AGRONEGÓCIO
Açúcar dispara nas bolsas internacionais e se valoriza no mercado interno com apoio do etanol
AGRONEGÓCIO
Bolsas internacionais registram forte alta no açúcar
O mercado internacional do açúcar apresentou valorização expressiva nesta quinta-feira (19), acompanhando o movimento de alta no petróleo e perspectivas de crescimento na demanda por etanol.
Na ICE Futures em Nova York, os contratos do açúcar bruto registraram os seguintes fechamentos:
- Maio/26: 15,37 cents/lbp, alta de 0,57 cent (+3,85%)
- Julho/26: 15,46 cents/lbp, alta de 0,52 cent (+3,5%)
- Outubro/26: 15,75 cents/lbp, alta de 0,46 cent
Em Londres (ICE Europe), os contratos do açúcar branco também avançaram significativamente:
- Maio/26: US$ 452,30/ton, alta de US$ 13,80
- Agosto/26: US$ 450,90/ton, alta de US$ 14,20
- Outubro/26: US$ 450,60/ton, alta de US$ 13,50
Analistas destacam que a valorização está atrelada à forte demanda por etanol, estoques baixos das usinas e à expectativa de adoção do E35 no Brasil, que aumentaria a mistura de etanol na gasolina e geraria demanda adicional de até 3,5 bilhões de litros de anidro.
Mercado interno acompanha recuperação do açúcar e etanol
No Brasil, o indicador de açúcar cristal branco em São Paulo, calculado pelo CEPEA/ESALQ, registrou forte valorização. A saca de 50 quilos foi negociada a R$ 100,51, alta de 2,39% no dia e acumulando 1,95% em março, após sequência de quedas anteriores.
O etanol hidratado em Paulínia (SP) também avançou, sendo cotado a R$ 3.050,00/m³, alta de 0,89% no comparativo diário e de 2,68% no acumulado do mês, influenciado pelo aumento do preço da gasolina, que atingiu a maior cotação em 3,5 anos no mercado futuro.
Fatores que sustentam a valorização do açúcar
Além da demanda por etanol, os preços internacionais do açúcar recebem suporte de interrupções no fornecimento global. O fechamento do Estreito de Ormuz, por exemplo, reduziu em cerca de 6% o comércio mundial de açúcar, impactando a produção de açúcar refinado e pressionando os preços para cima.
Segundo Maurício Muruci, da Safras & Mercado, o mix de produção das usinas brasileiras deve priorizar etanol em detrimento do açúcar na safra 2026/27, mantendo a pressão de valorização sobre a commodity.
Perspectivas para os próximos meses
Com a combinação de alto preço do petróleo, demanda crescente por etanol, e restrições no fornecimento global, analistas apontam que o açúcar deve manter tendência de alta no curto prazo, refletindo diretamente na valorização do mercado interno.
O cenário também reforça a importância da produção integrada de açúcar e etanol no Brasil, já que o comportamento de um mercado impacta diretamente o outro, consolidando o país como player estratégico no comércio internacional de commodities energéticas e alimentares.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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