AGRONEGÓCIO
Pragas intensificam pressão no início da safra de milho e reforçam importância do monitoramento nas lavouras
AGRONEGÓCIO
Pressão de pragas cresce na fase inicial do milho
A safra 2025/26 deve manter o milho entre as culturas mais relevantes do agronegócio brasileiro. No entanto, especialistas alertam que falhas no manejo podem gerar perdas significativas, principalmente na fase inicial da cultura, quando pragas podem comprometer o estabelecimento das lavouras.
De acordo com estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de milho deve alcançar 138,45 milhões de toneladas, sendo 109,26 milhões provenientes da segunda safra, responsável por cerca de 79% do volume total.
Esse período costuma apresentar maior exposição da cultura a variações climáticas e pressão de pragas, especialmente em áreas recém-colhidas de soja.
Cenário mais regionalizado e imprevisível
Segundo Alexandre Gazoni, engenheiro agrônomo, diretor comercial da Sell Agro, empresa sediada em Rondonópolis (MT) especializada em tecnologias de aplicação no campo, a pressão de pragas deve se apresentar de forma cada vez mais regionalizada em 2026.
De acordo com o especialista, alguns problemas têm chamado atenção em diferentes regiões produtoras.
Entre os principais registros estão:
- retorno de corós em algumas áreas, causando danos ao sistema radicular
- ocorrência de lesmas em talhões com grande volume de palhada
- relatos de ataques de roedores, que podem reduzir o estande inicial das plantas
“A pressão de pragas está muito regionalizada. Em algumas áreas, o coró voltou a aparecer com força e já tem causado danos. Também vimos relatos de lesmas em talhões com alta densidade de palhada e, em algumas regiões, um ponto novo tem chamado atenção: o ataque de ratos reduzindo o estande do milho”, afirma Gazoni.
Percevejo preocupa na arrancada da cultura
Entre as pragas que mais afetam o início do desenvolvimento do milho, o percevejo segue como uma das principais ameaças, principalmente em áreas onde a soja deixou grande volume de resíduos vegetais.
A palhada funciona como abrigo para esses insetos, favorecendo sua multiplicação.
“Quando a soja deixa muita palhada, esse resíduo cria um ambiente favorável para o percevejo. O impacto aparece logo na arrancada do milho: as plantas perdem vigor e o reflexo ocorre nas primeiras semanas de desenvolvimento”, explica o agrônomo.
Monitoramento precisa começar antes da semeadura
Do ponto de vista técnico, uma das dificuldades no controle dessas pragas é o fato de muitas delas permanecerem escondidas no sistema de produção, dificultando a detecção inicial.
Estudos da Embrapa indicam que o percevejo barriga-verde, por exemplo, costuma se esconder durante as horas mais quentes do dia, o que pode atrasar a identificação da infestação.
Por esse motivo, especialistas recomendam que o monitoramento das áreas comece antes mesmo da semeadura, permitindo ações preventivas mais eficazes.
Cigarrinha-do-milho continua no radar
Além das pragas iniciais e de solo, as lavouras também permanecem sob risco de insetos vetores de doenças, especialmente a cigarrinha-do-milho.
Um levantamento realizado por CNA, Embrapa e Epagri aponta que os prejuízos associados à praga entre as safras 2020/21 e 2023/24 alcançaram cerca de US$ 25,8 bilhões.
Nesse período, o impacto médio na produção nacional foi estimado em:
- redução de 22,7% na produtividade
- perda equivalente a 31,8 milhões de toneladas por ano
Palhada pode favorecer o surgimento de pragas
Embora seja fundamental para o sistema de plantio direto e para a conservação do solo, a palhada também pode criar condições favoráveis ao desenvolvimento de algumas pragas.
De acordo com materiais técnicos da Embrapa, ambientes com grande quantidade de resíduos vegetais favorecem a presença de lesmas e caramujos. Esses organismos depositam ovos em fendas do solo ou sob restos vegetais em decomposição.
Os danos podem incluir:
- desfolha intensa
- ataque às plântulas
- morte de plantas jovens
Por isso, a observação detalhada do ambiente sob a palhada tornou-se parte importante do manejo.
Manejo integrado exige monitoramento mais rigoroso
Diante desse cenário, especialistas reforçam que o Manejo Integrado de Pragas (MIP) precisa ser aplicado com maior rigor nas lavouras de milho.
Segundo Gazoni, a principal mudança necessária está na frequência e na forma de monitoramento das áreas.
“Este é um ano em que o monitoramento precisa ser mais intenso e bem feito, com intervalos menores. Não basta observar apenas o que está na superfície: é preciso levantar a palhada, analisar a base das plantas e buscar o que está escondido”, afirma.
O manejo integrado combina diferentes estratégias, como:
- monitoramento constante
- definição de níveis de ação
- controle biológico e cultural
- uso de defensivos químicos quando necessário
Principais recomendações para o manejo nas lavouras
Entre as práticas mais recomendadas para reduzir riscos de infestação nas áreas de milho estão:
- Monitoramento frequente
- Realizar inspeções desde o plantio, com atenção à linha de semeadura, base das plantas e área sob a palhada.
- Controle de pragas de solo
- Mapear talhões com histórico de ocorrência de corós e realizar amostragens de solo, priorizando medidas preventivas.
- Manejo de percevejos no sistema soja-milho
- Adotar estratégias de controle já na pré-semeadura e no início do estabelecimento da cultura, além de reforçar a dessecação e o manejo de hospedeiros.
- Controle de lagartas
- Intensificar a amostragem, utilizar híbridos Bt com áreas de refúgio e rotacionar mecanismos de ação de inseticidas para reduzir a seleção de resistência.
- Controle de roedores
- Reduzir oferta de alimento e abrigo nas áreas e adotar estratégias planejadas de controle, incluindo posicionamento adequado de iscas.
Tecnologia de aplicação pode aumentar a eficiência do controle
Além do monitoramento, a tecnologia de aplicação também se torna um fator importante para aumentar a eficácia do controle de pragas.
Segundo Gazoni, quando os insetos permanecem protegidos pela palhada ou dentro do cartucho da planta, a eficiência do manejo depende não apenas do produto utilizado, mas também da forma de aplicação.
“A estratégia para 2026 é monitorar mais para acertar o momento da aplicação e melhorar a eficiência do controle. Em algumas situações, é necessário aumentar a cobertura e a permanência das gotas”, explica.
Ele destaca ainda que ferramentas como desalojantes podem ajudar a expor as pragas escondidas na palhada ou no cartucho da planta, aumentando a eficácia do defensivo aplicado.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Preço do milho segue estável no Brasil à espera da safrinha; exportações avançam mais de 70%
O mercado brasileiro de milho registrou pouca movimentação ao longo da semana, refletindo a postura cautelosa de compradores e vendedores diante da proximidade da entrada mais intensa da segunda safra no país. A expectativa de aumento da oferta mantém o ritmo de negociações lento, enquanto produtores buscam sustentar os preços em meio ao avanço da colheita.
Segundo análise da Safras & Mercado, o cenário continua marcado por baixa liquidez e poucas alterações nas cotações, tanto no mercado físico quanto nas negociações futuras.
Compradores aguardam maior oferta da safrinha
Os consumidores seguem atuando de forma pontual, adquirindo apenas volumes necessários para reposição imediata. O comportamento demonstra conforto nos estoques e expectativa de que a colheita da segunda safra amplie a disponibilidade do cereal nas próximas semanas.
Do lado da oferta, os produtores avançam na comercialização da produção, mas mantêm resistência em aceitar preços considerados baixos. Em diversas regiões, as pedidas continuam acima dos valores ofertados pelos compradores, limitando o fechamento de novos negócios.
A expectativa do mercado é que o avanço da colheita da safrinha aumente a pressão sobre os preços, principalmente nas regiões de maior produção.
Clima segue no radar dos agentes do mercado
As condições climáticas continuam sendo acompanhadas de perto pelos participantes do setor.
O mercado monitora a possibilidade de novas chuvas na Região Sul, em São Paulo, no sul de Minas Gerais e em áreas produtoras de Goiás. Apesar das especulações sobre eventuais impactos na produtividade, ainda não há confirmação de perdas relevantes.
Outro fator observado é o risco de geadas. No entanto, as previsões meteorológicas atuais não indicam ocorrência de frio intenso capaz de provocar danos significativos às lavouras.
Relatório do USDA influencia expectativas globais
No cenário internacional, as atenções estiveram voltadas para a divulgação do relatório mensal de oferta e demanda agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
O documento trouxe atualizações importantes para o mercado global de grãos e reforçou a percepção de ampla disponibilidade de milho, fator que continua pressionando os preços na Bolsa de Chicago.
A queda das cotações internacionais tem reduzido a competitividade do milho brasileiro nos portos, mesmo com a valorização do dólar frente ao real.
Exportações avançam em volume, mas preços médios recuam
Apesar dos desafios relacionados à paridade de exportação, os embarques brasileiros de milho apresentaram crescimento expressivo no início de junho.
De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil exportou 126,061 mil toneladas de milho nos quatro primeiros dias úteis do mês, com média diária de 31,515 mil toneladas.
A receita acumulada alcançou US$ 29,451 milhões, com média diária de US$ 7,362 milhões.
Na comparação com junho de 2025, os resultados mostram:
- Alta de 57,9% na receita média diária;
- Crescimento de 70,6% no volume médio diário exportado;
- Queda de 7,4% no preço médio por tonelada.
O valor médio da tonelada exportada ficou em US$ 233,60.
Cotações do milho permanecem estáveis nas principais regiões produtoras
O preço médio da saca de milho no Brasil foi cotado em R$ 61,12 no dia 11 de junho, praticamente estável em relação aos R$ 61,14 registrados na semana anterior.
Nas principais praças acompanhadas pelo mercado, os preços apresentaram poucas variações:
- Cascavel (PR): R$ 60,00 por saca;
- Campinas (SP/CIF): R$ 65,00 por saca;
- Mogiana Paulista (SP): R$ 60,00 por saca;
- Rondonópolis (MT): R$ 51,00 por saca;
- Erechim (RS): R$ 69,00 por saca;
- Uberlândia (MG): R$ 60,00 por saca;
- Rio Verde (GO): R$ 58,00 por saca.
A estabilidade observada reforça o momento de transição vivido pelo mercado, que aguarda uma definição mais clara sobre o tamanho da safra e o ritmo efetivo da colheita.
Safrinha deve definir tendência dos preços nos próximos meses
O comportamento do mercado de milho nas próximas semanas dependerá diretamente do avanço da colheita da segunda safra, considerada a principal do país.
Caso a produtividade se confirme dentro das expectativas atuais, a entrada de grandes volumes no mercado poderá ampliar a oferta disponível e exercer pressão adicional sobre as cotações.
Por outro lado, eventuais problemas climáticos ou atrasos na colheita podem limitar esse movimento e sustentar os preços por mais tempo.
Enquanto esse cenário não se define, compradores seguem cautelosos e produtores mantêm postura firme nas negociações, resultando em um mercado de baixa liquidez e pouca variação nos preços.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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