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Ações na Ásia e no Brasil recuam com tensões no Oriente Médio; bolsas globais operam com cautela nesta sexta‑feira

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Bolsas da China e Hong Kong fecham em queda com impacto de conflito internacional

As bolsas de China continental e de Hong Kong encerraram a sessão desta sexta‑feira em baixa, refletindo o clima de aversão ao risco entre investidores diante da proximidade da marca de duas semanas da guerra no Oriente Médio, sem sinais claros de resolução. A intensificação dos ataques e a ameaça à rota de navegação estratégica do Estreito de Ormuz elevaram a incerteza nos mercados e impulsionaram os preços do petróleo, pressionando ações regionais.

No fechamento:

  • Índice de Xangai (SSEC) caiu cerca de 0,82%.
  • CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou aproximadamente 0,39%.
  • Hang Seng, de Hong Kong, teve baixa de cerca de 0,98%.

(Antes de hoje já era observado esse comportamento negativo nos mercados chineses, refletindo aversão ao risco global.)

Especialistas destacam que, diante de um conflito prolongado, investidores reavaliam riscos, o que se traduz em menor apetite por ativos mais sensíveis a choques externos.

Desempenho recente dos mercados brasileiros

No Brasil, o principal índice acionário, o Ibovespa, tem apresentado volatilidade em meio ao cenário externo e a fatores domésticos, como desempenho de setores de commodities e bancos.

Segundo análises divulgadas recentemente, o Ibovespa já registrou períodos de queda com impacto de commodities e cautela dos investidores frente a dados econômicos e movimentos externos. Em um pregão recente, o índice encerrou em baixa, pressionado principalmente pelos setores de commodities como Vale e Petrobras, em meio ao desempenho global dos mercados e dados econômicos dos Estados Unidos.

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Apesar disso, em outras sessões, o índice chegou a registrar altas expressivas, chegando a ultrapassar 190 mil pontos durante o ano — embora sem manter esse nível no fechamento.

Essa alternância entre altas e quedas reflete a sensibilidade dos investidores à combinação de fatores externos (conflitos e preços de energia) e internos (dados econômicos e resultados corporativos).

Bolsas globais mostram tendência mista

Além dos mercados asiáticos e brasileiros, outros índices importantes também registraram desempenho predominantemente negativo na semana, com destaque para:

  • Nikkei (Tóquio) recuando cerca de 1,2%, apoiado no sentimento global de aversão ao risco.
  • Kospi (Seul) registrando queda por volta de 1,7%.
  • TaiEx (Taiwan) e Straits Times (Cingapura) também no vermelho, com perdas moderadas entre 0,3% e 0,5%.
  • S&P/ASX 200 (Sydney) exibiu leve retração no desempenho das ações australianas.

Esse movimento de queda global ocorre em um contexto em que investidores monitoram não apenas a escalada de conflitos no Oriente Médio, mas também questões macroeconômicas em economias desenvolvidas e emergentes.

Preço do petróleo e influência no mercado de ações

Um dos efeitos mais diretos do conflito no Oriente Médio tem sido a alta dos preços do petróleo, já que riscos geopolíticos em rotas de transporte e produção elevam as preocupações com oferta da commodity. Isso tende a afetar setores como energia, transporte e inflacionar custos de produção em diversos países, impactando negativamente as bolsas.

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Acompanhando essa tendência, investidores revisam suas estratégias, ajustando posições em commodities, ações e outros ativos diante do cenário global de incertezas geopolíticas e econômicas.

Conclusão: cenários de risco e oportunidades

O panorama atual dos mercados financeiros sugere que:

  • Ásia e mercados emergentes enfrentam pressão vendedora diante de conflitos no Oriente Médio e preocupações com oferta de energia.
  • Mercados brasileiros oscilam entre quedas e altas, refletindo tanto fatores externos quanto variáveis domésticas econômicas e setoriais.
  • Investidores globais seguem atentos a dados macroeconômicos, políticas econômicas e riscos geopolíticos que podem influenciar a direção dos mercados nos próximos dias.

O cenário aponta para um ambiente de maior cautela e volatilidade, exigindo monitoramento constante por parte de quem acompanha ou investe em ações no Brasil e no exterior.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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