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Mercado global de trigo avança com tensões geopolíticas e clima adverso; preços internos no Brasil acompanham alta
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O mercado brasileiro de trigo segue em trajetória de alta, impulsionado por fatores externos e pelo cenário técnico favorável. Segundo análise da TF Agroeconômica, o indicador CEPEA/ESALQ no Rio Grande do Sul registra um avanço consistente nos últimos 30 dias, refletindo o fortalecimento do mercado global.
Após um período de estabilidade entre R$ 1.045 e R$ 1.060 por tonelada, os preços aceleraram e se aproximaram de R$ 1.100 por tonelada, atingindo o maior patamar do período. O movimento demonstra retomada da demanda e quebra da faixa de consolidação anterior, reforçando a perspectiva de valorização no curto prazo.
Os níveis técnicos indicam suportes entre R$ 1.055 e R$ 1.065, enquanto R$ 1.100 se destaca como resistência relevante. Caso esse limite seja superado com firmeza, o mercado pode buscar novas máximas acima de R$ 1.120 por tonelada.
Tensões geopolíticas e clima impulsionam alta nas bolsas internacionais
No mercado externo, as tensões geopolíticas e os problemas climáticos continuam a sustentar a valorização do trigo. Conflitos na região do Mar Negro, envolvendo Estados Unidos e Irã, além da instabilidade entre Paquistão e Afeganistão, aumentaram o risco no comércio global do cereal.
A situação climática também preocupa: metade das áreas de trigo de inverno nos Estados Unidos enfrenta seca, enquanto França e Índia lidam com deterioração das lavouras e déficit hídrico. Esses fatores têm levado fundos de investimento a recomprar posições, elevando os preços na Chicago Board of Trade, onde os contratos para 2026 se aproximaram de US$ 5,90 por bushel.
Trigo fecha o mês em alta nas principais bolsas mundiais
O mercado internacional encerrou o mês em forte valorização nas principais praças de negociação. Em Chicago, o contrato de março do trigo brando SRW subiu 3,41%, para 591,25 cents por bushel, enquanto o vencimento de maio avançou 2,96%, a 591,50 cents. Em Kansas, o trigo duro HRW para março valorizou 3,85%, fechando em 572,75 cents, e em Minneapolis, o trigo HRS teve alta de 2,70%, atingindo 599,25 cents.
Na Euronext Paris, o trigo para moagem com vencimento em março fechou com valorização de 2,20%, cotado a 197,50 euros por tonelada.
Aumento da demanda e preocupações com oferta global
Além das tensões políticas, a demanda internacional também contribuiu para o avanço das cotações. A Arábia Saudita abriu licitação para comprar 655 mil toneladas de trigo, enquanto a Jordânia busca 120 mil toneladas, em um esforço para reforçar estoques diante da incerteza global.
Ao mesmo tempo, grandes produtores enfrentam restrições. A Índia deve manter o bloqueio às exportações por causa da estiagem, e a Rússia reduziu embarques pelo Mar Negro e pelo Mar de Azov devido a condições climáticas adversas.
Perspectivas: alta limitada por estoques e concorrência
Apesar do viés positivo, alguns fatores podem conter novas altas. Os estoques globais ainda confortáveis, a possibilidade de chuvas nas Grandes Planícies americanas e a forte concorrência exportadora devem limitar o avanço dos preços.
No Brasil, a paridade de importação mais elevada e a preferência por trigo de melhor qualidade sustentam o mercado interno, reduzindo a pressão de venda dos produtores e reforçando o ambiente de firmeza nos preços.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos
O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.
A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.
O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.
Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.
INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.
“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”
“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”
“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”
Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.
No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.
Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.
Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.
Fonte: Pensar Agro
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