AGRONEGÓCIO
Tensão no Oriente Médio movimenta bolsas globais, derruba petróleo e influencia abertura do Ibovespa
AGRONEGÓCIO
Mercados globais reagem a sinal de trégua entre EUA e Irã
Os mercados internacionais iniciaram a semana com forte volatilidade, refletindo a escalada — e posterior alívio — das tensões no Oriente Médio. Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando a suspensão temporária de possíveis ataques ao Irã por cinco dias, trouxeram alívio aos investidores.
Antes da abertura de Wall Street, os contratos futuros das principais bolsas norte-americanas registravam alta expressiva:
- S&P 500: +2,6%
- Dow Jones: +2,6%
- Nasdaq: +2,45%
Na Europa, o movimento também foi majoritariamente positivo:
- CAC 40 (França): +0,94%
- DAX (Alemanha): +1,28%
- FTSE 100 (Reino Unido): -0,11%
O cenário indica recuperação parcial após a aversão global ao risco observada no fim da semana anterior.
Bolsas asiáticas despencam com temor de escalada do conflito
Na Ásia, onde os mercados já haviam encerrado as negociações antes das declarações mais recentes, o dia foi marcado por fortes quedas generalizadas.
Os principais índices fecharam em baixa:
- Xangai (SSEC): -3,63% (pior resultado desde abril de 2025)
- CSI300: -3,26% (menor nível em seis meses)
- Hang Seng (Hong Kong): -3,54% (pior desempenho em quase um ano)
- Nikkei (Japão): -3,48%
- Kospi (Coreia do Sul): -6,49%
- Taiex (Taiwan): -2,45%
A liquidação foi impulsionada pelo receio de uma crise prolongada envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, com potencial impacto inflacionário global — especialmente via preços de energia.
Setores mais sensíveis ao ciclo econômico, como tecnologia, turismo e agricultura, foram os mais penalizados, diante do risco de estagflação.
Petróleo despenca após fala de Trump e muda humor do mercado
O mercado de petróleo registrou uma forte reversão após as declarações de Trump. O barril do tipo Brent chegou a operar entre US$ 114,43 e US$ 96 ao longo do dia, antes de recuar de forma acentuada.
No momento mais recente, o Brent era negociado próximo de US$ 101,11, com queda de 9,88%.
A retração da commodity reduziu temporariamente o temor de choque inflacionário global, melhorando o apetite por risco em parte dos mercados.
Ibovespa tenta recuperação após queda forte e acompanha cenário externo
No Brasil, o Ibovespa encerrou a última sexta-feira (20) em forte queda de 2,25%, aos 176.219 pontos, pressionado pelo aumento da aversão ao risco global e realização de lucros após máximas recentes.
Apesar disso, o índice abriu esta segunda-feira (23) com leve alta:
- 10h05: +0,16%, aos 176.506 pontos
- Contrato futuro (abril): +0,41%
O volume financeiro elevado — R$ 49,2 bilhões no último pregão — indica movimentação intensa e ajuste técnico relevante no mercado.
Dólar sobe e reflete busca por proteção
O avanço das tensões geopolíticas também impulsionou o dólar frente ao real, refletindo a busca por ativos considerados mais seguros.
A moeda norte-americana segue sensível às oscilações do cenário externo, especialmente às variações no preço do petróleo e ao fluxo global de capitais.
Noticiário corporativo ganha destaque na B3
Além do cenário internacional, o mercado brasileiro acompanha uma agenda corporativa intensa, com empresas relevantes no radar dos investidores, como:
- Embraer
- Casas Bahia
- CSN
- Fleury
Esses papéis contribuem para a dinâmica do índice em meio ao ambiente de incerteza global.
Perspectivas: volatilidade deve continuar nos mercados
Apesar do alívio momentâneo, o cenário segue incerto. Informações divergentes — como a negativa iraniana sobre negociações com os EUA — mantêm o risco geopolítico elevado.
Analistas apontam que:
- A volatilidade deve permanecer no curto prazo
- O petróleo continuará sendo um dos principais termômetros do mercado
- Bolsas emergentes, como a brasileira, tendem a oscilar conforme o fluxo externo
Mesmo com a recente correção, o Ibovespa ainda acumula alta em 2026, indicando resiliência diante de choques externos — mas com tendência de curto prazo ainda dependente do cenário internacional.
Resumo do cenário atual
- Alívio geopolítico impulsiona bolsas nos EUA e Europa
- Ásia fecha em forte queda com temor de escalada do conflito
- Petróleo despenca após sinal de trégua
- Ibovespa tenta recuperação após forte correção
- Dólar sobe com busca por segurança
- Volatilidade segue elevada no curto prazo
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Entidade diz que o campo preserva, mas há excesso de regras travando os produtores
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) decidiu reagir às críticas sobre o impacto ambiental do agronegócio e levou ao debate público um conjunto de dados para sustentar que a produção agrícola no Brasil ocorre com preservação relevante dentro das propriedades rurais.
A iniciativa ocorre em um momento de maior pressão sobre o setor, especialmente em mercados internacionais, e busca reposicionar a narrativa com base em números do próprio campo.
Entre os dados apresentados, levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que 65,6% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, enquanto a agricultura ocupa cerca de 10,8% da área total. A entidade usa o dado para reforçar que a produção ocorre em uma parcela limitada do território.
No recorte estadual, a Aprosoja-MT destaca um levantamento próprio que identificou mais de 105 mil nascentes em 56 municípios de Mato Grosso, com 95% delas preservadas dentro das propriedades rurais . O dado é usado como exemplo prático de conservação dentro da atividade produtiva.
A entidade também aponta que o avanço tecnológico tem permitido aumento de produção sem expansão proporcional de área. O Brasil deve colher mais de 150 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, mantendo a liderança global, com Mato Grosso respondendo por cerca de 40 milhões de toneladas.
Segundo a Aprosoja-MT, práticas como plantio direto, rotação de culturas e uso de insumos biológicos têm contribuído para esse ganho de produtividade, reduzindo a pressão por abertura de novas áreas.
Isan Rezende, presidente do IA
A associação também cita investimentos em prevenção de incêndios dentro das propriedades e manejo de solo como parte da rotina produtiva, argumentando que a preservação é uma necessidade econômica, e não apenas uma exigência legal.
Na avaliação de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) a preservação ambiental no campo deixou de ser uma pauta teórica e passou a ser parte direta da gestão da propriedade rural. Segundo ele, o produtor brasileiro já incorporou práticas que garantem produtividade com conservação, muitas vezes acima do que é exigido.
“Quem está na lida sabe que sem água, sem solo bem cuidado e sem equilíbrio ambiental não existe produção. O produtor preserva porque precisa produzir amanhã. Isso não é discurso, é sobrevivência da atividade”, afirma.
Rezende aponta, no entanto, que o ambiente institucional ainda cria distorções que dificultam o reconhecimento desse esforço. Para ele, há excesso de exigências, insegurança jurídica e regras que mudam com frequência, o que acaba penalizando quem já produz dentro da lei.
“O produtor cumpre, investe, preserva, mas continua sendo tratado como problema. Falta coerência. Quem está regular não pode continuar pagando a conta de um sistema que não diferencia quem faz certo de quem está fora da regra”, diz.
Na avaliação do dirigente, o debate sobre sustentabilidade no Brasil precisa avançar com base em dados e realidade de campo, e não em generalizações. Ele defende que o país já possui uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo, mas enfrenta falhas na aplicação e na comunicação dessas informações.
“O Brasil tem uma das produções mais eficientes e sustentáveis do planeta. O que falta é organização e clareza nas regras, além de uma comunicação mais firme para mostrar o que já é feito dentro da porteira”, conclui.
Fonte: Pensar Agro
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