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Mercado de trigo inicia 2026 com baixa liquidez, moinhos cautelosos e apoio nas exportações

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O mercado brasileiro de trigo começou o ano com negociações lentas, preços estáveis e pouca movimentação. A cautela dos moinhos e o bom nível de estoques internos têm mantido o ambiente de baixa liquidez. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Elcio Bento, a ausência de urgência compradora e a falta de referências consistentes de preços têm limitado as operações nas últimas semanas.

Paraná: mercado travado e sem avanços nas negociações

No Paraná, o ritmo de negócios permaneceu praticamente estagnado ao longo da semana. As principais indicações seguiram em torno de R$ 1.200 por tonelada posto moinho, sem evolução significativa. Em algumas regiões do norte do estado, surgiram pedidas entre R$ 1.250 e R$ 1.280 por tonelada, enquanto em Ponta Grossa os valores oscilaram entre R$ 1.240 e R$ 1.250.

Segundo Bento, os moinhos seguem com uma postura defensiva, sustentada pelos estoques elevados e pela competitividade do trigo importado, que mantém o comprador doméstico em posição de espera.

Rio Grande do Sul: mercado físico parado e leve sinal de recuperação

No Rio Grande do Sul, o cenário também foi de pouca movimentação. As indicações nominais ficaram entre R$ 1.000 e R$ 1.050 por tonelada FOB, com poucos negócios efetivados — cerca de R$ 1.030 por tonelada para pequenos volumes destinados a moinhos de menor porte.

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Para fevereiro, os preços começaram a testar níveis entre R$ 1.050 e R$ 1.060 por tonelada, sugerindo uma possível retomada gradual.

“A percepção é de que o mercado já atingiu o fundo, com piso próximo de R$ 1.000 por tonelada”, destacou Bento.

Exportações seguem como principal suporte do trigo nacional

Apesar da lentidão no mercado interno, o canal externo continua sendo o principal fator de sustentação dos preços. As exportações brasileiras mantêm ritmo firme, com line-ups superiores a 1 milhão de toneladas entre embarques realizados e programados, todos com origem no Rio Grande do Sul.

Os principais destinos seguem concentrados na Ásia, com destaque para Bangladesh, Vietnã e Indonésia.

“Enquanto o mercado doméstico permanece cauteloso, o escoamento externo continua dando suporte ao trigo gaúcho”, afirmou o analista.

Perspectivas: retomada gradual e ajuste de preços ao longo de janeiro

A expectativa do mercado é que, ao longo de janeiro, o ritmo de negócios volte a ganhar força com a reentrada da demanda. Esse movimento deve ajudar na formação de novas referências de preços e na consolidação de uma tendência de recuperação moderada.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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