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Agronegócio precisa ir além da sustentabilidade: dados são a nova exigência global

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Gestão de dados deixa de ser opcional e se torna vital no agronegócio

A gestão de dados deixou de ser um acessório e passou a ser uma questão de sobrevivência para o agronegócio moderno, segundo análise de Alexandre Kuntgen, Partner da SolvePlan. Em seu artigo, o especialista destaca que a conexão com mercados globais impõe padrões cada vez mais rigorosos, e somente quem controla com precisão suas informações consegue se manter competitivo.

Desafios de um setor que monitora toda a cadeia produtiva

Apesar da ampla adoção tecnológica no campo, o agronegócio ainda enfrenta desafios complexos na coleta e gestão de dados. Diferente de outros setores, o Agro precisa monitorar toda a cadeia produtiva, do plantio à distribuição.

Cada etapa requer rastreabilidade e registro preciso de informações, já que qualquer falha pode inviabilizar negócios internacionais ou comprometer certificações ambientais.

Soja: liderança global exige governança e transparência

O Brasil mantém sua posição de líder mundial na exportação de soja, segundo projeções da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE). A estimativa é de uma safra recorde, com exportações de 111,5 milhões de toneladas, aumento de 0,5% em relação ao ciclo anterior.

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Entretanto, Kuntgen destaca que a força do setor convive com desafios de governança e logística. Boa parte da soja exportada por grandes tradings é produzida por pequenos agricultores, o que exige das empresas garantir a conformidade ambiental e social de terceiros, além de comprovar cada etapa da cadeia produtiva com dados verificáveis.

Casos de gripe aviária reforçam importância do controle de informações

A exportação de aves também é um exemplo de como a ausência de dados pode gerar impactos diretos. Episódios recentes de gripe aviária afetaram as vendas externas do Brasil, evidenciando que falhas em registros sanitários e de rastreabilidade podem restringir o acesso a mercados internacionais inteiros.

De acordo com o especialista, a fiscalização precisa ser rigorosa e contínua, abrangendo desde a higienização até as medições. Um único desvio nos controles pode comprometer toda a operação.

Dados e tecnologia: pilares da sustentabilidade e da competitividade

Para reduzir riscos e garantir eficiência, a coleta e a análise de dados se tornam instrumentos estratégicos no agronegócio. Eles permitem identificar falhas preventivamente, mapear áreas e garantir rastreabilidade total da cadeia.

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Mesmo assim, muitos produtores ainda dependem de processos manuais, o que aumenta as chances de erro. No contexto das exigências ESG e certificações internacionais, já não basta declarar práticas sustentáveis — é preciso comprovar com evidências auditáveis.

Soluções tecnológicas e suporte especializado ganham espaço

O mercado já dispõe de plataformas especializadas, como o SAP Sustainability Control Tower, que automatiza o monitoramento ambiental e assegura conformidade com padrões nacionais e internacionais.

Entretanto, Kuntgen ressalta que tecnologia sem estratégia não garante resultados. O acompanhamento de consultores e especialistas é fundamental para orientar a adoção de ferramentas, mitigar riscos e integrar a gestão de dados de forma eficiente nas operações do agronegócio.

Dados são o novo patrimônio do campo

Na avaliação do especialista, os dados se tornaram os ativos mais valiosos de uma empresa. Além de garantir conformidade e sustentabilidade, melhoram margens de produção e fortalecem a competitividade.

“Em um setor de tamanha relevância, a falta de dados não só abre as portas para prejuízos, como também fecha as de grandes oportunidades”, conclui Kuntgen.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Custo oculto do trator pode consumir parte da renda da safra

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Com as máquinas no campo para o plantio da safra 2026/27, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) chama a atenção para um custo que nem sempre aparece nas contas da propriedade. Além do diesel, o cálculo da hora trabalhada pelo trator deve incluir depreciação, manutenção, seguro, mão de obra e o capital investido no equipamento.

A metodologia da Conab e estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) consideram despesas fixas e variáveis para determinar o custo da hora-máquina. Quando parte desses gastos é ignorada, o trator pode parecer econômico mesmo reduzindo a margem da atividade.

O impacto é maior quando o equipamento trabalha poucas horas por ano. Depreciação, seguro e capital imobilizado continuam pesando sobre a propriedade, mas passam a ser divididos por um período menor de utilização. A conta ajuda a decidir entre manter ou trocar a máquina, compartilhá-la com vizinhos ou contratar o serviço.

A depreciação corresponde à perda de valor durante a vida útil. Em uma simulação, um trator comprado por R$ 200 mil e vendido dez anos depois por R$ 80 mil terá perdido R$ 120 mil, o equivalente a R$ 12 mil por ano.

Com 500 horas anuais de trabalho, a depreciação será de R$ 24 por hora. Se o uso cair para 250 horas, o valor subirá para R$ 48 por hora. A diferença mostra por que a ociosidade pode tornar uma máquina cara mesmo sem aumentar o consumo de combustível.

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O diesel é calculado pela multiplicação do consumo horário pelo preço do litro. Um trator que utiliza oito litros por hora, com combustível a R$ 6, terá uma despesa de R$ 48 por hora.

Na simulação, ao acrescentar R$ 28 referentes à manutenção e ao operador, os custos variáveis chegam a R$ 76 por hora. Somados aos R$ 24 da depreciação, o resultado é de R$ 100. O cálculo simplificado ainda não inclui seguro, juros, lubrificantes e o custo do capital próprio.

Cada produtor deve substituir os valores do exemplo pelos números da propriedade. Preço de compra, possível valor de revenda, vida útil, horas trabalhadas, consumo de combustível e histórico de manutenção alteram o resultado.

O horímetro do painel é a referência mais segura para medir o uso. A marcação pode ser registrada antes e depois de cada operação ou no fechamento do mês. Notas fiscais e ordens de serviço também ajudam a calcular os gastos reais com peças, pneus e oficina.

Com o custo apurado, é possível compará-lo com o preço cobrado por prestadores da região. A terceirização tende a ser mais vantajosa quando o trator permanece parado durante grande parte do ano, desde que o serviço esteja disponível dentro da janela adequada. Um atraso no plantio, na pulverização ou na colheita pode gerar perda superior à economia obtida.

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Compartilhar a máquina ou prestar serviços a propriedades vizinhas também pode aumentar o número de horas trabalhadas e diluir os custos fixos. Já a compra de um equipamento novo só se justifica quando a economia operacional e o ganho de capacidade compensam o investimento.

Regulagem e condução completam a conta. Pressão inadequada dos pneus, excesso de lastro e incompatibilidade entre trator e implemento aumentam a patinagem, o consumo e o desgaste. A manutenção preventiva, por sua vez, reduz o risco de paralisações nos períodos mais importantes da safra.

O cálculo deve ser atualizado quando houver mudanças relevantes no preço do diesel, nos juros, nos salários ou nas despesas de manutenção. A calculadora oferece uma estimativa para orientar a decisão, mas o resultado mais confiável depende dos registros financeiros e operacionais da própria fazenda.

Serviço

A metodologia utilizada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com os critérios para o cálculo dos custos de máquinas agrícolas, pode ser consultada clicando aqui.

Fonte: Pensar Agro

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