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POLÍTICA NACIONAL

CRE aprova plano para acompanhar Acordo Mercosul-UE no Congresso

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A Comissão de Relações Exteriores (CRE) aprovou nesta quarta-feira (25) o plano de trabalho do grupo criado para acompanhar o processo de aprovação e os desdobramentos do Acordo de Associação entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia (UE). De acordo com o requerimento do presidente da CRE, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), o grupo poderá solicitar dados e informações a especialistas dos setores público e privado, assim como convidá-los para discutir pontos específicos da análise. O trabalho deverá ser finalizado até 15 de dezembro. 

Além de Trad, o núcleo político será composto pelos senadores Carlos Portinho (PL-RJ), Jaques Wagner (PT-BA), Jorge Seif (PL-SC) e Mara Gabrilli (PSD-SP). Segundo os parlamentares, a análise estará fundada em aspectos jurídicos e comerciais e em questões como economia e meio ambiente. A intenção é garantir que os resultados sejam publicados ainda em 2026.

“O GT busca tanto exercer o papel fiscalizador desta Casa quanto qualificar o debate das grandes questões do país, sinalizando assim um compromisso com uma pauta técnica, relevante e propositiva para o Brasil”, diz o documento aprovado pelos senadores.

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Já o núcleo técnico do grupo terá os consultores legislativos do Senado Federal Arthur Lascala, Fernando Lagares Távora, Joanisval Brito Gonçalves, Karin Kassmayer e Tarciso Dal Maso Jardim; e do gabinete da Presidência da CRE, os seguintes assessores parlamentares: Thaisa Gois Farias de Moura Santos Lima; Bruna Maria Alves Macedo e Flávio Campestrin Bettarello, e da Secretaria da CRE, o secretário Marcos Aurélio Pereira.

Complexidade

De acordo com Nelsinho, o Acordo Provisório de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia (Interim Trade Agreement – ITA), firmado em Assunção (Paraguai) em 17 de janeiro e encaminhado ao Congresso Nacional pelo Poder Executivo é “um dos mais amplos e complexos instrumentos internacionais já negociados entre blocos econômicos”. O senador afirma, na justificativa do requerimento para a criação do grupo de trabalho, que a dimensão econômica e estratégica do ITA é expressiva, já que Mercosul e União Europeia reúnem cerca de 718 milhões de pessoas e um PIB conjunto de aproximadamente US$ 22,4 trilhões.

“A União Europeia é o segundo principal parceiro comercial do Brasil, com corrente de comércio próxima a US$ 100 bilhões. Em um cenário global marcado por protecionismo e tensões geopolíticas, o Acordo sinaliza compromisso com o comércio internacional como vetor de crescimento econômico, modernização industrial, inserção competitiva em cadeias globais de valor e cooperação entre povos”, diz o senador.

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Além de promover debates públicos com especialistas, setores produtivos, academia, sociedade civil e órgãos governamentais, o grupo vai estudar ações bilaterais e o mecanismo de reequilíbrio de concessões, avaliando seus impactos sobre setores produtivos e sua compatibilidade com políticas públicas nacionais; avaliar impactos econômicos, sociais, ambientais e regulatórios decorrentes da implementação do Acordo; examinar a necessidade de eventual marco legislativo complementar para assegurar segurança jurídica, competitividade e proteção do interesse nacional.

Também estão previstos o monitoramento de internalização do Acordo no Mercosul e na União Europeia e o apoio ao Parlamento, com informações técnicas que embasem a discussão e a aprovação da matéria.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Comissão aprova projeto com programa de emprego e formação para jovens indígenas

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A Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais da Câmara dos Deputados aprovou proposta que cria programa de emprego e formação para jovens indígenas.

O programa prevê incentivos à contratação, qualificação profissional e acesso a políticas públicas de desenvolvimento socioeconômico para indígenas entre 18 e 29 anos.

A identificação dos beneficiários será feita por autodeclaração e reconhecimento pela própria comunidade, respeitando o princípio da autodeterminação dos povos indígenas.

Objetivos principais
O programa tem quatro objetivos centrais:

  • estimular a contratação de jovens indígenas por órgãos públicos federais e empresas privadas;
  • fomentar a qualificação técnica e profissional por meio de cursos gratuitos em parceria com entidades públicas e serviços sociais autônomos;
  • contribuir para a autonomia econômica das comunidades indígenas, com respeito à identidade cultural; e
  • ampliar o acesso a políticas de empregabilidade em regiões com alta concentração de população indígena.

Incentivos às empresas
As empresas privadas que aderirem ao programa e comprovarem a contratação de jovens indígenas terão direito a:

  • redução de 50% da contribuição patronal à Previdência Social sobre o salário do jovem contratado, por até 36 meses;
  • prioridade na participação em programas e editais federais de inovação e desenvolvimento regional;
  • preferência de contratação em licitações públicas, como critério de desempate (quando as propostas forem iguais ou até 10% superiores à mais bem classificada);
  • isenção de taxas federais para registro e regularização trabalhista do jovem contratado.
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O benefício fiscal de redução da contribuição patronal depende de prévia estimativa de impacto orçamentário e de medidas de compensação, conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Os editais de licitação para contratação de serviços contínuos com dedicação exclusiva de mão de obra também poderão prever o emprego de jovens indígenas.

Inclusão produtiva
O texto aprovado é um substitutivo da Comissão de Trabalho ao Projeto de Lei 3940/25, do deputado Defensor Stélio Dener (União-RR).

A relatora, deputada Dandara (PT-MG), afirmou que o Censo 2022 apontou uma sub-representação da população indígena ocupada e com rendimentos do trabalho. Além disso, o rendimento médio dos indígenas ocupados é menor que os demais grupos étnico-raciais. “O projeto reconhece a situação dos jovens indígenas e propõe instrumentos concretos de inclusão produtiva, sem desconsiderar a diversidade cultural e os modos próprios de vida dessas comunidades”, disse.

Parcerias e regulamentação
A execução do programa contará com parcerias com institutos federais, universidades públicas, serviços sociais autônomos, organizações indígenas registradas e órgãos estaduais e municipais de emprego e desenvolvimento.

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O Poder Executivo será responsável por regulamentar o programa, definindo critérios de adesão das empresas, parâmetros de comprovação da identidade indígena e metas regionais conforme a concentração populacional e a taxa de desemprego entre jovens indígenas.

O texto aprovado determina que o tratamento de dados pessoais dos beneficiários – incluindo informações sensíveis sobre origem étnica e cultural – seguirá as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD, Lei 13.709/18).

Acesso à informação
O projeto também garante aos trabalhadores indígenas o acesso a informações claras sobre seus direitos trabalhistas, respeitando suas especificidades culturais e linguísticas.

Sempre que possível, as ações de orientação serão feitas em cooperação com lideranças e organizações indígenas, com uso de materiais bilíngues adaptados às realidades locais.

Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Pierre Triboli

Fonte: Câmara dos Deputados

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