AGRONEGÓCIO
Ração Cocamar impulsiona produtividade e ajuda produtores a enfrentar crise no setor leiteiro
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Crise no leite desafia produtores brasileiros
A crise no setor leiteiro continua a afetar pequenos e médios produtores em todo o país. A autorização do governo federal para a livre importação de leite de países do Mercosul tem pressionado os preços internos, reduzindo a rentabilidade da atividade. Enquanto o custo de produção sobe, o valor pago ao produtor segue em queda — uma combinação que vem sufocando a cadeia produtiva.
Tradicionalmente, a pecuária leiteira é uma das poucas alternativas de renda estável para pequenos proprietários rurais. No entanto, diante do cenário atual, muitos produtores têm sido obrigados a reduzir custos, adiar investimentos e, em alguns casos, abandonar a atividade.
Rally Cocamar visita produtores em Tuneiras do Oeste (PR)
Para acompanhar de perto a realidade do campo, o Rally Cocamar de Produtividade visitou recentemente o município de Tuneiras do Oeste, localizado na região Noroeste do Paraná, às margens da BR-487, a Estrada Boiadeira.
Na região, a pecuária leiteira é conduzida majoritariamente por pequenos produtores, que enfrentam um desafio diário para manter a atividade rentável.
Produtor busca eficiência em meio à crise
O produtor Ézio Marques Ferreira, dono de 17 hectares e com 62 vacas (41 em lactação), produz cerca de 1.000 litros de leite por dia. Segundo ele, para cobrir custos e obter lucro, o preço pago ao produtor deveria ser de pelo menos R$ 2,50 por litro.
“Hoje, o leite está entre R$ 1,90 e R$ 2,10. É queda em cima de queda. Essa é uma das piores crises que já enfrentei”, lamenta.
Há cinco anos, Ézio ampliou o rebanho — de 22 para 62 vacas —, mas a queda dos preços o obrigou a dispensar funcionários e cortar gastos. Mesmo assim, encontrou na Ração Cocamar 25% Top uma aliada para manter a produtividade.
Ração Cocamar melhora nutrição e produtividade
Com orientação do balconista Rafael Krauss, da unidade local da cooperativa, Ézio passou a usar a ração da Cocamar e observou um salto de 20% na produção, passando de 800 para 1.000 litros diários.
“Os animais ficaram mais bem nutridos e saudáveis. Isso fez toda a diferença”, relata o produtor, que consome cerca de 350 sacas de ração por mês.
De acordo com o médico-veterinário Tiago Gimenes, da Cocamar, a alimentação adequada tem impacto direto na saúde, reprodução e produtividade das vacas.
“Quando o animal está bem nutrido, ele produz mais leite e também se reproduz com maior frequência. A vaca precisa estar saudável para parir e manter a lactação”, explica.
‘O barato sai caro’, diz produtor ao comparar rações
Outro produtor da região, Robson Sakurada, possui 30 vacas (22 em lactação) em uma área de 8,5 hectares, com produção média de 435 litros por dia. Ele conta que tentou reduzir custos trocando a Ração Cocamar por uma marca mais barata, mas logo percebeu o erro.
“No início parecia boa, mas depois a qualidade caiu e a produção despencou de 350 para 250 litros. Voltei para a Cocamar e tudo voltou ao normal. O barato sai caro”, destaca.
Com planos de ampliar o rebanho e construir um novo barracão, Robson teve de suspender os investimentos devido à crise, mantendo a operação apenas com os recursos atuais.
Resultados surpreendem produtores locais
O produtor Rogério Paulo da Silva, de 12 hectares, mantém 20 vacas (16 em lactação) e produz cerca de 200 litros diários. Após ouvir recomendações de outros produtores, decidiu testar a Ração Cocamar.
“Comprei 15 sacas para experimentar e me surpreendi. Já na terceira entrega, a produção subiu de pouco mais de 400 para 600 litros. Meus colegas achavam que era milagre”, brinca.
O relato reforça a importância da nutrição animal de qualidade como diferencial competitivo em um momento de margens apertadas para o setor.
Crescimento nas vendas confirma confiança dos produtores
Segundo o balconista Rafael Krauss, o aumento na procura pela Ração Cocamar em Tuneiras do Oeste foi expressivo: as vendas cresceram 85% em um ano.
“Os produtores veem resultados e comentam com os colegas. Esse boca a boca fortalece a confiança na marca e aumenta o interesse pelo produto”, afirma.
Sustentabilidade e eficiência como saída para a crise
A experiência dos produtores paranaenses mostra que investir em manejo nutricional eficiente e em produtos de qualidade pode ser decisivo para enfrentar a instabilidade do mercado.
Mesmo diante de preços baixos e custos altos, o uso de rações balanceadas como as da Cocamar tem permitido manter a produção estável e reduzir perdas, oferecendo uma alternativa concreta de sobrevivência para a pecuária leiteira familiar.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro
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