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Recuperação de pastagens pode aumentar carbono do solo em até 23%, destaca estudo da USP
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Pastagens degradadas como oportunidade para carbono no solo
Um estudo publicado em janeiro de 2026 na revista científica Nature Communications aponta que a recuperação de pastagens degradadas é uma das estratégias mais eficazes para aumentar os estoques de carbono orgânico no solo no Brasil. A pesquisa estima que o país acumula uma dívida de carbono de 1,4 bilhão de toneladas na camada de 0 a 30 centímetros, resultado da conversão histórica de vegetação nativa em áreas agrícolas.
O trabalho foi conduzido pelo Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCARBON), ligado à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), com participação da Embrapa Agricultura Digital e da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). O estudo foi liderado por Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, com João Marcos Villela como primeiro autor.
Segundo os pesquisadores, a recuperação de pastagens pode aumentar de 14% a 23% o estoque de carbono do solo, dependendo da região e das práticas adotadas, oferecendo um caminho concreto para reduzir a dívida de carbono brasileira.
Contribuição para metas climáticas e sustentabilidade
O estudo indica que a recarbonização parcial de áreas agrícolas pode auxiliar o Brasil a atingir as metas climáticas do Acordo de Paris. Recarbônizar cerca de um terço do potencial estimado poderia reduzir entre 59% e 67% das emissões de carbono na atmosfera até 2035.
Biomas estratégicos como a Mata Atlântica, com cerca de 20 milhões de hectares de pastagens degradadas, e o Cerrado, responsável por grande parte da produção pecuária nacional, apresentam potencial significativo para recuperação e aumento do carbono no solo.
Intensificação sustentável com forrageiras de alto desempenho
A pesquisa reforça que forrageiras de alta produtividade desempenham papel central na intensificação sustentável. O híbrido braquiária Mavuno, desenvolvido pela Wolf Sementes após 18 anos de melhoramento genético, destaca-se pela raízes profundas, até quatro metros, e alta produção de biomassa, aumentando o aporte de carbono nas camadas mais profundas do solo.
Além disso, apresenta elevado teor de proteína bruta (cerca de 21%), rápida recuperação pós-pastejo e resistência à seca, garantindo produtividade estável mesmo sob variabilidade climática.
Segundo Tiago Penha Pontes, “recuperar e intensificar pastagens não é apenas uma decisão agronômica, é uma estratégia climática”. Ele destaca que a intensificação bem conduzida permite produzir mais carne e leite na mesma área, reduzindo a pressão sobre novas áreas e aumentando a fertilidade e retenção de água no solo.
Sistemas diversificados reduzem perdas de carbono
O estudo ressalta que a conversão para monoculturas foi a prática que mais diminuiu os estoques de carbono no solo, enquanto sistemas diversificados e integrados tiveram impactos menores. Para Alexander Wolf, isso reforça a importância de investir em reforma de pasto com genética superior e manejo adequado, construindo produtividade, rentabilidade e oportunidades futuras no mercado de carbono.
Ele enfatiza que a demanda por proteína animal com menor pegada de carbono deve crescer, tornando pastagens bem manejadas um diferencial competitivo para o Brasil.
Recuperação de pastagens: tecnologia acessível e estratégica
Com manejo correto e uso de materiais genéticos superiores como o Mavuno, o produtor consegue transformar solo degradado em solo produtivo e ambientalmente estratégico, conciliando sustentabilidade, produtividade e mitigação de mudanças climáticas, concluem os especialistas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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