AGRONEGÓCIO
Indústria de máquinas fecha dezembro com queda de receita, mas exportações disparam
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Receita total do setor de máquinas recua em dezembro
A indústria brasileira de máquinas e equipamentos registrou em dezembro uma queda de 3% na receita líquida total em comparação ao mesmo mês de 2024, alcançando R$ 21,24 bilhões, conforme dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) nesta quarta-feira.
O principal fator para o recuo foi a desaceleração do mercado interno, que apresentou redução de 10,5% no faturamento, totalizando R$ 13,4 bilhões no período.
Exportações crescem mais de 30% e sustentam desempenho anual
Apesar da retração doméstica, as exportações do setor tiveram forte alta em dezembro, com crescimento de 30,2% em relação a igual mês do ano anterior, somando US$ 1,43 bilhão.
No acumulado de 2025, as vendas externas de máquinas e equipamentos avançaram 5%, totalizando US$ 13,82 bilhões — um resultado que reforça a importância do comércio internacional para o equilíbrio financeiro da indústria.
Mudança no perfil dos principais destinos das exportações
A Abimaq destacou que as exportações para os Estados Unidos tiveram queda de 9,1% em 2025, reflexo das tarifas impostas pelo governo do presidente Donald Trump, o que reduziu a participação norte-americana nas vendas externas do Brasil de 27% em 2024 para 23% no último ano.
Por outro lado, outros mercados ganharam relevância. As exportações para a Argentina cresceram 38,4%, enquanto houve avanços expressivos para Cingapura (74,3%), Chile (17%) e Peru (22,5%), demonstrando a diversificação geográfica das vendas internacionais do setor.
Capacidade produtiva e carteira de pedidos apresentam melhora
Mesmo com a queda de receita, o desempenho operacional das indústrias do setor mostrou sinais de recuperação. A carteira de pedidos das empresas de máquinas cresceu 4% em dezembro, na comparação com o mesmo mês de 2024, alcançando o equivalente a 9,5 semanas de produção garantida.
Além disso, a utilização da capacidade instalada aumentou de 73,2% em dezembro de 2024 para 78,4% em dezembro de 2025, indicando um maior ritmo de atividade industrial e melhora nas expectativas para o início de 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Seguro paramétrico no agro não pode ser tratado como solução imediata para problema estrutural, alerta especialista
A ampliação do debate sobre seguro paramétrico, crédito rural e políticas públicas colocou a gestão de risco agropecuário no centro da agenda institucional do setor no Brasil. A avaliação é de Daniel Miquelluti, especialista em seguro paramétrico e cofundador da Picsel, ao analisar os rumos da discussão no país.
Segundo o especialista, o avanço é positivo, pois o sistema brasileiro de proteção ao produtor rural precisa evoluir diante da maior volatilidade climática e da crescente exposição a eventos extremos. No entanto, ele alerta para um risco recorrente: transformar uma ferramenta técnica em uma solução excessivamente ampla para problemas estruturais do agronegócio.
Seguro paramétrico avança, mas não substitui modelos tradicionais
O seguro paramétrico é baseado em índices previamente definidos — como volume de chuva, temperatura e níveis de estiagem — e permite pagamentos mais rápidos quando comparado aos modelos tradicionais, reduzindo a necessidade de perícias detalhadas.
Na avaliação de Miquelluti, essa característica torna o instrumento relevante em um cenário de aumento de custos de produção, restrição de crédito e maior frequência de eventos climáticos extremos.
Apesar disso, o especialista destaca que o debate perde consistência quando a proposta deixa de ser complementar e passa a ser vista como substituta dos modelos convencionais de seguro rural.
Risco agropecuário brasileiro é sistêmico e altamente correlacionado
O risco no agro brasileiro, segundo a análise, não pode ser tratado como individual ou isolado. Eventos como secas no Centro-Oeste, geadas no Sul ou excesso de chuvas em regiões produtivas atingem simultaneamente grandes áreas e diversas cadeias produtivas.
Esse comportamento caracteriza um risco sistêmico, que impacta carteiras de crédito, seguradoras, resseguradoras e a própria capacidade de pagamento do produtor rural.
Nesse contexto, modelos simplificados de expansão do seguro paramétrico exigem cautela, especialmente quando vinculados a políticas públicas de crédito rural.
Um estudo técnico do Observatório do Crédito e Seguro Rural da Fundação Getulio Vargas alerta que a eventual adoção obrigatória de seguro paramétrico atrelado ao crédito subsidiado poderia provocar mudanças estruturais relevantes no sistema, com impactos fiscais, regulatórios, jurídicos e operacionais, além da necessidade de transição gradual e planejamento de longo prazo.
Risco de base pode comprometer confiança do produtor
Um dos principais desafios do modelo paramétrico é o chamado risco de base (basis risk), que ocorre quando o índice acionado não corresponde exatamente à perda real do produtor.
Isso pode gerar duas situações críticas: pagamento sem prejuízo efetivo ou ausência de indenização mesmo diante de perdas significativas.
Segundo especialistas, esse desalinhamento tende a comprometer a confiança dos produtores rurais, especialmente em um setor onde previsibilidade financeira é essencial para o planejamento da safra.
Limitações fiscais e pressão sobre o seguro rural no Brasil
Outro ponto de atenção está na sustentabilidade fiscal do sistema de seguro rural.
A Confederação Nacional das Seguradoras revisou suas projeções para 2026 e passou a estimar queda nominal de 3,9% no mercado de seguro rural, refletindo a redução de recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural.
O início do ano já mostrou retração de 12,2% na arrecadação do segmento, evidenciando fragilidades na previsibilidade orçamentária do setor.
Para analistas, a expansão de modelos paramétricos sem garantia de funding e governança adequada pode aumentar ainda mais a pressão sobre o sistema.
Política pública avança para modelos mais técnicos e baseados em dados
Apesar das críticas, o debate não é de rejeição à inovação, mas de aprimoramento da estrutura de gestão de risco no campo.
O avanço do Zoneamento Agrícola de Risco Climático representa uma mudança relevante na forma como políticas públicas são desenhadas, com maior uso de dados técnicos, critérios objetivos e integração entre manejo agrícola e risco climático.
O Ministério da Agricultura e Pecuária tem ampliado o programa, com expansão territorial e incentivos diferenciados para produtores que adotam melhores práticas de manejo do solo.
Seguro paramétrico deve ser complementar, não substituto
Na avaliação do especialista, o seguro paramétrico tende a ganhar espaço no Brasil, especialmente pela integração com crédito rural, resseguro e dados climáticos.
No entanto, seu uso deve ocorrer dentro de uma arquitetura mais ampla de proteção ao produtor, e não como solução isolada.
A combinação entre instrumentos tradicionais, inovação tecnológica e políticas públicas estruturadas é vista como o caminho mais consistente para fortalecer a gestão de risco no agro brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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