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Integração, tecnologia e prevenção são base da segurança em SC, aponta debate

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Em audiência na CPI do Crime Organizado, nesta quarta-feira (17), o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, e gestores da área da segurança no estado destacaram que a redução da criminalidade na região dependem de escolhas políticas contínuas, como investimento em prevenção, integração das forças policiais, valorização profissional e uso intensivo de tecnologia. Os participantes detalharam as estratégias que sustentam os baixos índices de criminalidade no estado e defenderam maior atuação do governo federal em fronteiras, portos e aeroportos. 

O estado é considerado um dos mais seguros em rankings nacionais, como os estabelecidos pelo Anuário Cidades Mais Seguras 2025 e o Atlas da Violência 2025. De acordo com esses dados, Santa Catarina registra baixa taxa de homicídios (cerca de 8,6 por 100 mil habitantes). No entendimento dos representantes do estado, o cenário se deve a investimentos na qualificação e valorização dos profissionais de segurança e na integração e autonomia das forças, além do reforço em tecnologia e políticas públicas focadas na prevenção. 

O governador destacou que uma das frentes mais efetivas é a integração das polícias e a autonomia de todas essas corporações. Ele citou como exemplo a valorização da polícia científica, que tem desempenhado perícias bem feitas, resultando na solução de 85% dos crimes, enquanto que a taxa nacional é em torno de 40%. 

Prevenção 

Jorginho Mello destacou que 12% do orçamento público do estado é direcionado para o reforço da segurança pública e que uma das frentes mais efetivas nessa atuação é a prevenção. Entre as ações ele citou a oferta de escola integral no contraturno, universidade gratuita e cursos técnicos voltados a profissionalização de jovens e adolescentes.

O governador ainda compartilhou, como outro aspecto importante de enfrentamento à criminalidade, o lançamento do programa estadual de combate à violência contra à mulher e ao feminicídio. O programa, segundo o secretário de Segurança Pública, Flávio Rogério Pereira Graff, é focado na prevenção e na educação da população. A campanha é voltada, especialmente, para a conscientização e educação dos homens.

— É um plano decenal, com ações que serão implantadas ao longo dos anos, até 2035. [O plano] trata com bastante relevância a questão da prevenção e da educação para que todos tenhamos ciência desse mal que nos aflige. O atendimento e a proteção daquelas mulheres que por acaso tenham sido vítimas e também a responsabilização e reeducação dos agressores. 

Trabalho para presos 

Jorginho Mello também ressaltou a importância do desenvolvimento de políticas públicas para o preso. Ele informou que o estado possui cerca de 30 mil encarcerados e 35% deles trabalham. Eles recebem um salário mínimo, sendo que metade do valor é direcionado à família, 25% ficam para custeio do apenado e o restante reforça um fundo para ser resgatado após obter a liberdade.

— Um apenados que vai sair agora desenha  roupas de mulheres. Um vestido dele foi vendido por R$ 40 mil e ele agora está sendo contratado por uma grande empresa para fazer os figurinos — disse.

O estado ainda possui uma Unidade de Segurança Máxima (USM), localizada em São Cristóvão do Sul, com 40 presos atualmente, mas com capacidade para receber 200. 

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Em resposta ao relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), a Secretária de Justiça e Reintegração Social, Danielle Amorim Silva, esclareceu que os presos integrantes de facções criminosas são identificados já na porta de entrada dos presídios e, quando isso não acontece, a inteligência atua imediatamente para a checagem. Segundo ela, os presidiários de facções são separados por galeria, não por unidade prisional. 

Danielle também esclareceu que há um filtro para a classificação do detento apto a trabalhar, tendo em vista todos os critérios para garantir a segurança dos atores envolvidos no processo. 

— São cerca de 11 mil presos trabalhando. Todos os internos querem trabalhar, são poucos os que não querem trabalhar, mas a gente faz uma seleção. A gente tem uma comissão técnica de classificação, onde é realizado um filtro [para identificar] qual interno pode trabalhar. Obviamente, nem todo interno será colocado para trabalhar, é realizada também toda uma análise sobre questões de segurança da unidade prisional, quantidade da pena, perfil do preso, se ele é faccionado. A gente não coloca as lideranças para trabalhar para não fortalecer a organização criminosa. 

Tecnologia

Outro responsável pelos bons índices de segurança pública, segundo os gestores de Santa Catarina, é o investimento em tecnologia. 

— A inteligência da polícia é muito forte, com câmera de leitura facial. A gente está instalando em todo o estado de Santa Catarina. Por exemplo, só para os senhores terem uma ideia, a October Fest é uma das maiores festas do Brasil e passaram por lá, este ano, 700 mil pessoas. Foi furtada meia dúzia de celulares, que em duas horas já estavam nas mãos dos seus verdadeiros donos — disse o governador.

O secretário de Segurança Pública disse que o estado usa a inteligência como eixo central da atividade, com um sistema de dados integrado que viabiliza, de forma prática e acessível, o monitoramento e, sobretudo, a identificação das lideranças, dos operadores e dos financiadores do crime. Ele citou como exemplo, a facilidade de o policial, dentro da viatura, poder acessar pelo celular todas as informações em um banco de dados centralizados. 

— É um grupo de acompanhamento e monitoramento de facções criminosas, o qual é composto pelas forças de segurança, vinculadas à SSP, a polícia penal, por integrantes do ministério público, do poder judiciário, por órgão federais, como a Abin, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal e as Forças Armadas. Tudo isso no sentido de reunir informações na área de inteligência e poder trabalhá-las para transformar isso em ação firme nas ruas. 

O estado também possui delegacias especializadas voltadas à lavagem de dinheiro e ao combate ao crime organizado. Segundo o secretário, desde 2023, já foram recuperados mais de R$ 4 bilhões do crime organizado. 

Conforme Graff, Santa Catarina também conseguiu dar um salto significativo na gestão dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública, no ano passado. Enquanto em 2023 foram executados R$ 4,16 milhões, em 2024 esse valor foi de R$ 72,07 milhões. 

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— Isso foi até um case, a própria Secretaria Nacional de Segurança Pública, através de seminário que ela fez, nos chamou para darmos esse depoimento e assim foi demonstrado, como nós deveremos estar fazendo, buscando fazer exatamente essa execução para que esses recursos se transformem em armamento, em viaturas, em equipamentos de proteção individual. 

Ações do governo federal 

Para Jorginho Mello, a CPI pode oferecer um relatório com potencial para fazer a diferença na segurança do país, mas ele diz não acreditar que o problema esteja focado na produção de novas leis ou emendas constitucionais para concentrar poder e “engessar” a atuação das demais forças. O governador defendeu que o governo federal siga reforçando a atuação naquilo que já compete ao Executivo, como a segurança a proteção e a fiscalização de portos, aeroportos e fronteiras. 

— O governo federal precisa apoiar os estados com recursos e fazer o que é da obrigação do governo federal: não criar mais dificuldades. O governo precisa cuidar das fronteiras, que cuida muito mal, com todo o respeito. Os aeroportos, os portos. Tem que cuidar disso. A arma não vem do céu, a droga não vem do céu, vem por água, vem por portos, vem pelas fronteiras.

Questionado pelo relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), sobre de que forma os estados poderiam colaborar com essas ações do governo federal, Jorginho Mello citou o estímulo e valorização das instituições federais que fazem parte da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco). Programa que une policiais e agentes de diversas forças (federais, estaduais) para atuar de forma coordenada contra o crime organizado. No entanto, segundo o governador, recentemente a Polícia Rodoviária Federal foi “retirada” do grupo de atuação, o que foi criticado. 

— A Polícia Rodoviária Federal nos ajudava muito nessa frente. Não entendi porque eles foram retirados. 

O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), reconheceu o trabalho da gestão estadual em Santa Catarina, destacando a valorização dos profissionais da força de segurança. 

— Infelizmente, no Brasil, lamentavelmente, as pessoas criminalizam a polícia, como se a polícia fosse vilã na história. Eu sempre falo que o policial tem que ser visto como garantidor de direitos, ele não é violador de direitos. Quem tem desvio de função, que seja responsabilizado. 

Alessandro Vieira reforçou o reconhecimento ao avaliar que os dados e informações vão contribuir na formulação do seu relatório final. 

— Ficou claro que em Santa Catarina se tem a vontade de fazer e o estado providenciou as condições para fazer. As polícias com as condições adequadas, atendem ao resultado. Os policiais não saem de casa para matar bandido, para matar ninguém. O policial sai de casa para evitar o crime.  

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Enamed será obrigatório para exercício da medicina, aprova Senado

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O Senado aprovou nesta quinta-feira (15) a medida provisória que institui o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) como condição para o exercício da medicina. A MP 1.370/2026 segue para sanção da presidência da República.

De acordo com as regras aprovadas, serão três avaliações ao longo da graduação — no final do segundo, do quarto e do sexto ano do curso de medicina, em vez de apenas duas avaliações, como estava previsto no texto do Poder Executivo. O registro profissional será condicionado ao desempenho do estudante, que deve atingir um nível mínimo de proficiência.

A exigência de aprovação no Enamed para obtenção do registro será aplicada aos estudantes que ingressaram nos cursos de medicina a partir de 19 de junho de 2026, data de publicação da medida provisória. Quem já estava matriculado antes dessa data continuará submetido às regras anteriores, assim como médicos que já tinham diploma reconhecido nacionalmente.

A MP, cujo prazo de vigência se esgotaria nesta sexta-feira (16), foi aprovada pela manhã em comissão mista e seguiu para a Câmara, onde obteve a aprovação dos deputados no início da tarde, antes de seguir para o Senado. O texto teve como relator o deputado Doutor Luizinho (PP-RJ), que acatou total ou parcialmente 49 das 479 emendas apresentadas pelos parlamentares.

Conteúdo

As avaliações serão componentes curriculares obrigatórios e terão aplicação no Distrito Federal e nos municípios que oferecem cursos de medicina. O resultado final será calculado pela média acumulada das três provas, com maior peso para a última avaliação. O exame será aplicado pelo Ministério da Educação (MEC).

O desempenho mínimo exigido, os pesos de cada etapa e os critérios de cálculo serão definidos pela Comissão Nacional de Avaliação da Formação Médica e deverão ser previamente publicados.

Quem não alcançar o nível mínimo de proficiência poderá refazer a terceira etapa do exame nas edições seguintes, com novo cálculo da média final. A primeira média acumulada das três avaliações constará do histórico escolar do estudante concluinte, e as faculdades poderão utilizar as notas em seus processos de avaliação acadêmica.

O exame verificará conhecimentos, habilidades e competências previstos nas diretrizes curriculares nacionais, considerando os princípios e as necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS). Também fornecerá informações para a formulação de políticas públicas e para a fiscalização dos cursos.

A aprovação será comprovada por certificado eletrônico, que ficará disponível ao interessado e poderá ser consultado pelos conselhos regionais exclusivamente para análise do pedido de registro profissional, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).

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Discussão

Durante a discussão da matéria em Plenário, o senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) declarou voto contrário e criticou a decisão do governo de tratar o tema por meio de medida provisória. Ele é autor do PL 2.294/2024, que atribui ao Conselho Federal de Medicina (CFM) a condução do exame.

— Esse exame não pode ser feito pelo MEC. O MEC tem que fazer quantos exames forem necessários durante a formação do aluno. Depois de o aluno formado, isso é obrigação do Conselho Federal de Medicina única e exclusivamente, sem interferência do MEC, para que o processo seja lógico, seguro — argumentou.

Médicos, os senadores Dr. Hiran (PP-RR) e Zenaide Maia (PSD-RN) defenderam a realização do Enamed nos moldes aprovados. Para Zenaide ,a aplicação em três etapas, e não só ao final do curso, é um avanço.

— Você vai dizer àquele estudante que durante os seis anos [de duração do curso] ele teve um ensino que não era suficiente? Você vai esperar o último ano para avaliar ? (…) Essa avaliação coletiva e com esse olhar diferenciado para dar notas para os cursos de medicina é importante — defendeu a senadora, que é médica infectologista.

Presidente da comissão mista que analisou a medida, o senador Camilo Santana (PT-CE) afirmou que, durante sua gestão à frente do Ministério da Educação, encontrou uma grande quantidade de cursos de medicina sem qualidade funcionando com autorizações liminares. Para ele, governos anteriores “abriram as porteiras” para esses cursos.   

O senador Marcelo Castro (MDB-PI), também médico e ex-ministro da Saúde, concordou e disse que muitas instituições que funcionam com autorizações judiciais estão formando médicos sem qualidade. Para ele, o exame como previsto na MP protege a população.

— Os estudantes agora vão ser avaliados três vezes para poder receber o diploma. Se não forem aprovados (…) eles poderão cursar a faculdade, mas não poderão exercer a medicina — lembrou o senador.

Egressos

O senador se referia à Inscrição de Egresso de Medicina (IEM), destinada aos formados que não alcançarem o nível mínimo de proficiência exigido no Enamed. A inscrição permitirá apenas o exercício de atividades técnico-científicas, sem contato clínico com pacientes e sob supervisão de médico regularmente inscrito ou pesquisador responsável.

Os titulares da IEM não poderão atender pacientes, prescrever medicamentos, emitir atestados ou laudos, nem exercer outras atividades exclusivas dos médicos, mesmo sob supervisão. Também não poderão ocupar cargos ou funções destinados a profissionais médicos.

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Fiscalização das faculdades

O substitutivo estabelece regras para a avaliação e a fiscalização dos cursos de medicina. Cada instituição receberá anualmente um conceito calculado com base na proporção de estudantes que alcançarem o nível mínimo de proficiência na terceira etapa do Enamed e os cursos com desempenho insatisfatório poderão ser submetidos a processos de supervisão e outras medidas previstas na legislação educacional.

O MEC deverá divulgar anualmente os resultados consolidados do exame por instituição, preservando a identidade dos estudantes. As informações deverão permanecer disponíveis em portal público por pelo menos dez anos.

As faculdades também serão obrigadas a publicar os resultados das três últimas edições do Enamed. A medida permitirá que os estudantes consultem e comparem o desempenho das instituições antes de escolher onde cursar medicina.

Formação prática no SUS

O texto aprovado estabelece parâmetros nacionais para a utilização de unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) na formação dos estudantes de medicina. Algumas regras, como limites máximos de estudantes por atividade, serão definidas em regulamentação. O objetivo é adequar a quantidade de estudantes à capacidade dos serviços públicos de saúde.

As instituições que utilizarem hospitais e outros serviços do SUS para estágios obrigatórios e atividades práticas também deverão oferecer contrapartidas, como recursos financeiros, melhorias estruturais, serviços assistenciais e ações educacionais. O conjunto das contrapartidas a 2% do faturamento líquido do curso de medicina.

A proposta também permite que a nota final dos estudantes aprovados no Enamed seja utilizada nos processos seletivos para programas de residência médica de acesso direto.

Diplomas estrangeiros

O texto mantém as duas etapas do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira (Revalida), norma que já estava prevista no texto original, e ainda estabelece regras de transição para profissionais formados no exterior.

Os candidatos que fizeram a primeira etapa do Revalida até 19 de junho de 2026 e foram aprovados serão dispensados do Enamed e poderão fazer a prova de habilidades clínicas nas duas edições seguintes do exame.

A avaliação prática será aplicada semestralmente, conforme edital. Já a cobrança pela prova teórica seguirá as diretrizes e os modelos de financiamento estabelecidos pela Comissão Nacional de Avaliação da Formação Médica.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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