AGRONEGÓCIO
Tecnologias de Nova Geração Ajudam Plantas a Enfrentar Extremos Climáticos e Garantir Produtividade
AGRONEGÓCIO
Com o avanço das mudanças climáticas e a irregularidade das chuvas, o produtor rural enfrenta um desafio crescente: proteger a rentabilidade da lavoura diante de janelas de plantio instáveis e picos de temperatura. A nova geração de tecnologias agrícolas vem oferecendo alternativas para que as plantas ativem seus próprios mecanismos de defesa, reduzindo perdas e mantendo o desempenho mesmo sob estresse térmico e hídrico.
De acordo com João Vidotto, gerente de Desenvolvimento de Mercado e Produtos da Fortgreen, a agricultura moderna precisa ir além da genética das sementes e da adubação tradicional.
“O produtor compra uma semente com potencial para produzir até 100 sacas por hectare, mas se ela enfrentar dois ou três períodos de estresse sem proteção, esse teto produtivo cai. As tecnologias nutricionais atuais funcionam como um ‘seguro biológico’, mantendo a planta ativa mesmo em condições adversas”, explica o especialista.
O impacto do estresse climático nas lavouras
Temperaturas elevadas, excesso ou falta de água e períodos prolongados de nebulosidade fazem com que a planta entre em modo de sobrevivência. Nesse estágio, ela fecha os estômatos (poros das folhas), reduz a fotossíntese e interrompe a formação de flores e vagens — o que representa queda direta na produtividade.
Sem proteção fisiológica, o processo de recuperação pode levar dias. Já com o uso de tecnologias de manejo fisiológico, a planta retoma rapidamente suas funções metabólicas, reduzindo o impacto do estresse sobre o rendimento da safra.
Duas frentes tecnológicas para proteger a lavoura
Segundo Vidotto, o manejo nutricional moderno atua como uma “vacina” contra as oscilações do clima. Duas abordagens principais vêm ganhando espaço no campo:
Aceleradores de metabolismo e raiz – compostos à base de substâncias húmicas de alta pureza, que funcionam como um “segundo motor” para a planta. Eles estimulam a produção de clorofila e o crescimento de raízes mais profundas, permitindo melhor aproveitamento da luz solar e busca de água em camadas mais profundas do solo.
“É a diferença entre uma planta que murcha ao meio-dia e outra que segue ativa”, comenta Vidotto.
Ativadores enzimáticos antioxidantes – elementos como manganês, cobre, zinco e selênio atuam na eliminação de compostos tóxicos gerados pelo calor e por outros estresses ambientais. Isso mantém o metabolismo equilibrado e evita o envelhecimento precoce dos tecidos vegetais.
Eficiência no uso de nutrientes e adaptação climática
A adaptação fisiológica das plantas deixou de ser um diferencial e se tornou uma necessidade estratégica para manter margens de lucro em tempos de instabilidade climática. O mercado já oferece soluções específicas que potencializam as trocas gasosas e a absorção de nutrientes.
Um exemplo é o BlackGold, tecnologia que utiliza ácidos húmicos e fúlvicos extraídos da Leonardita Americana, promovendo maior eficiência no uso de água e nutrientes e reduzindo os efeitos da seca.
No campo da proteção antioxidante, a Linha Special Dry (SD) entrega nutrientes com precisão, respeitando as exigências fisiológicas de cada fase da planta. O FGPhotonSD atua no início do ciclo da soja, equilibrando a relação manganês/zinco essencial ao desenvolvimento. Já o PlenonSD e o MaxxionSD reforçam a proteção durante a florada e frutificação, enquanto o SelênionSD usa selênio como agente antiestresse no enchimento dos grãos.
Gestão climática como pré-requisito para produtividade
O uso dessas tecnologias reflete uma mudança de mentalidade no agronegócio brasileiro. A gestão fisiológica e nutricional da lavoura passou a ser um pré-requisito para a sustentabilidade e a estabilidade de produção.
“Adaptar a planta ao clima não é mais um diferencial competitivo — é uma necessidade. Quem não protege a fisiologia da lavoura assume um risco financeiro que a genética, sozinha, não consegue compensar”, finaliza Vidotto.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
El Niño pode ampliar crise do crédito rural e pressionar agronegócio com mais de R$ 800 bilhões em dívidas
A possibilidade de formação do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026 acende um novo alerta para o agronegócio brasileiro. De acordo com projeções divulgadas por órgãos oficiais de monitoramento climático, há cerca de 60% de probabilidade de consolidação do evento nos próximos meses, cenário que pode intensificar os desafios enfrentados pelos produtores rurais em um momento marcado por elevado endividamento e restrição ao crédito.
A preocupação ganha relevância diante das estimativas discutidas pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que apontam para mais de R$ 800 bilhões em dívidas consideradas estressadas no setor agropecuário. Caso o fenômeno provoque perdas de produtividade e redução de renda nas propriedades rurais, especialistas avaliam que haverá aumento da demanda por prorrogação e renegociação de financiamentos rurais.
Fenômeno climático pode afetar produção em diferentes regiões
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, alterando o comportamento das chuvas em diversas regiões do planeta. No Brasil, os efeitos costumam variar conforme a localização.
Historicamente, a Região Sul registra volumes de chuva acima da média durante a atuação do fenômeno, enquanto áreas do Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste enfrentam períodos de estiagem, veranicos prolongados e temperaturas mais elevadas.
A expectativa é que os impactos climáticos possam se estender até os primeiros meses de 2027, influenciando diretamente o desenvolvimento das lavouras e o desempenho econômico das atividades agropecuárias.
Excesso ou falta de chuva pode comprometer rentabilidade
Os reflexos do El Niño vão além das mudanças climáticas. No Sul do país, o excesso de precipitações pode prejudicar a colheita de culturas como trigo, café e cana-de-açúcar, além de favorecer o surgimento de doenças fúngicas e dificultar a operação de máquinas agrícolas.
Em importantes regiões produtoras de soja e milho, a irregularidade das chuvas durante o plantio pode comprometer a germinação e o desenvolvimento inicial das lavouras, reduzindo o potencial produtivo e impactando diretamente a geração de receita nas propriedades.
Para muitos produtores, o momento é considerado delicado. Nos últimos anos, o setor acumulou perdas causadas por eventos climáticos extremos, enfrentou queda nos preços das commodities agrícolas, aumento dos custos de produção, elevação das taxas de juros e maior dificuldade de acesso ao crédito.
Legislação prevê prorrogação de financiamentos rurais
Segundo o advogado especialista em Direito do Agronegócio, Raphael Condado, o monitoramento das condições climáticas deve fazer parte da estratégia de gestão financeira das propriedades.
De acordo com o especialista, produtores que identificarem dificuldades para honrar compromissos financeiros em decorrência de perdas causadas por fenômenos climáticos devem buscar orientação e conhecer os mecanismos previstos na legislação para readequação das dívidas.
A possibilidade de prorrogação de operações de crédito rural está prevista no Manual de Crédito Rural (MCR), norma de cumprimento obrigatório pelas instituições financeiras e cooperativas de crédito que operam recursos destinados ao setor agropecuário.
O regulamento permite a extensão dos prazos de pagamento quando houver comprovação de dificuldades temporárias provocadas por fatores alheios à vontade do produtor, como frustração de safra decorrente de eventos climáticos adversos.
A medida busca preservar a continuidade da atividade produtiva, evitando que problemas pontuais de fluxo de caixa se transformem em situações permanentes de inadimplência.
Atenção às renegociações oferecidas por instituições financeiras
Especialistas também recomendam cautela durante processos de renegociação de dívidas. Em alguns casos, produtores podem ser direcionados para modalidades de financiamento que não seguem as condições específicas previstas para o crédito rural.
Segundo Condado, a substituição inadequada de contratos rurais por operações bancárias convencionais pode resultar em encargos mais elevados e condições menos favoráveis ao produtor.
Nessas situações, a legislação prevê instrumentos para questionamento e eventual restabelecimento dos direitos garantidos pelas normas específicas do crédito rural.
Recuperações judiciais crescem e elevam cautela dos bancos
O aumento do endividamento também tem preocupado o sistema financeiro. Dados da Serasa Experian apontam que o agronegócio registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, o maior número desde o início da série histórica.
O avanço das recuperações judiciais e dos índices de inadimplência tende a tornar bancos e cooperativas mais conservadores na concessão de novos financiamentos. Como consequência, a oferta de crédito pode ficar ainda mais restrita justamente em um setor altamente dependente de recursos financiados para custeio, investimento e comercialização da produção.
Diante desse cenário, a combinação entre riscos climáticos, elevado endividamento e crédito mais seletivo reforça a necessidade de planejamento financeiro e gestão de riscos por parte dos produtores rurais para a safra 2026/27.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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