AGRONEGÓCIO
Gargalos logísticos elevam custos e reduzem competitividade da produção agrícola em Mato Grosso
AGRONEGÓCIO
Os produtores de Mato Grosso enfrentam uma safra desafiadora, marcada por aumento expressivo dos custos logísticos e dificuldades no transporte de grãos. O principal corredor de exportação, que liga o estado ao distrito de Miritituba, sofre com gargalos estruturais e saturação operacional, especialmente no trecho da BR-163, o que tem elevado o tempo de deslocamento e os preços dos fretes.
Em 2025, o volume de cargas movimentadas na região de Miritituba chegou a 15,3 milhões de toneladas, um aumento de 24,6% em relação a 2024. Apesar do avanço, o fluxo intenso e as limitações de acesso continuam a reduzir a eficiência logística, justamente no período de maior concentração de embarques.
Frete mais caro reduz margens e ameaça competitividade
De acordo com a Aprosoja MT, o aumento no frete impacta diretamente a rentabilidade do produtor. O trajeto entre Sinop e Miritituba custa cerca de R$ 20 por saca, enquanto a soja é vendida a aproximadamente R$ 106 brutos — resultando em menos de R$ 100 líquidos após encargos.
O vice-presidente norte da Aprosoja MT, Ilson José Redivo, alerta que a infraestrutura não acompanha o crescimento da produção. “Há trechos ainda sem asfalto e, na época das chuvas, caminhões precisam ser rebocados em subidas, formando filas de até 30 quilômetros”, afirmou.
Além dos custos logísticos, o estado enfrenta um déficit de armazenagem — com capacidade equivalente a apenas 52% do volume produzido. Isso força o escoamento imediato da safra, aumentando a dependência de um sistema de transporte já sobrecarregado.
Produtores relatam filas, atrasos e custos crescentes
Produtores de diferentes regiões de Mato Grosso relatam que os gargalos logísticos têm provocado atrasos e elevado o custo das operações. A agricultora Katia Hoepers, de Santa Rita do Trivelato, explica que “o frete e o diesel são os maiores vilões da rentabilidade”. Segundo ela, a falta de estrutura em Miritituba causa filas e atrasos na descarga dos caminhões, agravados pelo crescimento das áreas plantadas sem expansão proporcional da armazenagem.
No norte do estado, o produtor Mateus Berlanda, de Alta Floresta, descreve um cenário semelhante. “As estradas regionais têm muitos trechos de chão e pontes danificadas. Durante o período chuvoso, há caminhões que ficam dias parados. Mesmo quando conseguimos chegar aos armazéns, enfrentamos filas de até quatro dias para descarregar”, relatou.
Obras em andamento prometem alívio apenas em 2026
Um novo acesso pavimentado ao distrito de Miritituba está em construção e deve ser concluído apenas em novembro de 2026. Até lá, o tráfego permanece dependente de vias precárias e sujeitas a interrupções.
Segundo o diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol, os produtores esperam que recursos do FETHAB sejam aplicados de forma mais efetiva na melhoria da infraestrutura. “O produtor contribui esperando retorno em estradas melhores. Reconhecemos os avanços, mas é preciso reavaliar o uso do FETHAB, pois as margens estão cada vez menores”, destacou.
Armazenagem e ferrovias: alternativas para aliviar o sistema rodoviário
Para o setor produtivo, ampliar a armazenagem rural é essencial para reduzir a pressão sobre os corredores de exportação. Com maior capacidade de estocagem nas fazendas, o produtor pode planejar melhor a venda e o transporte, evitando o pico de demanda durante a colheita.
No médio prazo, a Ferrogrão é vista como uma solução estratégica para transformar o escoamento da produção mato-grossense. O projeto prevê a ligação ferroviária entre Sinop (MT) e Miritituba (PA), o que permitiria reduzir significativamente o tráfego de caminhões e os custos logísticos no Arco Norte.
Conclusão: desafios persistem até que obras estruturais avancem
Enquanto a pavimentação e novos projetos logísticos não se consolidam, os produtores de Mato Grosso seguem enfrentando altos custos, riscos operacionais e perdas de competitividade nas exportações. A combinação entre infraestrutura precária, chuvas intensas e capacidade limitada de armazenagem continua sendo o principal entrave para a eficiência do agronegócio no maior estado produtor de grãos do país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Semana do Aviador começa com debates sobre segurança e tecnologia no campo
A 2ª Semana do Aviador começou nesta sexta-feira (11), em Lucas do Rio Verde, com uma programação voltada ao mercado, à segurança operacional e à legislação da aviação agrícola. O evento segue até sábado (12), na pista do Show Safra, reunindo pilotos, empresas, produtores rurais, especialistas e representantes do poder público.
A abertura contou com a presença de Joci Piccini, presidente da Fundação Rio Verde, e de Rodrigo, diretor-executivo da entidade. Também participaram Cláudio Júnior Oliveira, diretor do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), e Omar, representante do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), produtores e autoriaades.
Realizada pela Fundação Rio Verde, a Semana do Aviador combina conteúdo técnico com demonstrações de aeronaves, equipamentos embarcados, acrobacias aéreas e voos panorâmicos. A proposta é aproximar profissionais, produtores e comunidade de uma atividade que ocupa posição estratégica no agronegócio brasileiro.
Na abertura, os debates trataram dos desafios enfrentados pelo setor, principalmente na formação dos profissionais, no cumprimento das normas e na adoção de procedimentos capazes de reduzir riscos durante as operações.
A aviação agrícola permite realizar aplicações em grandes áreas e dentro de janelas cada vez mais curtas. Em culturas como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar, o recurso pode ser decisivo para controlar pragas e doenças antes que provoquem perdas expressivas.
A velocidade, porém, precisa estar acompanhada de planejamento, qualificação e respeito às condições meteorológicas e ambientais. Erros na escolha do produto, na regulagem dos equipamentos ou no momento da aplicação podem reduzir a eficiência, elevar custos e atingir áreas que não fazem parte da operação.
O debate ganha relevância especial em Mato Grosso, maior produtor brasileiro de grãos e fibras e um dos principais mercados da aviação agrícola. O Brasil possui a segunda maior frota aeroagrícola do mundo, resultado da expansão da produção e da necessidade de atender propriedades de grande extensão.
Além do conteúdo profissional, a programação busca apresentar a atividade à população. Demonstrações aéreas e outras atrações permitem que estudantes e moradores conheçam de perto as aeronaves e a tecnologia utilizada nas lavouras.
O Pensar Agro está entre os apoiadores da Semana do Aviador, ao lado da Federação dos Engenheiros Agrônomos do Estado de Mato Grosso (Feagro-MT).
Serviço
2ª Semana do Aviador
Data: 11 e 12 de setembro
Local: pista do Show Safra, em Lucas do Rio Verde (MT)
Fonte: Pensar Agro
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