competição por terra e melhora o desempenho ambiental do cultivo em comparação a regiões onde a cultura é plantada como safra principal.
O estudo, no entanto, não considerou emissões de mudança indireta no uso da terra (iLUC), apontadas como tema para pesquisas futuras.
Implicações para políticas públicas e certificação ambiental
Os resultados reforçam a importância de instrumentos regulatórios para expansão sustentável do SAF no Brasil.
Atualmente, a canola ainda não está incluída na rota HEFA do RenovaCalc, ferramenta usada para certificação de intensidade de carbono e geração de Créditos de Descarbonização (CBIOs) dentro do RenovaBio.
A inclusão da cultura pode ampliar o portfólio de matérias-primas certificáveis e melhorar a representatividade da agricultura nacional no sistema.
Sustentabilidade vai além da redução de carbono
O estudo destaca que a avaliação ambiental do SAF deve considerar não apenas emissões de carbono, mas também impactos sobre solo, água e ecossistemas.
Pesquisadores apontam que a sustentabilidade do combustível depende da combinação entre:
- Melhores práticas agrícolas
- Uso eficiente de fertilizantes
- Integração com energia renovável
- Avanços industriais
Para os autores, o Brasil reúne condições favoráveis para integrar produção agrícola e energia limpa, ampliando o potencial climático do SAF e fortalecendo sua posição na transição energética global.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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