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Mercado de fertilizantes inicia 2026 em alta com restrições na oferta global e valorização dos fosfatados

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Preços dos fertilizantes voltam a subir no início de 2026

Após um segundo semestre de 2025 marcado por queda nos preços, o mercado global de fertilizantes começou 2026 em movimento de alta. De acordo com o Agro Mensal, elaborado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, fatores como gargalos logísticos e possíveis restrições nas exportações de grandes produtores voltaram a pressionar os valores internacionais.

Os fertilizantes nitrogenados registraram aumento significativo em janeiro, atingindo US$ 465 por tonelada em 10 de fevereiro. Já os fosfatados, especialmente o MAP (fosfato monoamônico), tiveram forte valorização, aproximando-se de US$ 720 por tonelada nos portos brasileiros. Em contrapartida, os potássicos (KCl) mantiveram estabilidade, com cotação média de US$ 372,50 por tonelada.

China limita exportações e impulsiona alta dos fosfatados

A valorização dos fosfatados foi intensificada por um pedido da Associação de Produtores de Fertilizantes da China para restringir as exportações de MAP entre o início de 2026 e agosto do mesmo ano.

A China, que é a maior exportadora global de fertilizantes fosfatados, costuma adotar políticas variáveis de controle das exportações, com o objetivo de garantir o abastecimento interno. Essas restrições reduziram a disponibilidade do produto no mercado internacional, elevando os preços e afetando diretamente a relação de troca entre fertilizantes e produtos agrícolas.

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No caso da soja, por exemplo, a troca por MAP piorou tanto em relação aos últimos meses quanto em comparação com o mesmo período de 2025, impactando os custos de produção do setor agrícola.

Alta do gás natural pressiona custos dos nitrogenados

No segmento de nitrogenados, o aumento nos preços foi influenciado principalmente pela elevação do gás natural, matéria-prima essencial para a produção de ureia.

Nos Estados Unidos, o clima excepcionalmente frio e as fortes nevascas de janeiro elevaram a demanda por aquecimento, o que fez com que o contrato futuro do gás natural subisse mais de 70% no mês.

Apesar dessa alta expressiva, o relatório do Itaú BBA aponta que, com o término do inverno no Hemisfério Norte, os preços do gás devem recuar gradualmente — movimento que tende a reduzir a pressão sobre os custos de produção dos fertilizantes nitrogenados ao longo dos próximos meses.

Perspectiva de curto prazo para o setor

O relatório indica que o mercado de fertilizantes deve permanecer volátil no curto prazo, especialmente diante das incertezas sobre as exportações chinesas e a oscilação do gás natural. Ainda assim, a expectativa é de que a demanda global se mantenha firme, sustentada pelo ritmo de plantio e pela busca dos produtores por garantir o abastecimento antes do período de maior consumo agrícola.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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