AGRONEGÓCIO
Exportações de milho de Mato Grosso em 2025: Egito, Irã e Vietnã lideram compras, mas safra registra leve retração
AGRONEGÓCIO
Mato Grosso encerrou dezembro de 2025 com um desempenho expressivo nas exportações de milho. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o estado embarcou 3,66 milhões de toneladas do cereal no mês, representando um aumento de 44,67% em relação a dezembro de 2024.
Apesar do bom resultado no último mês do ano, o volume acumulado da safra 2024/25 mostra retração. Entre julho e dezembro de 2025, o estado exportou 20,36 milhões de toneladas de milho, 5,16% a menos do que no mesmo período da safra 2023/24.
Concorrência internacional e logística influenciam desempenho
Segundo especialistas, a queda nas exportações mato-grossenses está ligada à maior oferta global, especialmente devido ao aumento da produção nos Estados Unidos e na Argentina. A competição internacional pressionou os preços e reduziu a participação do Brasil nas negociações.
Outro fator relevante foi a priorização da soja nas rotas de exportação. Com a crescente demanda chinesa pelo grão oleaginoso, parte da capacidade logística foi direcionada à soja, postergando embarques de milho durante o segundo semestre de 2025.
Egito, Irã e Vietnã são os maiores compradores
Entre os destinos do milho mato-grossense, Egito, Irã e Vietnã se destacam, respondendo juntos por 44,76% do volume exportado pelo estado na atual temporada. Esses países consolidam-se como os principais compradores do cereal, reforçando a importância estratégica do mercado externo para Mato Grosso.
Perspectivas para 2026
Apesar da retração no acumulado da safra, o resultado de dezembro indica que ainda existe potencial de recuperação. Mudanças no cenário logístico e condições favoráveis no mercado internacional poderão influenciar positivamente os embarques nos próximos meses, sendo decisivas para o fechamento da safra 2024/25.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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