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USDA eleva projeções globais de soja e pressiona preços no Brasil: safra cheia no país e estoques maiores nos EUA ampliam oferta mundial

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O relatório de janeiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado nesta semana, trouxe dados considerados baixistas para o mercado global de soja. As novas projeções indicam estoques e produção acima do esperado, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, o que resultou em pressão sobre as cotações internas e em um ritmo mais lento de comercialização no mercado brasileiro neste início de 2026.

Produção e estoques norte-americanos superam expectativas

De acordo com o USDA, a safra de soja dos EUA em 2025/26 deve atingir 4,262 bilhões de bushels, o equivalente a 116 milhões de toneladas, ligeiramente acima da projeção de dezembro (4,253 bilhões de bushels). A produtividade média foi mantida em 53 bushels por acre, confirmando o bom desempenho das lavouras.

Os estoques finais também foram revisados para cima, passando de 290 milhões para 350 milhões de bushels — ou 9,53 milhões de toneladas. O mercado esperava um número menor, de cerca de 301 milhões de bushels. Esse aumento indica maior disponibilidade interna e reforça a pressão sobre os preços internacionais.

As exportações norte-americanas foram ajustadas para 1,575 bilhão de bushels, enquanto o esmagamento está estimado em 2,570 bilhões de bushels, sinalizando estabilidade no consumo interno, mas menor ritmo de embarques, especialmente para a China.

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Brasil e Argentina mantêm protagonismo na produção sul-americana

O relatório também revisou para cima a estimativa de produção de soja no Brasil, que agora deve alcançar 178 milhões de toneladas em 2025/26, ante 175 milhões no levantamento anterior. Para a temporada 2024/25, a projeção foi mantida em 171,5 milhões de toneladas.

O bom desempenho climático nas principais regiões produtoras brasileiras e o início da colheita com produtividade dentro do esperado sustentam o otimismo sobre a oferta. O cenário reforça a entrada de uma safra cheia no mercado global, contribuindo para o aumento da disponibilidade e, consequentemente, para a manutenção da pressão nos preços domésticos.

Na Argentina, a produção foi mantida em 48,5 milhões de toneladas para 2025/26, enquanto o ciclo 2024/25 deve registrar 51,11 milhões de toneladas, sem alterações.

China mantém ritmo de importações estável

O USDA também projetou as importações de soja pela China em 112 milhões de toneladas para 2025/26 e 108 milhões de toneladas para 2024/25, repetindo as estimativas anteriores. Apesar do acordo comercial entre Pequim e Washington firmado no final de outubro, o ritmo de compras do país asiático segue moderado, o que adiciona incerteza à demanda global.

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Oferta global elevada e estoques mundiais em alta

A produção mundial de soja foi estimada em 425,68 milhões de toneladas para 2025/26, com estoques finais projetados em 124,41 milhões de toneladas, acima da expectativa de mercado (123,1 milhões). Para a safra 2024/25, os números foram mantidos em 427,15 milhões de toneladas de produção e 123,4 milhões de toneladas de estoques.

Nos Estados Unidos, os estoques trimestrais de soja em grão, em 1º de dezembro, ficaram em 3,29 bilhões de bushels, alta de 6% em relação ao mesmo período de 2024. Embora o resultado tenha ficado ligeiramente abaixo da previsão do mercado, o volume ainda reforça a tendência de oferta global robusta.

Perspectivas para o mercado brasileiro

Com o avanço da colheita e as condições favoráveis às lavouras, o Brasil tende a consolidar uma safra recorde, o que deve ampliar a competição no mercado internacional. A combinação de estoques elevados nos EUA e alta oferta sul-americana cria um ambiente de preços mais contidos para os produtores brasileiros no curto prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos

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O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.

A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.

O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.

Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.

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INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.

“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”

“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”

“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”

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Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.

No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.

Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.

Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.

Fonte: Pensar Agro

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