AGRONEGÓCIO
Início do outono traz boa umidade do solo e clima favorável para safras no Brasil, aponta Nottus
AGRONEGÓCIO
Solo com boa umidade inicia outono 2026
O outono de 2026 começa oficialmente no dia 20 de março, às 11h45, com cenário climático favorável à produção agrícola no Brasil, segundo a Nottus, empresa de inteligência de dados e consultoria meteorológica.
Após semanas de chuvas intensas em regiões produtoras, o solo apresenta níveis adequados de umidade, diminuindo o risco de falta de água no início do ciclo e criando condições positivas para o desenvolvimento de culturas como milho, soja, trigo, cevada e aveia.
Padrão climático: redução no Centro-Sul e aumento no Sul
A nova estação será marcada pela redução gradual das chuvas no Sudeste e no Centro-Oeste, sem interrupções abruptas, enquanto a precipitação deve aumentar no Sul e permanecer elevada no Norte e parte do Nordeste.
De acordo com Desirée Brandt, sócia-executiva e meteorologista da Nottus, “o fenômeno La Niña apresenta sinais de enfraquecimento, e os modelos indicam uma transição para neutralidade climática no Pacífico nas próximas semanas”.
O outono representa o período de transição entre o verão e o inverno, com queda gradual das temperaturas no Centro-Sul e manutenção de chuva intensa no Norte e Nordeste. No Sul, a tendência é de maior umidade nos próximos meses, favorecendo culturas de inverno.
Milho segunda safra inicia ciclo com condições favoráveis
No cinturão produtor que abrange Sudeste, Centro-Oeste, Matopiba (Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia) e norte do Paraná, regiões responsáveis pela maior parte do milho segunda safra, o clima neste início de outono é considerado positivo.
Segundo Desirée Brandt, “diferentemente da primeira safra, que enfrentou irregularidade de chuva, o milho segunda safra começa com boa disponibilidade de umidade no solo e menor risco de estresse hídrico neste início de ciclo”.
A meteorologista reforça que, no momento, não há previsão de eventos climáticos extremos, ondas de calor ou frio intenso, e o risco de geada nas áreas mais ao sul dessas regiões é baixo.
Norte mantém excesso de chuvas e desafios operacionais
Na região Norte, onde ainda há soja tardia, as precipitações permanecem elevadas. Esse excesso de chuva contribui para o desenvolvimento das lavouras, mas pode dificultar operações em campo, como aplicações de insumos e colheitas em algumas localidades.
“Há previsão de muita água nas próximas semanas, o que pode gerar desafios logísticos para produtores”, explica Brandt.
Sul recebe umidade e favorece culturas de inverno
No Sul do Brasil, especialmente Rio Grande do Sul, Santa Catarina e sul do Paraná, a tendência é de aumento gradual da chuva após período mais seco. Esse retorno da umidade é importante para o início do plantio de culturas de inverno, como trigo, cevada e aveia.
“Os níveis de umidade favoráveis, somados à ausência de frio intenso e geadas, devem contribuir para um bom início do calendário agrícola de inverno”, afirma a especialista.
Cenário geral: outono favorável para o agronegócio
De forma geral, o outono de 2026 deve apresentar padrão climático mais típico, com redução gradual das chuvas na porção central do país, aumento no Sul e manutenção de volumes elevados no Norte. Para o agronegócio, o cenário indica boa disponibilidade de umidade e baixo risco de extremos climáticos, favorecendo o desenvolvimento das principais culturas nas principais regiões produtoras do Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fracassa acordo no STF e disputa sobre Moratória da Soja volta a julgamento
O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou a tentativa de construir um acordo entre produtores rurais, indústria, ambientalistas e Ministério Público sobre a Moratória da Soja. Sem consenso entre as partes, o Núcleo de Solução Consensual de Conflitos (Nusol) devolveu os quatro processos relacionados ao tema aos ministros relatores, abrindo caminho para a retomada do julgamento das ações, ainda sem data definida.
Em despacho assinado nesta sexta-feira (12.06), o juiz auxiliar da Presidência do STF e supervisor do Nusol, Álvaro Ricardo de Souza Cruz, afirmou que as reuniões realizadas entre abril e maio chegaram a criar um ambiente favorável à conciliação, mas houve recuo dos envolvidos, inviabilizando uma solução negociada.
“Durante as tratativas, instaurou-se amplo diálogo entre os envolvidos, tendo-se verificado, em determinado momento, ambiente propício à construção de solução consensual. Contudo, sobreveio recuo das partes, o que impossibilitou a composição”, registra o documento.
Segundo o STF, a tentativa de mediação não buscava discutir a constitucionalidade das leis estaduais questionadas, mas os efeitos práticos decorrentes de uma eventual decisão da Corte. A preocupação é evitar a multiplicação de disputas judiciais em diferentes instâncias após o julgamento das ações.
As tratativas envolveram representantes da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do Ministério Público Federal e dos governos de Mato Grosso, Rondônia e Tocantins, além de partidos políticos autores das ações.
Com o fim da mediação, o Nusol reenviou as Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 7774, relatada pelo ministro Flávio Dino; 7775, sob relatoria de Dias Toffoli; e 7863 e 7959, ambas sob responsabilidade do ministro Luiz Fux.
As ADIs 7774 e 7775 questionam leis aprovadas em Mato Grosso e Rondônia que retiraram benefícios fiscais de empresas participantes de acordos privados, como a Moratória da Soja.
Criada em 2006, a Moratória da Soja estabelece que empresas signatárias não adquiram grãos produzidos em áreas do bioma Amazônia desmatadas após 2008, ainda que a abertura das áreas tenha ocorrido dentro dos limites previstos pela legislação ambiental.
A disputa ganhou novo capítulo após a entrada em vigor, no início de 2026, da lei de Mato Grosso que impôs restrições às tradings participantes do acordo. A medida contribuiu para o esvaziamento da Moratória, com a saída da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e das empresas associadas.
No fim do ano passado, o ministro Flávio Dino determinou a suspensão de todas as ações judiciais e administrativas relacionadas à Moratória da Soja, incluindo processos que pedem indenizações. Em uma dessas ações, produtores rurais de Mato Grosso reivindicam ressarcimento superior a R$ 1 bilhão. O setor também acionou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), acusando as tradings de formação de cartel.
A tentativa de mediação havia sido anunciada em março, durante o julgamento das ações pelo plenário do STF. Com o fracasso das negociações, caberá agora aos ministros dar prosseguimento à análise do caso.
Fonte: Pensar Agro
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